Segundo o ministro, equipes técnicas dos dois países se reuniram nesta terça e há a expectativa de uma nova audiência – desta vez com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, – antes de uma decisão americana sobre novas tarifas contra o Brasil na próxima semana.
Márcio Elias Rosa declarou que, apesar de as tratativas estarem em andamento, o governo brasileiro rechaça a ideia de incluir na mesa de negociações a redução de tarifas do Brasil sobre o etanol norte-americano.
Para o ministro, fazer concessões nesse tópico representaria um “risco” para a região Nordeste, que conta com forte presença de indústria sucroalcooleira.
Para Flávio, a relação tarifária entre os dois países acerca do etanol e do açúcar é “assimétrica” e os dois países podem chegar a um acordo de tarifas zeradas.
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🔎Atualmente, o Brasil aplica tarifa de 18% sobre o etanol americano. Enquanto os Estados Unidos aplicam uma alíquota básica de 2,5% sobre o etanol brasileiro.
Segundo Márcio Elias Rosa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já orientou sua equipe a deixar o etanol de fora das negociações.
“Nunca [fazer concessões no etanol]. Ao contrário, o governo do Brasil, o presidente Lula defende claramente que esse tema do etanol não seja tratado nessa negociação e, mais, não seja tratado sem que nós tratemos da questão do açúcar, que é sobretaxado nos EUA”, afirmou o ministro.
Sem citar Flávio, Márcio Elias Rosa disse considerar uma “pena” que algumas pessoas defendam a adoção de um regime paritário entre o etanol brasileiro e o norte-americano, facilitando a entrada do produto dos EUA no Brasil.
“Esse é um setor muito importante, sobretudo no Nordeste do país. A produção do etanol e, eventualmente, a abertura do mercado do etanol norte-americano colocaria em risco, sobretudo, a produção do etanol no Nordeste do país”, completou Márcio Elias Rosa.
Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante o programa “Bom Dia, Ministro”, na EBC — Foto: Júlio César Silva/MDIC
Flávio participou de audiência nos EUA
O parlamentar afirmou que este é o “pior momento” para a imposição de tarifas contra o Brasil, mencionando a proximidade temporal com as eleições de outubro. Para Flávio, Lula pode se beneficiar caso a medida seja implementada pela gestão Trump.
Questionado sobre a participação de Flávio na audiência em Washington, Márcio Elias Rosa evitou fazer comentários.
“Acho que nós devemos focar agora, o prazo é curto, nós devemos focar naquilo que pode dar resultado positivo para o Brasil”, concluiu.