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Indústria da defesa: Ministério alerta contra retaliação aos EUA | G1

por Gilberto Cruz
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Entre as consequências previstas, estão a perda de contratos, encarecimento de projetos, perda de competitividade no mercado internacional, retração de investimentos americano e o risco para o acesso a tecnologias.

“É possível inferir que a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica trará impactos negativos para a Base Industrial de Defesa e Segurança. O setor poderá sofrer a perda de contratos com empresas norte-americanas e perda na competitividade internacional, pelo fato de ter em seu processo de produção insumos norte-americanos relevantes”, diz trecho do documento.

“A retração de investimentos oriundos dos Estados Unidos também poderá ocorrer, o que demandará reconfiguração de cadeias de suprimento”, completa a nota técnica.

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O parecer foi produzido após solicitação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, à Câmara de Comércio Exterior (Camex) para avaliar o enquadramento de medidas de retaliação às recentes sobretaxas impostas por Washington a produtos brasileiros.

O governo brasileiro chegou a apresentar documentos ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), mas as alegações não surtiram efeito prático.

Apesar de o setor de defesa também já estar sofrendo com as sobretaxas americanas, a Defesa avalia que responder com tarifas retaliatórias não beneficiará o setor nacional.

Entre as principais exportadoras nacionais listadas estão empresas como CBC, Taurus, Nitroquímica, Embraer, CSD e RJC, que enviam aos EUA itens como peças de aeronaves, munições, compostos químicos e detonadores.

Nesta segunda-feira, integrantes do governo Lula e representantes do USTR vão se reunir por videoconferência para tratar das tarifas de Trump.

Dependência de insumos

Outra preocupação do Ministério da Defesa é a alta dependência de componentes e insumos americanos na linha de montagem da indústria brasileira.

A aplicação de tarifas pelo Brasil encareceria esses insumos, inviabilizando custos de produção e afetando grandes programas das Forças Armadas:

  • a fabricação de aeronaves KC-390, por exemplo, utiliza peças e subsistemas de fornecedores dos EUA
  • embarcações desenvolvidas pela Marinha também contam com peças e componentes norte-americanos

Via diplomática

Diante do cenário, a equipe técnica do Ministério da Defesa recomenda cautela e prioridade ao diálogo diplomático e empresarial.

O Ministério da Defesa conclui que a retaliação tarifária forçaria uma “reconfiguração intempestiva” das cadeias globais de suprimento brasileiras, comprometendo a inserção internacional do país.

KC-390 Millennium da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer

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