
O embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, retornou a Buenos Aires e, com isso, a representação diplomática da Argentina em Brasília passa a ser comandada pela encarregada de negócios, María Cortés.
O retorno de Raimondi ao país é consequência da decisão do Brasil de rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina, em razão dos frequentes ataques do presidente Javier Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chamado por ele, por exemplo, de “corrupto”, “ladrão” e “presidiário”
Brasil rebaixa relações com a Argentina: relembre os ataques de Milei a Lula e a escalada da crise diplomática
Conforme o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o rebaixamento vai durar até que Milei pare de atacar Lula, algo considerado pela diplomacia brasileira como inédito, agressivo e grosseiro.
Agora no g1
Nesse contexto, o chanceler Mauro Vieira se reuniu nesta quinta-feira (13) com o embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli, que foi chamado para consultas ao Brasil quando os ataques de Milei começaram.
Segundo o Itamaraty, na reunião desta quinta, Mauro Vieira e Bitelli fizeram uma avaliação do cenário e, como neste momento não houve mudança de cenário, Bitelli não tem ainda precisão de retorno a Buenos Aires.
Ou seja, sem mudanças no atual patamar das relações.
Na linguagem diplomática, quando um país chama seu embaixador para consultas, o gesto é considerado duro e mostra desagrado e descontentamento com ações do governo local, neste caso, as declarações do presidente argentino.
Em um primeiro momento, o chanceler argentino Pablo Quirno disse que, apesar das divergências políticas entre Milei e Lula, a diplomacia do país não iria levar este tema para o plano institucional.
Entretanto, num outro momento, em uma declaração pública, Quirno afirmou que a região passa por uma transformação ideológica e que ele espera que isso aconteça no Brasil também.
A declaração foi uma referência ao processo eleitoral brasileiro. Atualmente, alguns países da América do Sul que eram comandados por presidentes de esquerda, a exemplo da própria Argentina, do Chile e da Colômbia, estão sob governos de presidentes que se identificam como de direita.
Em nota oficial, a chancelaria argentina disse lamentar a decisão do Brasil de rebaixar as relações diplomáticas entre os dois países, afirmando que essas relações “devem responder aos interesses de seus povos, e não ficar subordinadas às necessidades políticas ou pessoais do presidente de turno”.
Os presidentes Javier Milei e Lula
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Numa entrevista ao jornal argentino “Clarín”, Mauro Vieira, por sua vez, disse que a Argentina “deve parar imediatamente com esse tipo de agressões e trabalhar a relação bilateral”.
“Para o governo brasileiro, a relação entre os dois países é primordial, importantíssima e devemos saber se o atual governo argentino pensa do mesmo modo”, afirmou.
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