“Eu quero ver a turma do Flávio Bolsonaro votar contra. Eu estou pagando pra ver, pra ver essa atitude que eles puderem tomar”, disse o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, logo após encontro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Ao chegar no Senado, o senador e ex-líder do governo Jaques Wagner (PT-BA) disse que há acordo por parte do governo para votar, mas “precisa saber do candidato a presidente Flávio”.
Senadores aliados do candidato do PL à Presidência da República tentam evitar que a PEC seja votada, e preferem que uma proposta alternativa defendida por Flávio Bolsonaro seja analisada (entenda mais abaixo).
“Eu estou vindo ao plenário porque, pelo que eu percebo, o pessoal da oposição, ou seja, os torcedores do candidato Flávio Bolsonaro, não estão dando presença na tentativa de inviabilizar o debate do fim do trabalho aos sábados”, disse o senador petista. “O candidato terá que mostrar a cara e dizer que é contra.”
Protesto pelo fim da escala 6×1 na Avenida Paulista — Foto: Henrique Silva/TV Globo
Desde então, governistas têm dito que a PEC foi embarreirada pela oposição no Senado. O próprio presidente Lula chegou a dizer isso algumas vezes durante a campanha.
Alcolumbre manteve agenda
Nesta terça-feira (6), o Senado faz a primeira de cinco sessões de discussão, procedimento necessário para a votação de uma PEC.
Segundo Guimarães, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) se comprometeu a votar a proposta antes do 2º turno. A expectativa é que o próprio Alcolumbre presida a sessão, algo que é visto como um gesto para o governo. A PEC é tida como uma “bala de prata” para a campanha de Lula.
Há dúvidas, porém, se haverá vontade política para votá-la. Passada a eleição dos parlamentares, a pressão das urnas não é mais um fator que estimule os senadores a votarem uma proposta popular.
Senadores da base governista ouvidos pela reportagem admitem que o cenário é desafiador e não cravam que a votação será possível.
“Vamos tentar”, diz a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).
O governo conta com sinalizações positivas de Davi Alcolumbre. Aliados do presidente do Senado falam que a PEC será “prioritária” e que ele vai seguir o rito prometido ao governo.
Presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP) conduz sessão — Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
Nos últimos anos, a relação do presidente do Senado com senadores da direita se desgastou – com críticas abertas de senadores bolsonaristas à gestão de Alcolumbre, principalmente em relação à crise com o Supremo Tribunal Federal (STF).
‘Obstrução’
Enquanto isso, senadores da oposição chamam a PEC de “medida eleitoreira” e querem evitar sua votação. Uma das orientações nesta terça-feira era obstruir a sessão, ou seja, não dar quórum para que ela acontecesse.
A sessão foi aberta com 47 senadores presentes – nenhum deles do PL. Mais tarde, o senador Efraim Filho (PL-PB) foi o primeiro do partido a registrar presença.
Apesar disso, eles mesmos avaliam que é preciso dosar as críticas, uma vez que a proposta é muito popular. Por isso, a expectativa é que novas reuniões aconteçam para bater o martelo sobre a estratégia a ser tomada.
Flávio Bolsonaro durante entrevista para imprensa. — Foto: Reprodução/ TV Globo
O texto da oposição prevê a possibilidade de redução da jornada, com redução proporcional do salário, após acordo com o empregador.
“Eu tenho uma proposta infinitamente melhor que é dar liberdade para o trabalhador negociar sua carga horária. Vamos dar essa liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada conforme as suas possibilidades”, diz.