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Governo diz que vai conversar com a China para mitigar efeitos da taxação da carne | G1

por Redação
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Em nota, o governo afirmou que acompanha o tema “com atenção” e que tem atuado de forma coordenada com o setor privado. Segundo o comunicado, o Brasil seguirá tratando do assunto com o governo chinês tanto no plano bilateral quanto no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

De acordo com o governo, a medida chinesa terá duração prevista de três anos e estabelece uma cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. As exportações que ultrapassarem esse volume estarão sujeitas a uma sobretaxa de 55%.

“As medidas de salvaguarda são instrumentos de defesa comercial previstos nos acordos da OMC e aplicados às importações de todas as origens”, diz a nota. Segundo o governo brasileiro, o objetivo é reduzir o impacto da decisão e defender os interesses de trabalhadores e produtores do setor.

A China iniciou em 2024 uma investigação sobre os impactos do aumento das importações de carne bovina. Segundo o Ministério do Comércio chinês, o crescimento das compras externas teria prejudicado a indústria local.

A China é o maior importador e o segundo maior consumidor de carne bovina do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Nos últimos meses, Pequim intensificou o apoio político ao setor pecuário doméstico, em meio a um cenário de escassez global de carne bovina, que tem pressionado os preços internacionais.

Decisão da China

A China anunciou nesta quarta-feira a criação de cotas anuais para a importação de carne bovina, com o objetivo de proteger produtores locais. Além da limitação de volume, haverá cobrança de uma taxa de 12% sobre as importações dentro da cota e de uma sobretaxa de 55% sobre o que exceder o limite, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

As medidas entram em vigor em 1º de janeiro de 2026 e terão validade de três anos. Para 2026, a cota global de importação definida pela China é de 2,7 milhões de toneladas, com aumento gradual nos anos seguintes.

Na divisão por países, o Brasil terá a maior cota no próximo ano, com 1,1 milhão de toneladas. O volume é inferior ao exportado pelo país para a China em 2025: até novembro, foram 1,52 milhão de toneladas.

Impacto para o Brasil

A China respondeu por cerca de metade das exportações brasileiras de carne bovina em 2025. Até novembro, o país asiático foi destino de 48% do volume exportado e respondeu por 49,9% do faturamento do setor, o equivalente a US$ 8,08 bilhões, segundo dados da Abiec.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que, de forma geral, a decisão chinesa “não é algo tão preocupante”, porque o Brasil exporta um volume próximo ao da cota definida e tem buscado abrir novos mercados. Entre as expectativas, está a ampliação das vendas ao Japão a partir de 2026.

Ainda assim, o ministro disse que o governo pretende negociar com a China, incluindo a possibilidade de transferência de cotas não utilizadas por outros países.

Entidades do setor avaliam que as medidas exigirão ajustes ao longo de toda a cadeia produtiva. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) estima que a decisão pode resultar em perda de até US$ 3 bilhões em receita para o Brasil em 2026.

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