Ao todo, o Brasil importou 344,1 mil autoveículos até julho, volume 25,7% superior ao registrado nos primeiros sete meses de 2025, segundo Anfavea.
Desse volume total de veículos importados, mais de 180 mil vieram da China. O que corresponde a 52,4 % das importações do período.
O avanço das importações acontece em sentido contrário ao desempenho das exportações brasileiras. De janeiro a julho, o país embarcou 255,9 mil autoveículos para outros mercados, contra 323 mil no mesmo período de 2025.
A queda nas exportações foi de 20,8%. Em julho, porém, as exportações somaram 39,3 mil unidades, alta de 6,8% em relação a junho.
Para a Anfavea, o volume de importações já representa uma parcela relevante em relação à produção das fábricas instaladas no país.
“Esse volume de quase 350 mil é maior do que a produção no período da maioria das fábricas das nossas associadas, o que indica que poderíamos estar gerando mais demanda para nossas fábricas e fornecedores e, por tabela, mais empregos”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea.

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A Argentina teve papel importante na retração das vendas externas. Os embarques brasileiros para o país, que é o principal parceiro comercial do Brasil no setor automotivo, caíram 35,4% no acumulado do ano.
Segundo a Anfavea, com exceção da Colômbia, houve redução dos embarques brasileiros para todos os países da América Latina.
Apesar da maior entrada de veículos importados e da queda nas exportações, a produção brasileira cresceu.
As fábricas instaladas no país produziram mais de 1,6 milhão de veículos nos primeiros sete meses de 2026, alta de 8,3% sobre as 1,5 milhão de unidades fabricadas no mesmo período de 2025.
Em julho, foram produzidas 253,9 mil unidades, crescimento de 3,1% sobre junho e de 5,9% na comparação com julho do ano passado.
O desempenho colocou o Brasil entre os países produtores de veículos com maior crescimento no período.
No acumulado até julho, a produção brasileira avançou 8,8%, atrás apenas da Índia, que registrou alta de 14,5%. No mesmo levantamento, o Japão teve crescimento de 2,9%, enquanto Estados Unidos e China apresentaram quedas de 11,7% e 4%, respectivamente.
“É um resultado expressivo da nossa indústria, apesar das dificuldades nas exportações e da entrada de importados bem acima da média dos anos anteriores”, afirmou Calvet.
Produção de veículos na fábrica da Stellantis em Goiana (PE) — Foto: Divulgação/Stellantis
Mês recorde de vendas
As vendas de veículos novos tiveram em julho o melhor resultado do ano. Foram emplacados 279,5 mil autoveículos no mês, alta de 2,6% em relação a junho e de 14,9% na comparação com julho de 2025. O resultado ocorreu mesmo durante o período de férias escolares.
No acumulado de janeiro a julho, os emplacamentos passaram de 1,7 milhão de unidades. O volume representa crescimento de 17,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
A média diária de vendas, porém, apresentou uma pequena queda. Julho teve 23 dias úteis, contra 21 em junho. Com isso, foram vendidos, em média, 12,2 mil veículos por dia, o menor ritmo dos últimos quatro meses.
Mesmo com a redução na média diária, o ritmo de julho ficou acima do registrado no mesmo mês de 2025. Naquele período, foram 10,6 mil unidades vendidas por dia. O resultado mantém a projeção revisada pela Anfavea, de crescimento de 12,1% nas vendas ao longo de 2026.
Os veículos eletrificados também tiveram destaque no mês. Elétricos e híbridos responderam por 23,5% de todos os emplacamentos realizados no país em julho, a maior participação registrada até então e acima da previsão.
A participação dos eletrificados avançou de forma significativa em um ano.
Em julho de 2025, os modelos elétricos e híbridos, somados, representavam menos de 11% das vendas. No acumulado de 2026, o crescimento dos emplacamentos desses veículos chega a 120,8%.
Entre os eletrificados, os carros totalmente elétricos registraram em julho o maior volume da série histórica. Foram 25,8 mil unidades emplacadas no mês.
O resultado de julho combina, portanto, o maior volume mensal de vendas de veículos no ano com uma participação recorde dos eletrificados.
No acumulado até julho, o mercado registra crescimento de 17,9% nos emplacamentos, enquanto os eletrificados avançam 120,8%.
Ofensiva chinesa
O movimento inclui quatro marcas ligadas à Chery International, além da Dongfeng, que adotará a sigla DFM no Brasil, e da IM, divisão de luxo da MG. A estratégia ocorre em um mercado que já registra forte presença de fabricantes chineses.
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A Chery International confirmou a chegada da iCAUR ao Brasil e anunciou também os planos para Lepas, Luxeed e Freelander. Segundo o cronograma da empresa, que já opera Omoda e Jaecoo no país, iCAUR e Lepas começarão a ser vendidas em 2027.
Hu Peng, CEO da Chery International para o Brasil, apresenta a iCAUR — Foto: Divulgação / iCAUR
No ano seguinte, será a vez de Luxeed e Freelander, que atuarão sob a bandeira Exeed. Para 2026, o grupo planeja ter mais de 150 lojas e vender mais de 10 mil carros por mês. Até 2031, a meta é superar 1 mil lojas e 500 mil veículos vendidos no ano.
Além das marcas da Chery, a Dongfeng confirmou sua chegada ao mercado brasileiro e adotará a sigla DFM.
Segundo Felipe Amaral de Souza, chefe de vendas e expansão de rede, os veículos serão apresentados oficialmente ao público nas próximas semanas.
A DFM já tem 57 lojas aprovadas e 31 grupos concessionários e pretende estar presente em 21 estados e no Distrito Federal.
A IM, divisão de luxo da MG, também deve chegar ao Brasil. A matéria explica que, embora a MG tenha origem britânica, a marca foi adquirida pela chinesa SAIC e atualmente não tem ligação com os modelos que fizeram dela um ícone da indústria automotiva britânica nas décadas passadas.
A expansão das marcas chinesas amplia a disputa no mercado brasileiro e coloca novas empresas para concorrer com fabricantes tradicionais.
O preço médio sugerido pelas montadoras subiu nominalmente 1,4%, para R$ 166,9 mil, enquanto a inflação oficial acumulada no período foi de 3,18%.
Segundo analistas, a expansão das montadoras chinesas foi o principal fator por trás da queda dos preços, ao aumentar a competição e forçar fabricantes tradicionais a reduzir suas margens.
Apesar da maior oferta e da pressão sobre os preços, o carro zero quilômetro continua distante do bolso de grande parte dos brasileiros. Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que renda estagnada e juros elevados do crédito veicular dificultam a compra.
