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Pesquisas comprovam que os bebês podem reproduzir a língua das mães no choro para se comunicar; entenda

por Gilberto Cruz
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Pesquisas comprovam que os bebês podem reproduzir a língua das mães no choro pra se comunicar
Por muito tempo, a ideia predominante era a de que os bebês nasciam como uma “folha em branco”, prontos para começar a aprender apenas depois do parto. Mas pesquisas recentes vêm derrubando esse conceito e mostram que o aprendizado começa ainda no útero — e vai muito além do que se imaginava.
Estudos em neurociência e psicologia do desenvolvimento indicam que os bebês são capazes de reconhecer estímulos que receberam durante a gestação, como músicas, vozes e padrões sonoros. Em alguns casos, essas experiências deixam marcas tão profundas que podem ser percebidas logo nos primeiros dias de vida.
Uma mãe relata que tocava violoncelo diariamente durante a gravidez e percebia reações da filha ainda na barriga. Após o nascimento, a conexão com a música permaneceu. “Eu tinha a impressão, pelos movimentos dela, de que eu estava estimulando alguma coisa”, conta.
Segundo especialistas, essa percepção faz sentido. Pesquisadoras afirmam que os bebês conseguem reconhecer melodias que ouviram antes de nascer. A música, o afeto e os sons do ambiente não passam despercebidos pelo cérebro em formação.
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Reprodução/TV Globo
Choro com sotaque?
Uma das descobertas mais surpreendentes vem de um grupo de neurocientistas de uma universidade na Noruega. Eles conseguiram mostrar que recém-nascidos choram com padrões sonoros semelhantes à língua falada ao seu redor — o que levou a uma pergunta curiosa: seria possível um bebê chorar “em norueguês”?
A resposta dos pesquisadores foi positiva. Utilizando sistemas de inteligência artificial e analisando o choro de bebês, a equipe identificou semelhanças entre a entonação do choro e os ritmos da língua local. A pesquisadora responsável pelo estudo investiga o cérebro infantil há quase 30 anos e afirma que os resultados comprovam, cientificamente, a influência da língua ainda durante a gestação.
A descoberta surpreende até pais mais atentos. “Eu achei que aprender uma língua levasse mais tempo. Não imaginava que durante a gravidez eles já pudessem absorver isso”, relata a mãe da pequena Sophie, hoje com sete meses.
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Reprodução/TV Globo
Muito além do instinto
Esses estudos também ajudam a desconstruir a visão de que bebês são seres pouco ativos ou que agem apenas por reflexo. Especialistas defendem que, desde muito cedo, os movimentos e sons dos bebês são intencionais e voluntários.
“A linguagem não é feita apenas de palavras. Ela envolve ritmo, entonação, sotaque e interação”, explica uma professora de psicologia do desenvolvimento. Esses elementos já começam a se formar antes mesmo do nascimento.
Pesquisas realizadas em universidades da França mostram diferenças claras na comunicação entre bebês franceses e brasileiros — reflexo direto da cultura e da forma como os adultos interagem com eles.
No Brasil, por exemplo, interrupções durante a fala são mais comuns e socialmente aceitas. Já na França, há uma regra implícita de alternância: um fala, o outro escuta. As mães francesas, segundo as pesquisadoras, tendem a esperar o bebê concluir o som antes de responder.
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Um novo olhar sobre o desenvolvimento infantil
A compreensão de que o bebê já nasce com “rabiscos” nessa suposta folha em branco pode transformar a maneira como os pais se relacionam com os filhos. Reconhecer essas capacidades desde cedo pode favorecer significativamente o desenvolvimento infantil.
“Ele não vem vazio. Ele já vem com possibilidades”, destaca uma pesquisadora. Para ela, quando o adulto entende isso, cria um ambiente mais rico em estímulos afetivos, sonoros e comunicativos.
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