O ponto central da posição do governo será reforçar que a parceria com os EUA no combate ao crime organizado continua forte, assim como outras cooperações voltadas ao enfrentamento das facções. Ao mesmo tempo, o governo destacará os possíveis impactos da medida sobre a economia brasileira.
Entre os possíveis efeitos citados pelo governo está uma ameaça ao PIX, sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central. A alegação dos americanos é que a ferramenta pode facilitar a movimentação de recursos por organizações criminosas.
Segundo interlocutores do governo ouvidos pelo blog, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não quer um confronto com o governo de Donald Trump. Ainda assim, a menção ao PIX tem apelo direto junto à população, já que o sistema de pagamento é um queridinho dos brasileiros.

Decisão dos EUA sobre facções pode impactar mercado
Ao citar riscos ao PIX, o governo também busca atribuir à oposição — especialmente ao pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — parte da responsabilidade pela nova medida anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA, onde o senador foi recebido nesta quarta (27).
Pouco tempo depois, esse esforço culminou em um encontro entre Lula e Trump na Malásia, onde os dois iniciaram formalmente as negociações sobre as tarifas.
Para o Planalto, esse diálogo direto foi decisivo para que a Casa Branca adotasse uma postura mais pragmática e assinasse um decreto reduzindo ou eliminando tarifas sobre diversos produtos do agronegócio brasileiro. O documento citou nominalmente o avanço das conversas com Lula.
Agora, a estratégia é repetir a fórmula: usar o forte apelo de um tema financeiro para pressionar Washington e reabrir canais diretos de negociação política.
Nas últimas horas, Lula discutiu o tema com diversos auxiliares. Além do chanceler Mauro Vieira, conversou com o assessor especial para assuntos internacionais Celso Amorim e com os ministros Wellington César Lima e Silva (Justiça) e Dario Durigan (Fazenda).
