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Fratura de Koné assustou o estádio, mas jogador saiu sorrindo; veja explicações e entenda a gravidade do trauma

por Gilberto Cruz
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Madibo, do Catar, comete falta em Ismael Kone, do Canadá, antes de ser expulso
REUTERS/Albert Gea
A fratura na perna sofrida pelo jogador canadense Ismaël Koné na partida contra o Catar, nesta quinta-feira (18), assustou tanto o público quanto quem estava em campo. Apesar da gravidade da lesão, o atleta deixou o gramado sorrindo e acenando, reação que chamou a atenção de torcedores e especialistas. Em coletiva à imprensa, o técnico do Canadá, Jesse Marsch, revelou que foi possível ouvir o osso se partir durante o lance.
Koné, de 24 anos, foi retirado de maca no BC Place depois que o adversário Assim Madibo o pegou por trás, no fim do jogo. O jogador foi levado ao hospital para se preparar para uma cirurgia, enquanto o Canadá venceu o Catar por 6 a 0.
Mas como um atleta consegue deixar o campo aparentemente tranquilo após uma lesão tão grave? O g1 conversou com ortopedistas para entender o quanto esse tipo de reação é comum, a gravidade e a recorrência do trauma, além de detalhes sobre a recuperação.
Ismael Kone, do Canadá, está no chão após sofrer a lesão
REUTERS/Lee Smith
Medicamento anestésico
O ortopedista e diretor da Associação Paranaense de Medicina do Exercício e Esporte (APrMEE) e Convidado da CBF Academy Helio Okamura explica que Koné parece ter saído de campo usando um medicamento anestésico inalatório usado em alguns países para dor aguda durante eventos traumáticos.
A adrenalina elevada no momento também pode ter ajudado o jogador a demorar a sentir a dor de forma mais intensa. Além disso, cada indivíduo tem um grau de tolerância à dor diferente, e a imobilização correta da região traumatizada também ajuda a diminuir o desconforto. Ainda assim, Okamura acredita que dificilmente Koné teria ficado tranquilo sem um anestésico.
Ismael Kone, do Canadá, aplaude torcedores enquanto é retirado de maca após sofrer lesão
REUTERS/Albert Gea
As fraturas frequentes no futebol
Além da reação do jogador após a lesão, especialistas explicam que o tipo de fratura sofrida por Koné está entre os traumas mais complicados que podem ocorrer no futebol.
O jogador teve uma fratura grave na perna, na região da canela, no osso da tíbia. O ortopedista Daniel Figueiredo, especialista em trauma formado pela Unesp, explica que esse tipo de lesão geralmente é associado também a uma fratura de um osso ao lado chamado de fíbula (embora a lesão possa ser somente na tíbia, de forma isolada).
A tíbia é o principal osso de sustentação do peso corporal e é responsável por transmitir praticamente toda a carga entre o joelho e o tornozelo. Já a fíbula suporta uma parte menor da carga, mas serve muito mais para fornecer a estabilidade do tornozelo, servindo como ponto de inserção para vários músculos e ligamentos, segundo o ortopedista e traumatologista do esporte Bruno Canizares.
Figueiredo acrescenta que, no futebol, as entorses, lesões de ligamento e lesões musculares são mais comuns, mas lesões de tíbia não são raras e ocorrem eventualmente.
A gravidade da lesão está relacionada tanto ao tipo de trauma quanto ao tempo de afastamento do esporte, explica Okamura. Isso porque quando o tempo de afastamento dos gramados é maior do que 30 dias, o quadro é considerado grave.
Agora no g1
Tratamento cirúrgico e recuperação de cerca de 9 meses
Figueiredo explica ainda que geralmente o tratamento dessas lesões é cirúrgico, principalmente em atletas, e é feita a fixação da fratura com hastes ou com placas.
“Por ser jogador de futebol, a melhor opção são as hastes intramedulares, que são dispositivos que vão dentro do osso. Mas em atletas, o prognóstico costuma ser bom”, explica.
O processo de consolidação da fratura leva cerca de três meses e o jogador vai precisar se dedicar exclusivamente à fisioterapia. Depois desse período, o jogador deve entrar numa fase de treinamento entre 3 e 6 meses, recuperando a musculatura e a técnica.
Logo, Koné pode voltar a jogar em cerca de nove meses, desde que a fratura esteja bem consolidada e a musculatura, recuperada.
Okamura explica que em torno de 80% dos jogadores que têm fratura de tíbia conseguem retornar plenamente para o esporte, mas uma taxa de 20% não consegue, mesmo após a recuperação.
Além disso, quando um atleta tem qualquer tipo de lesão, o risco de ele ser lesionado novamente aumenta.
Alimentação pode prevenir fraturas?
Fraturas podem ser por impacto específico ou por estresse – quando aumentam gradativamente pela sobrecarga e desbalanço entre treino e repouso. As que são por estresse podem ser prevenidas com alimentação mais rica em cálcio e vitamina D. Mas a lesão de Koné ocorreu após um impacto específico. Neste caso, o uso da caneleira já seria uma forma de proteção, mas nem sempre este dispositivo é eficaz.
Caneleira obrigatória não protege sempre
Apesar de a caneleira ser um equipamento de proteção individual em partidas oficiais e proteger bastante os jogadores contra traumas, quando o impacto vem por trás — como ocorreu com Koné — a proteção não é possível.
Um estudo de 2015 já apontou que o uso do dispositivo reduz de 20 a 25% as lesões gerais de perna (não apenas as fraturas).
Para prevenir esse tipo de lesão óssea, Okamura destaca que jogadores de fim de semana e crianças deveriam investir mais em caneleiras e moderar a intensidade nas disputas de bola. As lesões em crianças, até ligamentares, também têm aumentado bastante, segundo o médico.
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