“Agradeci a autorização concedida ao Brasil para uso do excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China”, disse Lula, em uma publicação no X.
Procurada, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) avaliou como positiva qualquer iniciativa que possa ampliar o acesso da carne bovina brasileira ao mercado chinês.
A entidade afirmou, porém, que um eventual aproveitamento do excedente da cota uruguaia teria efeito limitado em 2026, devido ao tempo necessário para negociação, embarque e trânsito da mercadoria até a China.
Para 2027, segundo a associação, a medida pode representar uma alternativa importante diante da cota brasileira de 1,128 milhão de toneladas e do risco de esgotamento já nos primeiros meses do ano, caso seja mantido o ritmo atual de vendas.
A ABIEC também disse defender maior previsibilidade e mecanismos que permitam distribuir os embarques ao longo do ano, de forma a preservar o fluxo comercial com a China, principal destino da carne bovina brasileira.
O Brasil consumiu rapidamente a cota de carne bovina destinada à China. O limite de 1,106 milhão de toneladas para 2026 foi atingido em menos de sete meses, segundo informações do setor.
Com o esgotamento da cota, o volume excedente passou a ficar sujeito a uma sobretaxa de 55%, além da tarifa de importação de 12%. Em agosto, as exportações brasileiras de carne bovina recuaram 27,1% em volume na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados do MDIC.
Cotas de exportação de carne bovina para a China — Foto: g1
Entenda como funcionam as cotas de carne da China
➡️ O Brasil recebeu a maior cota entre os países exportadores, de cerca de 1,1 milhão de toneladas em 2026. Para o que ultrapassar esse limite, a China aplica uma tarifa adicional de 55%, além da tarifa de importação de 12%.
A cota brasileira aumenta gradualmente nos anos seguintes: 1,106 milhão de toneladas em 2026, 1,128 milhão em 2027 e 1,151 milhão em 2028.
Por isso, uma eventual transferência de parte da cota de outro país para o Brasil é relevante para os exportadores brasileiros: ela aumenta o volume que pode ser vendido à China sem a sobretaxa.
O acordo mencionado por Lula envolve justamente a possibilidade de o Brasil utilizar parte da cota que originalmente caberia ao Uruguai.