
Esquema vacinal contra a pólio passará a ter três doses da vacina inativada poliomielite (VIP).
Claudio Vieira/PMSJC
O Ministério da Saúde vai voltar a oferecer uma dose de reforço contra a poliomielite para crianças de 4 anos a partir de 3 de agosto. A medida retoma uma etapa do esquema vacinal que existia até 2024, quando as crianças recebiam dois reforços contra a doença, e passa a integrar novamente o Calendário Nacional de Vacinação.
A mudança foi oficializada em nota técnica do Programa Nacional de Imunizações (PNI) publicada na última semana.
Segundo o documento, o esquema vacinal contra a pólio passará a ter três doses da vacina inativada poliomielite (VIP), aplicadas aos 2, 4 e 6 meses de idade, além de dois reforços: um aos 15 meses e outro aos 4 anos.
Até 2024, o calendário brasileiro previa três doses da VIP e dois reforços com a vacina oral poliomielite (VOP), conhecida como “gotinha”. No ano passado, o país adotou um esquema exclusivamente com a VIP e reduziu o calendário para três doses iniciais e apenas um reforço, aos 15 meses. Agora, o segundo reforço volta a ser recomendado, também com a vacina injetável.
Segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a substituição da vacina oral representa um avanço do Programa Nacional de Imunizações. Isso porque a VOP utiliza vírus vivos enfraquecidos que, em situações extremamente raras, podem sofrer mutações e voltar a causar paralisia.
“A Organização Mundial da Saúde passou a recomendar que os países deixassem de usar a vacina oral porque já havia mais casos de paralisia associados à vacina do que provocados pelo poliovírus selvagem”, afirma.
Kfouri explica que a VIP também produz uma resposta imunológica mais robusta. Quando a gotinha foi retirada do calendário, o Ministério da Saúde optou por manter um esquema de quatro doses — aos 2, 4 e 6 meses e um reforço aos 15 meses. No entanto, especialistas da Câmara Técnica Assessora em Imunizações recomendaram a retomada do reforço aos 4 anos.
De acordo com ele, a dose adicional ajuda a prolongar a proteção das crianças, especialmente em um cenário em que as coberturas vacinais ainda estão abaixo da meta de 95%.
“A recomendação era que, assim que houvesse disponibilidade de doses, o esquema voltasse a ter cinco aplicações: três doses no primeiro ano de vida, um reforço aos 15 meses e outro aos 4 anos. Esse é o esquema considerado ideal neste momento”, diz.
Segundo o Ministério da Saúde, a decisão foi discutida com especialistas da Câmara Técnica Assessora em Imunizações (CTAI), além de representantes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
A pasta afirma que a ampliação busca fortalecer a proteção da população infantil e manter o país livre da circulação do poliovírus.
O último caso de poliomielite registrado no Brasil ocorreu em 1989. Em 1994, o país recebeu a certificação de área livre da circulação do poliovírus selvagem, juntamente com os demais países das Américas. Desde então, a vacinação é considerada a principal estratégia para evitar a reintrodução da doença.
Como ficará o calendário
A partir de agosto, o esquema vacinal contra a poliomielite será o seguinte:
2 meses: 1ª dose da VIP;
4 meses: 2ª dose da VIP;
6 meses: 3ª dose da VIP;
15 meses: 1º reforço;
4 anos: 2º reforço.
O ministério orienta que crianças que perderam alguma das doses recomendadas devem atualizar a vacinação até os 4 anos, 11 meses e 29 dias de idade.
O que acontece com quem já foi vacinado
A nota técnica prevê orientações específicas para crianças com esquemas vacinais incompletos. Quem já recebeu as três doses iniciais e o primeiro reforço deverá receber a nova dose aos 4 anos, respeitando o intervalo mínimo de seis meses entre as aplicações.
Já as crianças que completaram o esquema com dois reforços anteriores serão consideradas adequadamente vacinadas e não precisarão receber doses adicionais.
A expectativa do Ministério da Saúde é que a medida contribua para ampliar a cobertura vacinal e reduzir o risco de reintrodução da poliomielite, doença que pode provocar paralisia permanente e, em casos graves, levar à morte.
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