Início » Escala 6×1: Lula liga para Motta e agradece aprovação; Alcolumbre dá andamento a PEC da oposição

Escala 6×1: Lula liga para Motta e agradece aprovação; Alcolumbre dá andamento a PEC da oposição

por Gilberto Cruz
escala-6×1:-lula-liga-para-motta-e-agradece-aprovacao;-alcolumbre-da-andamento-a-pec-da-oposicao


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou na tarde desta quinta-feira (28) para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para agradecer pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada 6×1.
A PEC aprovada pela Câmara na noite de quarta-feira (27) reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas por semana em até 14 meses e introduz dois dias de folga. O texto precisa agora ser analisado pelo Senado Federal. (veja o que muda aqui)
No Senado, o texto deve encontrar resistências e ainda não é certo o caminho da sua tramitação. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enviou nesta quinta para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) uma outra PEC.
A proposta foi apresentada também nesta quinta pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como alternativa da oposição à PEC aprovada ontem na Câmara.
A PEC de Rogério Marinho cria um regime alternativo à Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) em que empregador e trabalhador negociam o valor do trabalho por “hora trabalhada”. (veja detalhes aqui)
Interlocutores de Alcolumbre negam que o envio da PEC de Rogério Marinho, que colhia assinaturas para sua proposta enquanto a Câmara votava o texto que acaba com a escala 6×1, à CCJ seja “um aceno à oposição” e alegam que este é o trâmite regimental para a apreciação da proposta.
O texto aprovado pelos deputados na quarta foi encaminhado pela Câmara ao Senado nesta quinta e aguarda despacho de Alcolumbre.
Cabe ao presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado de Lula, indicar um relator para a PEC de Marinho na comissão e também para a proposta que acaba com a escala 6×1, caso seja enviada por Alcolumbre à comissão.
Alencar tem indicado que, quando a CCJ receber a proposta, indicará um relator para o texto aprovado pela Câmara em pouco tempo.
Na avaliação de economistas, o debate no governo federal e no Congresso Nacional precisa ser acompanhado de discussões sobre ganhos de produtividade que, segundo eles, virão principalmente com o aumento da qualificação dos trabalhadores, inovação e investimentos em melhorias em infraestrutura e logística.
Agora no g1
Lula e Motta
Lula tinha expressado o desejo de se reunir com o presidente da Câmara para agradecer à votação da proposta, mas houve incompatibilidade de agendas.
📞 O petista então telefonou para Motta e agradeceu a condução dos trabalhos do deputado federal paraibano.
O presidente disse ainda que tinha reforçado junto à bancada do PT a necessidade de ser aprovado o texto acordado com Motta e o relator da medida na Casa, Léo Prates (Republicanos-BA), isso porque o governo tinha aventado apoiar uma proposta própria de um projeto de lei.
Na ligação, segundo pessoas ligadas ao presidente da Câmara, Lula disse ainda que a aprovação da medida foi fruto do bom diálogo entre o Executivo e a Câmara e pregou a manutenção do canal aberto entre ambos.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)(c), entre os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasi-AP)(e), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos- PB), durante a cerimônia de assinatura da medida provisória da reforma do setor elétrico, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), nesta quarta-feira, 21 de maio de 2025. Pelas regras propostas, beneficiários da Nova Tarifa Social de Energia não vão pagar contas de luz com faixa de consumo de até 80 kWh. A mudança foi anunciada pelo Ministério de Minas e Energia (MME).
Wilton Junior/Estadão Conteúdo
PEC aprovada na Câmara
A proposta altera a parte da Constituição Federal que trata sobre os Direitos e Garantias Fundamentais e deixa expresso que a “duração do trabalho normal” não será superior a oito horas diárias e quarenta horas semanais.
O artigo prevê exceções ao permitir compensações de horários e a redução da jornada conforme acordo ou convenção coletiva de trabalho.
Conforme a proposta, a redução das quatro horas na jornada de trabalho será concretizada em duas etapas:
as primeiras duas horas em até dois meses após a promulgação da PEC;
as quatro horas restantes em até 12 meses após a redução das primeiras duas horas.
O fim da escala 6×1, com garantia de ao menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos, entrará em vigor 60 dias após a promulgação do texto.
O período de transição foi o principal ponto de discussão da PEC nas últimas semanas. Empresários e confederações de empregadores pediam um tempo para se adequar à medida.
O governo, a princípio, se colocou contra a transição, mas chegou a um acordo para permitir a implantação gradativa da redução da jornada.
O relator fixou que, decorridos 60 dias da promulgação, todas as convenções e acordos coletivos que forem incompatíveis com as novas jornadas perdem a validade automaticamente.
Esse ponto servirá como uma trava para obrigar sindicatos e empresas a sentarem na mesa de negociação.
A PEC inscreve na Constituição a exigência de duas folgas remuneradas por semana, uma delas, de preferência, aos domingos, e determina que deve ser “garantido o gozo de pelo menos um dos dias dentro do período máximo de uma semana de trabalho”.
Regra não é universal
Ficarão fora das novas regras estabelecidas pela PEC os trabalhadores que têm diploma de nível superior e ganham a partir de duas vezes e meia o teto do INSS — cerca de R$ 21,1 mil atualmente.
Para esses profissionais, não serão aplicadas as regras de jornada e controle de ponto. A exclusão se deu sob o argumento de combater a “pejotização” e dar liberdade a profissionais de alta renda.
Horas trabalhadas
A PEC apresentada pelo senador Rogério Marinho permite a “compensação de horários e a redução da jornada” mediante acordo individual, convenção coletiva de trabalho ou contrato direto entre empregado e empregador, inclusive por hora trabalhada.
Pelo texto, prevaleceria os termos do contrato individual de trabalho entre o trabalhador e o empregador sobre os instrumentos de negociação coletiva.
A PEC estabelece que o valor mínimo da hora trabalhada será proporcional ao salário mínimo ou ao piso da categoria, calculado com base na jornada máxima de trabalho.
“Observada a mesma proporcionalidade no cálculo dos demais direitos trabalhistas, incluindo férias, décimo terceiro salário, FGTS e outros benefícios legais, de acordo a carga horária efetivamente trabalhada”, diz o texto.
Mediante previsão em contrato individual de trabalho, a jornada de trabalho poderá ser flexível, respeitada a jornada semanal máxima.
“Essa flexibilidade permite que o trabalhador decida o modelo de jornada que melhor atenda às suas necessidades, conciliando sua vida pessoal com seu trabalho, e possibilita que ele adapte sua rotina às demandas e oportunidades do mercado de trabalho”, diz o senador na justificativa do projeto.

você pode gostar

SAIBA QUEM SOMOS

Somos um dos maiores portais de noticias de toda nossa região, estamos focados em levar as melhores noticias até você, para que fique sempre atualizado com os acontecimentos do momento.

CONTATOS

noticias recentes

as mais lidas

Jornal de Minas Ltda © Todos direitos reservados CNPJ: 65.412.550/0001-63