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No Rio, Zema minimiza fala de Eduardo Bolsonaro sobre rompimento com o Novo e reafirma críticas a Flávio

por Gilberto Cruz
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Romeu Zema (no centro da imagem) participa de encontro no Rio
Raoni Alves/g1
O pré-candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, minimizou nesta segunda-feira (15) a declaração de Eduardo Bolsonaro (PL), que defendeu um “rompimento geral” entre o PL e o Novo, e afirmou que os partidos seguem aliados em diferentes estados. Ao comentar novamente a relação do senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, Zema disse que não muda “nada” do que afirmou anteriormente.
“Não vou aplaudir quem caminhou com uma pessoa como ele”.
Durante encontro com empresários e investidores promovido pela Genial Investimentos, no Rio de Janeiro, Zema foi questionado sobre a reação de Eduardo Bolsonaro às críticas que fez a Flávio Bolsonaro por sua relação com Vorcaro. O deputado afirmou nas redes sociais que, “por ele”, haveria um “rompimento geral” entre o PL e o Novo.
‘Lamentável’, diz Zema sobre encontro de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
Zema tratou a manifestação como um comentário isolado e afirmou que as duas legendas continuam atuando juntas em diversos estados.
“É típico dele fazer esse tipo de comentário, então eu encarei com naturalidade. O Novo e o PL estão unidos, fizeram aliança nos três estados do Sul, em Goiás. (…) É um comentário dele.”
O pré-candidato também afirmou que, independentemente das disputas atuais, os partidos de direita estarão juntos em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“No Brasil, nós vamos ter uma eleição muito semelhante à que aconteceu no Chile alguns meses atrás. Nós teremos aqui alguns candidatos da direita que estarão unidos no segundo turno contra a esquerda. Isso é inegável. Ninguém da direita, num segundo turno, vai estar junto com o Lula, de forma alguma.”, comentou Zema.
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Ainda sobre Vorcaro, o ex-governador afirmou que nunca se reuniu com o banqueiro e voltou a chamá-lo de “banqueiro bandido”. Ele já tinha se manifestado sobre o encontro de Flávio com Vorcaro (veja o vídeo acima).
“Esse sujeito, esse banqueiro bandido, mora lá desde sempre. Adivinhem quantos encontros eu tive com ele, como governador de Minas? Nenhum. Adivinhem quantas audiências ele pediu? Nenhuma. Porque ele já sabia a postura do meu governo”, disse Zema nesta segunda.
O pré-candidato disse ainda que não irá rever sua posição sobre o episódio e que a disputa eleitoral definirá quem representará a direita no segundo turno.
“Então, o que eu falei está dito e bola para frente. Vamos ver quem vai chegar no segundo turno.”
Pré-candidato cita Temer como exemplo
Ao falar sobre um eventual governo, Zema afirmou que está disposto a tomar medidas impopulares, mesmo que isso inviabilize uma tentativa de reeleição. O pré-candidato citou o ex-presidente Michel Temer como exemplo e disse que sua missão seria colocar o país “no rumo certo”.
“Eu não me importo de ser presidente de um mandato de forma alguma, que fique aqui muito claro. Se eu tiver de ser um presidente impopular e fazer talvez igual Temer, nem disputar a reeleição, mas para tomar as medidas necessárias, eu tô com a minha missão concluída.”
Ex-presidente Michel Temer recebe Grande Colar do governador Romeu Zema
Reprodução/TV Globo
Na sequência, afirmou que adotou postura semelhante durante sua gestão em Minas Gerais ao rejeitar reajustes salariais acima da capacidade financeira do estado.
“Eu falei: ‘Eu não darei 30%, eu darei cinco. É o que o orçamento do Estado comporta. E eu darei cinco, se perder a eleição não tem problema. Pelo menos eu vou entregar para o meu sucessor um estado redondinho com tudo em dia’.”
Ao apresentar as linhas gerais de seu programa de governo, Zema afirmou que pretende implementar três “choques” simultaneamente no país.
Segundo ele, as prioridades serão um “choque moral e ético”, um “choque contra a gastança do Lula e do PT” e um “choque contra a criminalidade”.
“O Brasil precisa de um choque moral e ético. O Brasil precisa de um choque contra a gastança do Lula e do PT. E o Brasil precisa de um choque contra a criminalidade.”
Ele afirmou ainda que o equilíbrio das contas públicas permitiria ampliar investimentos em áreas como educação, infraestrutura e saúde.
