
Termômetros são vistos na entrada de um centro de tratamento de Ebola na cidade de Butembo, no leste do Congo.
REUTERS/Zohra Bensemra
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) estão monitorando relatos de casos de Ebola na República Democrática do Congo e em Uganda e fornecendo assistência técnica aos seus governos, afirmou o diretor interino da instituição nesta sexta-feira (15), de acordo com a agência Reuters.
Também nesta sexta, o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) anunciou que uma nova epidemia de ebola está em curso no Congo, uma região devastada por conflitos armados.
A principal agência de saúde pública da África informou que o surto ocorre na província de Ituri. Ao todo, 13 casos foram confirmados e quatro mortes foram atribuídas ao vírus, após exames em laboratório. O país também registrou outros 233 casos suspeitos, 65 deles fatais estão sendo investigados.
A agência informou que as mortes e os casos suspeitos foram relatados principalmente nas zonas de saúde de Mongwalu e Rwampara, enquanto quatro mortes foram registradas entre os casos confirmados em laboratório. Casos suspeitos também foram relatados em Bunia, a capital da província.
A Uganda também confirmou nesta sexta um surto da doença altamente contagiosa causada pelo vírus, que envolve a cepa Bundibugyo, informou o Ministério da Saúde. A pasta afirmou que o caso foi uma infecção importada do Congo. O paciente morreu na UTI em 14 de maio, após desenvolver sintomas hemorrágicos.
O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (ADCDC) afirmou em comunicado que está convocando uma reunião urgente com representantes do Congo, Uganda, Sudão do Sul e parceiros globais para reforçar a vigilância transfronteiriça, o preparo e os esforços de resposta.
“O CDC possui vasta experiência e conhecimento no combate a surtos de Ebola e estamos trabalhando em estreita colaboração com o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo, por meio de nosso escritório no país, para apoiar nossos esforços de resposta”, disse o diretor interino Jay Bhattacharya a jornalistas em uma teleconferência.
O Africa CDC disse que as descobertas iniciais sugerem a presença de uma cepa do vírus não originária do Zaire, e o sequenciamento está em andamento para melhor caracterizá-la.
Jean-Jacques Muyembe, o virologista congolês codescobridor do Ebola e chefe do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica em Kinshasa, disse à Reuters que todos os 16 surtos anteriores no Congo, com exceção de um, foram causados pela cepa Zaire.
Segundo ele, a identificação de uma variante diferente vai complicar a resposta, já que os tratamentos e vacinas existentes foram desenvolvidos contra a cepa Zaire.
O Africa CDC está preocupado com o risco de maior disseminação devido ao contexto urbano de Bunia e Rwampara”, assim como com o “intenso movimento populacional” e a mobilidade relacionada à mineração nas áreas afetadas, que ficam próximas a Uganda e ao Sudão do Sul, acrescentou a agência.
“Dado o grande movimento populacional entre as áreas afetadas e os países vizinhos, a rápida coordenação regional é essencial”, disse o diretor-geral do Africa CDC, Jean Kaseya, em comunicado.
Primeiras amostras confirmadas como positivas na quinta-feira, diz a OMS
A Organização Mundial da Saúde (OMS) tomou conhecimento de casos suspeitos em 5 de maio e enviou uma equipe a Ituri para ajudar na investigação, mas as amostras coletadas em campo inicialmente testaram negativo, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira .
Um laboratório em Kinshasa confirmou casos positivos na quinta-feira, e o número total de casos positivos confirmados agora é de 13, disse Tedros.
A OMS liberou US$ 500.000 de seu fundo de contingência para emergências para apoiar a resposta, incluindo vigilância, rastreamento de contatos, testes laboratoriais e atendimento clínico, acrescentou.
Ituri atingida por confrontos entre milícias
O novo surto está se desenrolando em meio a uma crescente crise de segurança em Ituri, onde confrontos entre grupos de milícias rivais mataram dezenas de civis nas últimas semanas.
A violência agravou uma situação humanitária já crítica, deixando as instalações de saúde sobrecarregadas ou inoperantes em algumas partes da província, informou a organização Médicos Sem Fronteiras no início deste mês. A organização humanitária alertou para as condições catastróficas de higiene nos locais de deslocamento, aumentando o risco de surtos de doenças.
Este é o 17º surto no Congo desde que o Ebola foi identificado pela primeira vez no país, em 1976. O surto mais recente, na província de Kasai, foi declarado encerrado em 1º de dezembro, após três meses. De um total de 64 casos, 45 morreram e 19 se recuperaram.
Vírus mortal
Apesar das vacinas e tratamentos recentes, a doença do vírus Ebola é uma enfermidade grave e frequentemente fatal e endêmica nas vastas florestas tropicais do Congo. Ela se espalha por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, materiais contaminados ou pessoas que morreram em decorrência da doença.
Entre os principais sintomas, estão febre, vômitos, sangramentos e diarreia.
As pessoas infectadas só se tornam contagiosas após o aparecimento dos sintomas, depois de um período de incubação que varia de dois a 21 dias.
Nos últimos 50 anos, a febre hemorrágica altamente contagiosa causou 15 mil mortes na África. O surto mais letal no Congo, registrado entre 2018 e 2020, deixou 2.300 mortos de um total de 3.500 pessoas doentes.
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