→ Agosto Lilás não é apenas um mês de campanhas, faixas e iluminação simbólica. É o momento de reafirmar a urgência de uma luta que, para nós mulheres, é cotidiana e vital: o enfrentamento à violência de gênero.
Em 2025, completamos 19 anos da Lei Maria da Penha, reconhecida internacionalmente como uma das mais avançadas legislações de proteção às mulheres. No entanto, os números escancaram que ainda estamos distantes da sua plena efetividade: quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil e mais de 70 mil estupros foram registrados apenas em 2024. O feminicídio segue crescendo, atingindo de forma desproporcional as mulheres negras e periféricas.
Esses dados não são estatísticas frias. Eles representam vidas interrompidas, famílias destruídas, sonhos roubados pela violência machista. E é justamente por isso que precisamos afirmar, como deliberou o 17º Encontro Nacional do PT, que:
“Fazer do enfrentamento ao feminicídio e à violência contra as mulheres uma prioridade nacional é tarefa inadiável. É dever do Estado e compromisso do Partido dos Trabalhadores colocar a vida das mulheres no centro da reconstrução democrática do Brasil.”
Nos últimos anos, o governo do presidente Lula tem retomado políticas que haviam sido desmanteladas: o fortalecimento do Ligue 180, a ampliação da rede de casas de acolhimento, a regulamentação da lei “Não é Não”, a Operação Shamar em parceria com estados e municípios. Mas sabemos: ainda é insuficiente. Precisamos avançar mais, com orçamento garantido, transversalidade das políticas públicas e participação ativa da sociedade civil e dos movimentos de mulheres.
O PT reafirma o compromisso histórico com a emancipação das mulheres e com a construção de uma sociedade livre da violência patriarcal. Isso significa, hoje, exigir que cada prefeitura, cada governo estadual e cada parlamento se comprometa com o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios. Significa cobrar que o orçamento público reflita a centralidade desta luta. Significa enfrentar também a violência política de gênero, que busca silenciar lideranças femininas em todos os espaços de poder.
Agosto Lilás não pode se limitar a campanhas de um mês. Ele deve se traduzir em ação permanente, em mobilização contínua, em formação política e social que desnaturalize a violência e valorize a vida das mulheres.
Reafirmo aqui, como dirigente partidária e como mulher, que o PT seguirá incansável nessa luta. Porque cada feminicídio não é um caso isolado: é uma ferida aberta em nossa democracia. E só a política, feita com coragem e compromisso, pode cicatrizar essa chaga histórica.
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Artigo: Gleide Andrade
– Sec. Nacional de Finanças e Planejamento do PT