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Incêndios no Canadá desencadeiam nova ameaça tarifária de Trump e colocam final da Copa em alerta | G1

por Gilberto Cruz
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Uma das regiões mais afetadas pelos incêndios no Canadá gerou uma enorme nuvem de fumaça que escureceu o céu de áreas vizinhas dos estados de Nova York e Nova Jersey. Este último sediará a partida entre Espanha e Argentina, no MetLife Stadium, em East Rutherford.

Os organizadores do Mundial “acompanham de perto a situação”, afirmou o diretor-executivo do grupo de trabalho da Casa Branca para a Copa do Mundo, Andrew Giuliani, durante uma coletiva de imprensa.

Densas colunas de fumaça vindas do Canadá e do norte de Minnesota levaram à emissão de alertas de má qualidade do ar em várias regiões dos Estados Unidos. Até o momento, não há registro de vítimas.

Um total de 937 incêndios permanecia ativo neste sábado no Canadá, a maioria fora de controle, segundo o Sistema Canadense de Informações sobre Incêndios Florestais.

“Isto é ‘Negligência Deliberada’ e está se tornando um problema recorrente, custando bilhões de dólares aos Estados Unidos”, escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social.

O presidente americano acusou o Canadá de “não cuidar adequadamente” de suas florestas e de não realizar “tarefas básicas de manejo florestal e remoção de resíduos”.

“O custo dessa poluição precisa ser incluído nas TARIFAS que o Canadá já paga atualmente”, acrescentou.

O republicano também afirmou que pretendia ligar para o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, “para descobrir o que eles vão fazer” em relação à fumaça.

A ministra canadense da Gestão de Emergências, Eleanor Olszewski, afirmou que seu país mantém “contato constante” com os Estados Unidos e destacou a “longa trajetória de cooperação no combate aos incêndios florestais”.

Ela também ressaltou que o Canadá investiu US$ 12 bilhões (cerca de R$ 61,4 bilhões) em sustentabilidade florestal e prevenção de incêndios desde 2020.

A Estátua da Liberdade no porto de Nova York é vista através de uma camada de fumaça de incêndio florestal em Jersey City, Nova Jersey, EUA, em 16 de julho de 2026. — Foto: REUTERS/Mike Segar

Um país sufocado

Detroit, no Meio-Oeste dos Estados Unidos, continuava sendo a cidade com o ar mais poluído do mundo, segundo o monitor IQAir.

Washington e Chicago apareciam logo atrás no ranking, e as autoridades recomendaram que a população evitasse atividades ao ar livre, exceto quando estritamente necessário.

Em Nova Jersey e no estado vizinho de Nova York, a região metropolitana registrava níveis de qualidade do ar considerados potencialmente prejudiciais para grupos mais sensíveis, embora a situação tenha melhorado após a névoa intensa que, na quinta-feira, quase tornou invisível o horizonte de Manhattan.

Peter Mullinax, meteorologista do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (NWS), afirmou à AFP que os ventos sobre a região dos Grandes Lagos poderiam empurrar mais fumaça para o Nordeste, mantendo o céu encoberto.

Segundo Joel Dreessen, meteorologista em Maryland, a principal preocupação para a partida de domingo é que “alguns modelos já começam a indicar que parte dessa fumaça poderá ser deslocada para o sul”, disse à AFP.

Estádio de Nova York/Nova Jersey, em East Rutherford, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (17), dois dias antes da final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina. — Foto: Paul Ellis/AFP

Toxicidade itinerante

Em cidades de todo o Meio-Oeste e Nordeste dos Estados Unidos, muitas pessoas passaram a usar máscaras ao ar livre para se proteger da poluição. Em Nova York, bibliotecas e estações ferroviárias distribuíam máscaras gratuitamente.

Chris Carlsten, pesquisador da Universidade da Colúmbia Britânica que estuda os efeitos da fumaça dos incêndios sobre a saúde, afirmou à AFP que as partículas finas presentes na fumaça afetam principalmente os pulmões, enquanto a poluição associada ao tráfego de veículos tende a provocar mais problemas cardiovasculares.

Ele explicou ainda que as nuvens de fumaça podem conter resíduos de tinta, plástico e metal, além de partículas provenientes da queima de madeira e vegetação.

A região formada pelos estados de Michigan, Minnesota e Wisconsin, conhecida como Alto Meio-Oeste e mais próxima dos focos de incêndio, enfrenta condições especialmente severas, com índices de qualidade do ar classificados como “perigosos”.

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