Jornal de Minas
04/11/2026

Janaína Barbosa sofreu choque anafilático: entenda a reação alérgica extrema que pode ser provocada por um remédio

por Redação
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Janaína Barbosa
Reprodução
Coceira, manchas vermelhas e inchaço estão entre as manifestações alérgicas a um remédio. Em parte dos casos, porém, a resposta do organismo foge do controle em poucos minutos, derruba a pressão e compromete a respiração.
Foi esse quadro, o choque anafilático, que causou a morte da ex-apresentadora Janaína Barbosa, de 48 anos, em São Paulo, depois da troca de um medicamento.
Defesa do organismo fora de controle
O corpo guarda, na pele, nas vias respiratórias e em outros tecidos, células de defesa que funcionam como alarmes. Quando uma delas reconhece uma substância como ameaça, mesmo que seja inofensiva para a maioria das pessoas, o alarme dispara e a célula esvazia de uma vez tudo o que carrega por dentro, entre elas, a histamina, composto que desencadeia a inflamação.
Na anafilaxia, o alarme toca em vários lugares ao mesmo tempo, e a histamina age por onde passa. Na pele, provoca inchaço e placas vermelhas que coçam. Nos pulmões, aperta os brônquios, os canais por onde o ar circula, e estimula a produção de muco, o que causa tosse e dificulta a respiração.
Nos vasos sanguíneos, o efeito é o mais perigoso: eles se dilatam e ficam mais permeáveis, deixando o líquido escapar do sangue para os tecidos. Com menos volume dentro dos vasos, a pressão arterial despenca, e o coração acelera para tentar manter o sangue chegando aos órgãos.
Anafilaxia é o nome do conjunto da reação e vale tanto para episódios leves quanto para os graves. Quando a queda de pressão evolui para o colapso da circulação, fala-se em choque anafilático.
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Sintomas em vários órgãos ao mesmo tempo
A pele é atingida em mais de nove a cada dez casos, com vermelhidão, coceira, urticária e inchaços, mas o quadro não se limita a ela. Podem surgir falta de ar, sensação de garganta fechando, vômitos, dor abdominal, tontura e desmaio.
Os sintomas começam em segundos, minutos ou até horas depois do contato com o agente causador, e há casos sem manchas na pele, o que atrasa o reconhecimento.
A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que dois ou mais sintomas desse tipo logo após a exposição a uma substância suspeita já justificam diagnóstico e tratamento imediatos.
Remédios entre os principais gatilhos
Alimentos, picadas de insetos, látex e medicamentos formam o grupo de causas mais frequentes. Em crianças, predominam os alimentos; entre adultos, revisões científicas apontam os remédios como a principal origem, sobretudo anti-inflamatórios e antibióticos.
Em um estudo com casos do país apresentado pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia à Câmara dos Deputados, os medicamentos responderam por 25,3% das ocorrências: 10,8% por anti-inflamatórios e 4,4% por antibióticos.
O caminho até a crise varia. Em parte das reações, o sistema imunológico já foi sensibilizado pelo remédio e dispara a resposta alérgica clássica. Em outras, a própria substância aciona os mastócitos diretamente, sem depender de alergia prévia. Exercício físico, álcool, estresse e o uso de outros medicamentos podem facilitar ou intensificar a reação.
Adrenalina é a conduta de primeira escolha
O medicamento que reverte o quadro é a adrenalina injetada no músculo, de preferência na face lateral da coxa, assim que a anafilaxia é reconhecida. A Organização Mundial de Alergia mantém essa recomendação em suas diretrizes e lembra que o uso ainda fica aquém do ideal.
Anti-histamínicos e corticoides servem de complemento e não substituem a adrenalina. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, casos fatais podem estar associados justamente à falta da aplicação.
Enquanto isso, é preciso acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu (192), ou levar a pessoa ao pronto atendimento mais próximo. No hospital, o tratamento inclui oxigênio, soro na veia e monitoramento contínuo.
Mesmo depois da melhora, o paciente fica em observação, porque os sintomas podem voltar horas depois. As chamadas reações bifásicas ocorrem em cerca de 10% dos casos, entre 8 e 12 horas após o início do episódio.
Investigação depois da crise
Quem sobrevive a uma anafilaxia deve ser encaminhado a um alergista. O especialista investiga a substância responsável, avalia o risco de novos episódios e orienta como evitá-los e como agir caso aconteçam.
Quando o gatilho é um remédio, a investigação também busca definir quais outros podem provocar a mesma reação, já que ela pode se estender a medicamentos parecidos, como ocorre com os anti-inflamatórios.
A dimensão do problema no Brasil ainda é pouco conhecida. A Sociedade Brasileira de Pediatria afirma que a incidência real é desconhecida e que a falta de critérios diagnósticos mais abrangentes contribui para a subnotificação e para atrasos no tratamento.
A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia propõe a notificação obrigatória dos casos e um registro nacional, e sustenta que aplicar a adrenalina sem demora é o que mais pesa na sobrevivência.

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