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Sem vacina aprovada para a cepa Bundibugyo do Ebola, EUA retomam apoio à aliança de vacinação

por Gilberto Cruz
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Marco Rubio participa de uma audiência do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA sobre a proposta orçamentária de Trump para o Departamento de Estado no ano fiscal de 2027, no Capitólio
REUTERS/Kylie Cooper
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse nesta terça-feira (2) que o país voltará a se envolver com a aliança global de vacinas Gavi, em meio ao surto de Ebola em vários países africanos, de acordo com a agência Reuters. A Gavi é uma organização que reúne atores públicos e privados com o objetivo de acelerar os esforços de vacinação em todo o mundo.
Rubio declarou ao Comitê de Relações Exteriores do Senado que a decisão de voltar a participar da aliança foi tomada há algumas semanas, depois que o governo Trump retirou o financiamento da Gavi no ano passado.
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A OMS falou nas últimas semanas sobre as dificuldades financeiras na resposta ao surto de Ebola. Segundo a representante da organização no Congo, Anne Ancia, a redução global de recursos para saúde teve impacto direto nas operações da organização no país.
Ela citou a saída oficial dos Estados Unidos da OMS em janeiro e os cortes em financiamento internacional promovidos pelo governo do presidente Donald Trump. Apesar disso, a representante afirmou que a cooperação técnica entre os EUA e a OMS continua funcionando.
O Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou ter recebido apenas 34% dos R$ 7,9 bilhões (US$ 1,4 bilhão) solicitados para ações humanitárias no Congo neste ano. Segundo o órgão, mais da metade dos recursos recebidos veio de Washington.
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Ainda não há vacina aprovada para a variante Bundibugyo do Ebola
Ainda não existe vacina aprovada especificamente para a variante Bundibugyo, do vírus Ebola. Mas especialistas já avaliaram recentemente a possibilidade de usar a vacina Ervebo, da farmacêutica Merck, aprovada contra a cepa Zaire do Ebola e que apresentou sinais de proteção cruzada em estudos com animais.
A decisão sobre eventual uso emergencial de vacinas cabe aos governos do Congo e de Uganda.
A aliança internacional Gavi informou nas últimas semanas que já mantém 2 mil doses de vacinas contra Ebola no Congo caso os especialistas recomendem iniciar testes ou campanhas emergenciais.
Especialistas afirmam que surtos causados pela variante Bundibugyo são incomuns e imprevisíveis, o que dificulta o desenvolvimento de vacinas específicas e protocolos rápidos de resposta.
Além disso, pesquisadores alertam que a situação de segurança no leste do Congo — marcada por conflitos armados e dificuldades logísticas — pode dificultar tanto a contenção da doença quanto a realização de estudos clínicos.
Empresa amplia produção de testes
A BioFire Defense, ligada à empresa francesa bioMérieux, afirmou nas últimas semanas que está ampliando a produção de um teste aprovado pela agência reguladora dos Estados Unidos (FDA) capaz de detectar diferentes variantes do Ebola, incluindo a Bundibugyo.
Segundo a companhia, o teste — chamado BioFire Global Fever Special Pathogens Panel — consegue identificar múltiplas espécies do vírus.
“A BioFire Defense está em contato ativo com autoridades de saúde pública e parceiros internacionais para monitorar a evolução do surto e avaliar possíveis necessidades de apoio”, afirmou um porta-voz da empresa.
Moderna já anunciou parceria para desenvolver vacina contra cepa Bundibugyo
Nesta segunda-feira (1°), a farmacêutica Moderna anunciou uma parceria com a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) para desenvolver uma vacina contra a cepa Bundibugyo do vírus ebola, responsável pelo surto em curso no leste da República Democrática do Congo (RDC).
A Cepi é uma fundação internacional que financia projetos independentes de pesquisa de vacinas contra ameaças epidêmicas e pandêmicas. Ela destinará até US$ 50 milhões para financiar o desenvolvimento pré-clínico e os primeiros testes da candidata da Moderna. A organização também investirá em outras duas vacinas experimentais desenvolvidas por pesquisadores da Universidade de Oxford e da International AIDS Vaccine Initiative.
A iniciativa ocorre enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda priorizar medicamentos e vacinas experimentais para prevenção e tratamento da doença. Segundo a OMS, o diagnóstico precoce e o acesso rápido aos cuidados de saúde aumentam as chances de recuperação.
Nesta terça, a OMS informou que o número de casos suspeitos de ebola monitorados na África Central caiu nos últimos dias, após a exclusão de centenas de notificações que inicialmente eram investigadas como possíveis infecções. Em 31 de maio, a organização contabilizava 116 casos suspeitos na República Democrática do Congo (RDC), abaixo dos 906 registrados no fim da semana anterior.
Segundo a OMS, a redução ocorreu porque muitos pacientes investigados tiveram outras doenças diagnosticadas ou apresentavam febre sem relação com o ebola.

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