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Dólar abre em alta, após decisões de juros e acordo entre EUA e Irã | G1

por Gilberto Cruz
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▶️ O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual (p.p.), em linha com o esperado pelo mercado. Já o Federal Reserve (Fed, o BC americano) decidiu manter as taxas inalteradas, em meio aos sinais de preços ainda elevados no país.

  • 🔎 A política de juros nos EUA também tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio e no nível de investimento estrangeiro no país (entenda mais abaixo).

▶️ O novo acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã também fica no radar. O tratado, assinado na quarta-feira (17) pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian, já está em vigor. O texto inclui garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, a suspensão de sanções norte-americanas contra o Irã e uma compensação financeira ao governo iraniano, entre outros pontos.

  • Em meio à expectativa de normalização no mercado de petróleo com a reabertura do Estreito de Ormuz, a commodity operava em queda. Perto das 9h, o barril do Brent caía 1,51%, a US$ 78,35 o barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, recuava 2,14%, a US$ 75,15.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: +0,90%;
  • Acumulado do mês: +1,29%;
  • Acumulado do ano: -6,94%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: -1,73%;
  • Acumulado do mês: -3,23%;
  • Acumulado do ano: +4,38%.

Juros na mira

Na decisão, o colegiado afirmou que o “ambiente externo permanece incerto”, em meio às incertezas que ainda circundam o acordo de paz no Oriente Médio e aos efeitos do conflito.

“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, diz a nota do BC.

Já em relação ao cenário econômico brasileiro, o BC afirmou que os indicadores apontam para uma aceleração da atividade econômica e um mercado de trabalho ainda aquecido, o que já começa a se refletir nos preços.

“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura”, afirmou o Copom.

Segundo analistas da XP Investimentos, a decisão do BC indicou que pode não haver mais espaço para cortes de juros neste ano.

“Ainda assim, o Copom manteve aberta a possibilidade de novos ajustes. Nosso cenário-base antecipa um ajuste final em agosto de 0,25 p.p., o que deixaria a taxa Selic em 14,00% até (pelo menos) o 1º trimestre de 2027. Mas, considerando a deterioração recente do cenário de inflação, uma pausa nos atuais 14,25% também parece bastante provável”, afirmaram em relatório.

  • ➡️ O cenário de juros altos nos EUA tem diferentes reflexos no mundo — inclusive no Brasil. Isso porque, com juros mais altos, investidores estrangeiros tendem a realocar recursos para a maior economia do mundo, em busca de rendimentos maiores e maior segurança.
  • ➡️ Com isso, o dólar tende a se valorizar em relação às moedas de outras economias do mundo — incluindo o real — e a bolsa de valores brasileira tende a cair.
  • ➡️ Quando o dólar está mais alto, produtos importados ficam mais caros no Brasil, o que pode pressionar a inflação doméstica, especialmente em itens como combustíveis e eletrônicos. Com preços mais altos por aqui, a tendência é que esse cenário também resulte em juros mais elevados no Brasil, encarecendo o crédito e limitando o crescimento da economia.

Na avaliação de Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da gestora americana Stratton Capital, aponta que um dos pontos mais relevantes foi a decisão de Warsh em não divulgar sua estimativa para os juros no chamado “gráfico de pontos” (“dot plot”) — movimento que considera coerente com as críticas que o dirigente já havia feito a esse mecanismo.

“O gesto reforça que estamos diante de um Fed em transformação, com potenciais mudanças estruturais à frente. O comunicado deixou claro o foco do comitê em entregar estabilidade de preços, e isso deve pautar as próximas decisões”, afirma Flores.

Segundo ele, o texto divulgado pelo banco central americano foi mais inclinado a uma postura de cautela com a inflação do que a uma eventual flexibilização, o que mantém aberta a possibilidade de novas altas de juros nas próximas reuniões.

Na visão do especialista, essa leitura ajuda a explicar a reação dos mercados, com fortalecimento do dólar, pressão sobre os títulos públicos americanos e queda das bolsas. “A economia dos Estados Unidos continua sólida e em expansão, o que reforça uma visão mais favorável a juros mais altos do que à manutenção ou queda das taxas”, diz.

Acordo de paz entre EUA e Irã

O texto tem 14 pontos e inclui garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, a suspensão de sanções norte-americanas contra o Irã e uma compensação financeira ao governo iraniano. Além disso, abre um período de 60 dias para que os dois países negociem a questão nuclear.

Com a assinatura do memorando, Estados Unidos e Irã se comprometem a conduzir negociações para alcançar um acordo definitivo em até 60 dias, com prazo prorrogável mediante consentimento mútuo.

O governo suíço anunciou nesta quinta-feira (18) que EUA, Irã, Paquistão e Catar se reunirão na sexta (19) em Bürgenstock, na Suíça, para iniciar as negociações sobre a implementação do acordo de paz. O encontro, que antes serviria para assinar o memorando, chegou a ficar incerto após a assinatura ter sido antecipada.

Esse, no entanto, ainda não é o acordo final, que só será alcançado após novas negociações entre EUA e Irã para tratar da questão nuclear. Ele deverá ser ratificado por meio de uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU.

Enquanto se aguarda o acordo definitivo, EUA e Irã concordam em manter o status quo: o Irã manterá seu programa nuclear, e os EUA não vão impor novas sanções e nem mobilizarão forças militares adicionais no Oriente Médio.

Mercados globais

Nos EUA, os principais índices futuros de Wall Street operavam em alta, conforme investidores avaliavam a decisão de juros do Fed e o acordo para o fim do conflito no Oriente Médio.

Na Europa, a maioria dos mercados acionários tinha queda. Entre os principais índices, o alemão DAX subia 0,02% perto das 9h20, enquanto o francês CAC 40 tinha queda de 0,11% e o britânico FTSE 100 caía 1%.

Já na Ásia, os índices fecharam mistos nesta quinta-feira, após a agência reguladora do mercado de valores da China indicar que apoia a inovação. O CSI300, que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen, avançou 0,21%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, perdeu 0,43%. Já o Hang Seng teve queda de 1,59%.

No Japão, o Nikkei subiu 1,65%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, teve valorização de 2,25%.

*Com informações da agência de notícias Reuters.

Dólar atinge a segunda maior cotação da história: R$ 5,86 — Foto: Reprodução/TV Globo

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