Zema chama ministros do STF de “frutas podres”
Ao falar sobre a relação entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), Zema afirmou acreditar que a próxima legislatura terá uma composição mais à direita e disse esperar o impeachment de ministros da Corte.
“Nós vamos ter uma guinada à direita no Senado e na Câmara maior do que se prevê e vamos ter o impeachment dessas frutas podres lá.”
O pré-candidato afirmou que parlamentares sofrem pressão do eleitorado e disse que ouve cobranças para afastar ministros do STF.
“O que o público sempre tá falando é o seguinte: ‘Eu voto em você, mas é para você tirar esses bandidos do STF’.”
Privatizações
O pré-candidato voltou a defender uma agenda de privatizações e disse que não pretende preservar empresas estatais por razões políticas.
“Nós vamos levar adiante, privatizar, poupar, não roubar para prosperar. Não tem muito o que fugir aqui no Brasil. E não tem vaca sagrada para mim também.”
Exploração e extração de petróleo na P71 da Petrobras
Raoni Alves / g1 Rio
Segundo ele, os recursos obtidos com uma eventual venda deveriam ser utilizados para reduzir a dívida pública. Zema afirmou ainda que empresas estatais são utilizadas para interesses políticos e criticou a gestão dessas companhias.
“Hoje, estão todas aparelhadas, todas servindo a questões da politicagem, contratos duvidosos, cargos para quem não é competente (…) Eu quero um governo focado naquilo que tem impacto para as pessoas, e estatal é boa só para os políticos.”
Como exemplo de seu modelo de gestão, Zema afirmou que seu governo vendeu 117 empresas em Minas Gerais e citou o avanço do processo de privatização da Copasa.
Ao defender um ajuste fiscal, o pré-candidato afirmou que um governo com credibilidade poderia reduzir rapidamente o custo da dívida pública.
Segundo ele, a combinação de uma reforma administrativa, uma reforma previdenciária e uma revisão dos programas sociais faria a taxa de juros cair “pela metade” em menos de um ano.
“Na hora que nós tivermos um governo com credibilidade, que enviou projetos, que aprovou alguma coisa como uma reforma administrativa, uma reforma previdenciária, revisão dos programas sociais, essa taxa de juros cai, como caiu com o teto de gastos, pela metade em menos de um ano.”
Questionado sobre o cenário eleitoral, o pré-candidato afirmou que o brasileiro ainda não está atento à disputa presidencial e que as pesquisas deste momento devem ser interpretadas com cautela.
Ele disse ainda que muitos entrevistados respondem automaticamente com os nomes mais conhecidos da política nacional e que o eleitor só deverá se informar mais perto da votação.
“Ele vai se inteirar lá na frente. Então, para mim, esse tipo de trajetória (nas pesquisas), eu encaro com muita, muita naturalidade.”
Zema diz que Bolsa Família formou “geração de imprestáveis”
Ao defender mudanças no Bolsa Família, Romeu Zema afirmou que a revisão do programa deve reduzir despesas e disse que há “milhões de homens” que recebem o benefício sem buscar qualificação ou emprego. Segundo ele, o país estaria formando uma “geração de imprestáveis”.
“Eu não sei bem qual vai ser o resultado, provavelmente vai ter uma redução de despesa, sim. Nós temos alguns milhões de homens que se enquadram nessa categoria que eu chamo de ‘marmanjões’, porque é o nome mais adequado. E o Brasil está formando, há 10 a 20 anos, uma geração de imprestáveis.”
Na sequência, o pré-candidato afirmou que essas pessoas “ficam lá em casa, jogando videogame, assistindo série” e fazem apenas trabalhos esporádicos, enquanto têm o benefício garantido.
“Ficam lá em casa, jogando videogame, assistindo série… quando precisa de um dinheiro, arruma um bico ali. Eles já têm o Bolsa Família garantido. Nunca se qualificam, não estudam.”
Zema disse que pretende condicionar o recebimento do benefício à frequência em cursos de ensino médio ou de qualificação profissional, quando houver oferta, e também defendeu maior fiscalização da frequência escolar de crianças beneficiárias.
Apesar de afirmar que não pretende extinguir o programa, disse que seu objetivo é criar uma “porta de saída” e utilizar melhor os recursos públicos.
“Não quero cortar de forma alguma, mas quero que o filho pequeno (…) passe a ter um acompanhamento melhor.”

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