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Prejuízo dos Correios atinge R$ 5,6 bilhões no 1º semestre de 2026 | G1

por Gilberto Cruz
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Correios abrem novo programa de demissão voluntária

Correios abrem novo programa de demissão voluntária

Na introdução das notas explicativas às demonstrações financeiras, os Correios informaram que estão em “estágio avançado” de estruturação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões. A empresa não deu detalhes sobre como será o contrato, mas afirmou que a União será o fiador em caso de calote da dívida.

“Encontra-se em estágio avançado de estruturação uma nova operação de crédito no montante aproximado de R$ 7 bilhões. A operação vem sendo discutida com potenciais instituições financeiras participantes, estando seus principais elementos econômico-financeiros e contratuais em fase avançada de alinhamento”, afirma a empresa.

“Nesse contexto, a União assumiu compromisso de realizar aporte de capital no montante de R$ 6 bilhões até o final de 2027, destinado ao fortalecimento da situação econômico-financeira e patrimonial da Empresa.”

Nessas demonstrações do 1º semestre, a empresa reapresentou – informou novamente, após apurar detalhadamente – os saldos para o ano de 2025. Com isso, o prejuízo do 1º semestre de 2025 caiu de R$ 4,4 bilhões para R$ 4,3 bilhões.

As receitas obtidas até 30 de junho deste ano reduziram em R$ 320 milhões em relação ao mesmo período de 2025. Já os dispêndios aumentaram em R$ 972 milhões.

  • Receitas: R$ 7,87 bilhões em 2025 e R$ 8,19 bilhões em 2026;
  • Despesas: R$ 13,4 bilhões em 2025 e R$ 12,4 bilhões em 2026.

Desempenho das receitas

Apesar das receitas dos Correios no semestre terem diminuído, alguns segmentos individuais tiveram melhora no desempenho quando analisados individualmente.

O principal aumento se deu no campo da prestação de serviço de logística que a estatal oferece a empresas que envolvem o recebimento do pedido, como a preparação do pacote e envio de produtos ao comprador.

A receita saiu de R$ 205 milhões em 2025 para R$ 423 milhões em 2026.

Desempenho das receitas

RECEITA POR SERVIÇOS20262025
EncomendasR$ 4,6 bilhõesR$ 4,7 bilhões
MensagemR$ 2,4 bilhõesR$ 2,4 bilhões
LogísticaR$ 423 milhõesR$ 205 milhões
InternacionalR$ 355 milhõesR$ 815 milhões
MaloteR$ 141 milhõesR$ 130 milhões
MarketingR$ 129 milhõesR$ 145 milhões
ConveniênciaR$ 98 milhõesR$ 81 milhões

Por outro lado, as encomendas internacionais, que já representaram 22,2% de todas as receitas, agora representa apenas 4,3% do total ao atingir apenas R$ 355 milhões no semestre.

O desempenho repete um movimento observado desde o lançamento do programa Remessa Conforme, em 2023, com a redução das receitas principalmente associada à queda na prestação de serviços de transporte de encomendas internacionais.

O programa passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre todas as compras internacionais de até US$ 50, que antes eram isentas. A medida ficou popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”.

Porém, mesmo com o fim da taxa das blusinhas, a empresa não viu as receitas aumentarem já que o programa Remessa Conforme continuou.

Receita dos Correios com encomendas internacionais

Em milhares de reais

Fonte: Correios

Desempenho das despesas

Com relação às despesas, os gastos com salários — um dos maiores problemas enfrentados pelos Correios — teve uma pequena redução de R$ 20 milhões no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, dando fim a uma sequência de altas com esses gastos.

Ao todo, esse grupo de gastos atingiu R$ 5,2 bilhões nos seis primeiros meses do ano. Valor 15% menor do que a previsão feita para esses gastos.

Com a redução dos gastos com salários, os Correios ainda conseguiram economizar com despesas atreladas, como planos de saúde e previdência, que totalizaram R$ 260 milhões a menos do que o mesmo período do ano passado.

Já os grupos de despesas que justificaram o aumento dos gastos continuam sendo os mesmos do 1º trimestre, as financeiras e com provisões, em que se enquadram as possíveis perdas judiciais que, posteriormente, viram precatórios.

🔎Precatório é uma ordem de pagamento; quando a Justiça obriga o município, o estado ou a União – neste caso, uma empresa estatal – a pagar uma dívida que tem com uma pessoa física ou jurídica

As despesas financeiras tiveram um aumento de 161%, passando de R$ 673 milhões em 2025 para R$ 1,7 bilhão em 2026. Aumento de R$ 775 milhões apenas no segundo trimestre deste ano e uma redução de quase R$ 225 milhões em relação ao primeiro trimestre.

Nessa categoria estão incluídos gastos com juros e multas relacionados a boletos, contratos e empréstimos, como os R$ 12 bilhões contratados pela estatal no fim do ano passado. A operação tem previsão de gerar R$ 22,4 bilhões em despesas com juros ao longo de sua vigência.

Já as despesas com provisões e perdas também ficaram acima do previsto, mantendo o aumento provocado no primeiro trimestre, que sozinho foi responsável por R$ 1,1 bilhão. Até junho a conta totalizou R$ 1,3 bilhão.

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