Bloqueios de vias estratégicas, ocupações e confrontos marcaram os últimos dias na Cidade do México. Os sindicatos da categoria aproveitam a visibilidade global do evento para pressionar o governo por reajustes salariais e mudanças nas condições de trabalho.
A mobilização é organizada pela Coordenadoria Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), grupo dissidente do principal sindicato da categoria.

Agora no g1
Os atos reúnem principalmente professores da educação básica, incluindo trabalhadores com contratos parciais, que representam uma parcela significativa da categoria no país.
Reajuste salarial de 100%
Professores do México protestam antes da Copa do Mundo da FIFA de 2026, na Cidade do México, México, em 9 de junho de 2026. — Foto: REUTERS/Luis Cortes
O principal impasse está na remuneração. A CNTE exige um aumento salarial de 100%, proposta rejeitada pelo governo federal por ser considerada inviável.
A insatisfação ganhou força após o anúncio, em maio de 2025, de um reajuste de 10%, com aplicação prevista apenas para setembro de 2026. Para o sindicato, o percentual não acompanha o aumento do custo de vida.
Segundo dados citados pela Deutsche Welle, os salários dos professores no México variam de forma significativa conforme a carga horária e o tipo de contrato.
Em média, a remuneração pode chegar a cerca de R$ 6 mil por mês, valor considerado acima da média nacional. No entanto, o salário inicial fica entre R$ 2,4 mil e R$ 4,2 mil, e muitos profissionais acabam recebendo menos devido a contratos parciais. Na prática, o rendimento médio de entrada no magistério gira em torno de R$ 2 mil.
Além da pauta salarial, os professores criticam políticas educacionais do governo e regras previdenciárias.
Já o SNTE defende um reajuste de 13% para 2026, argumentando que a inflação tem reduzido o poder de compra da categoria.
Manifestantes escreveram ‘se não houver solução, a bola não rola’ durante protestos de professores por melhores salários no México — Foto: REUTERS/Henry Romero
Pressão durante a Copa
A proximidade da Copa transformou as reivindicações em uma questão de repercussão internacional. O México espera receber cerca de 5 milhões de turistas estrangeiros durante o torneio, o que o torna uma vitrine global e amplia a visibilidade dos protestos.
Em algumas ações, deixaram mensagens como “sem solução, a bola não rola”, em referência direta à competição.
Manifestantes marcham em direção a estádio da Copa no México. — Foto: REUTERS/Luis Cortes
A ocupação do Zócalo, que deve receber até 100 mil pessoas nos dias de jogos da seleção mexicana, também levou ao cancelamento de atividades organizadas pela Fifa, incluindo um treinamento de voluntários.
As manifestações registraram episódios de violência. Relatos da imprensa indicam confrontos entre manifestantes e forças de segurança, com uso de gás lacrimogêneo pela polícia. Um grupo também invadiu o Ministério da Educação, onde foi registrado um incêndio no hall do prédio.
A presidente Claudia Sheinbaum classificou os atos como uma “provocação” e afirmou que nem todos os envolvidos seriam professores, atribuindo parte da violência a grupos radicais.
Apesar disso, o governo evitou adotar uma repressão mais dura, para não expor negativamente o país sob os holofotes internacionais.
Os impactos já atingem a rotina da capital e a economia, segundo Deutsche Welle. Estimativas apontam perdas de cerca de R$ 119 milhões em razão de bloqueios, interrupções logísticas, fechamento de aeroportos e episódios de vandalismo.
