Flávio Bolsonaro chega a audiência nos EUA sobre tarifaço
A campanha de Lula planeja utilizar a fala do adversário como munição para reforçar o discurso de que o filho do ex-presidente Bolsonaro quer subordinar os interesses brasileiros aos dos Estados Unidos.
- 🔎A aplicação das taxas é decorrente de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), aberta com base na “Seção 301” da Lei de Comércio de 1974. O objetivo é apurar supostos atos e práticas do Brasil relacionados a comércio digital (PIX), tarifas, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento. Essa legislação permite a adoção de medidas comerciais quando um país considera que práticas de outro governo são injustas e prejudicam empresas americanas.
Para assessores presidenciais, Flávio Bolsonaro não fez uma defesa dos empresários brasileiros e preferiu focar em ataques ao governo Lula, usando a audiência para seus interesses políticos.
Além disso, os auxiliares do presidente destacaram que o senador, mais uma vez, usou o caso do Banco Master para tentar atingir o governo Lula, mas omitiu sua relação próximo com o banqueiro Daniel Vorcaro.
“Neste ponto, com certeza ele não engana os assessores americanos, que sabem muito das notícias sobre a cobrança que o senador fez a Vorcaro para financiar o filme sobre seu pai”, disse um assessor palaciano.
Flávio Bolsonaro critica Lula e o STF durante audiência sobre tarifas nos EUA
O ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, chamou a atuação do senador de “diplomacia clandestina da pior qualidade”.
Já o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, diz que Fláviu “foi oferecer a pátria de bandeja na reunião do Escritório de Comércio”
“Em vez de defender o fim do tarifaço, pediu aos Estados Unidos que adiassem a imposição das tarifas para depois da eleição, porque sabe que o povo brasileiro não suporta gente entreguista. O povo tem orgulho de um Brasil soberano, que não se ajoelha diante de ninguém”.
Já o vice-líder do governo, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), criticou Flávio Bolsonaro. “Ele não foi defender o Brasil, mas apenas tentar apagar as próprias digitais. No passado, comemorou o tarifaço contra o país e agradeceu a Trump”, afirmou o deputado.
Ele acrescentou que, “agora, só pede o adiamento. Diz que é o pior momento. Depois da eleição, pelo visto, o Brasil que se vire”.
Para equipe do senador, fala cumpriu roteiro
Do lado de Flávio Bolsonaro, sua equipe diz que ele cumpriu um roteiro para também ser usado na campanha. A ideia é mostrar que ele buscou defender o país, atacando o governo Lula que – no seu discurso – é o responsável pelas ameaças de tarifaço da parte de Donald Trump.
O senador, por sinal, pretende ficar mais alguns dias nos Estados Unidos, para tentar mostrar que ele segue tentando evitar o tarifaço, que será decidido até o dia 15 de julho.