O mercado seguiu atento ao setor de tecnologia dos Estados Unidos, em meio a preocupações sobre os possíveis efeitos da maioria democrata no Congresso sobre a regulação do setor. No Brasil, o quadro fiscal permaneceu no radar, com investidores e empresários pressionando por ajustes nas contas públicas e à espera de sinais sobre a política econômica do Lula 4.
▶️ O tombo das ações de tecnologia ficou no centro das atenções. Na quinta-feira (5), os papéis do setor registraram forte queda e pressionaram os principais índices de Wall Street. A preocupação é que a maioria democrata formada no Congresso após as eleições de meio de mandato traga novas regulações e limite o crescimento do setor.
▶️ Na agenda do dia, investidores avaliaram o relatório de emprego dos EUA, o payroll, que mostrou uma criação de vagas acima do esperado em outubro. A taxa de desemprego também caiu para 4,1%, sugerindo que o mercado de trabalho americano se mantém resiliente e dando espaço para que o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) mantenha o foco no controle da inflação.
▶️ A sexta-feira também foi de atenção à reforma tributária e ao fim da escala 6×1. Nesta semana, o governo sinalizou a intenção de regulamentar o fim da 6×1 e indicou a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas. Já na véspera, o governo publicou a Medida Provisória que estabelece as alíquotas do Imposto Seletivo, também conhecido como “imposto do pecado”, para 2027.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
- Acumulado da semana: +1,18%;
- Acumulado do mês: +1,18%;
- Acumulado do ano: 0,36%.
📈Ibovespa
- Acumulado da semana: +0,34%
- Acumulado do mês: +0,34%;
- Acumulado do ano: +4,58%.
Temores com IA derrubam mercados pelo mundo
Os principais índices de Wall Street fecharam em forte queda na última quinta-feira (5), pressionados pelas ações de empresas ligadas à inteligência artificial (IA).
O movimento veio em meio ao temor de que a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos resulte em regras mais rígidas para o setor e desacelere a expansão dos centros de dados no país.
O Nasdaq Composite, que concentra empresas de tecnologia, despencou 5,52%, para 24.315 pontos, na maior queda em um único dia desde abril de 2025. O S&P 500 recuou 4,36%, para 7.353,73 pontos, enquanto o Dow Jones caiu 3,44%, para 51.523,06 pontos.
A onda de vendas eliminou cerca de US$ 3 trilhões (R$ 16,4 trilhões) em valor de mercado das empresas que compõem o S&P 500.
As chamadas “Sete Magníficas”, grupo que reúne algumas das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, como Nvidia, Meta, Alphabet e Microsoft, perderam aproximadamente US$ 800 bilhões (R$ 4,4 trilhões) em valor de mercado, montante superior ao Produto Interno Bruto (PIB) da Suécia.
O Nasdaq também entrou no chamado território de correção, quando um índice acumula queda de pelo menos 10% em relação a um pico recente. O indicador encerrou o pregão quase 12% abaixo do recorde alcançado em 6 de outubro.
Foi a maior queda diária do Nasdaq desde o anúncio das tarifas do chamado “Dia da Libertação” pelo presidente Donald Trump, em abril de 2025. O pregão também marcou o segundo dia consecutivo de vendas de ações ligadas à inteligência artificial e a quinta queda superior a 500 pontos do índice desde meados de outubro.
Bolsas globais
Nos EUA, os três principais índices de Wall Street fecharam mistos nesta sexta-feira, após as fortes perdas na véspera.
O Dow Jones teve perdas de 0,46%, enquanto o S&P 500 subiu 0,32% e o Nasdaq Composite avançou 1,09%.
Já na Europa, as bolsas locais fecharam em queda generalizada na sessão. O índice pan-europeu STOXX 600, que reúne as principais empresas de 17 países europeus e serve como referência para o desempenho das bolsas da região, caiu 1%.
Entre os demais índices acionários da região, o DAX, da Alemanha, caiu 1,92%, enquanto o CAC-40, da França, recuou 0,81% e o FTSE 100, do Reino Unido, perdeu 1,01%.
Na Ásia, as ações da China e de Hong Kong caíram nesta sexta-feira, à medida que uma queda generalizada no setor de tecnologia nos Estados Unidos se espalhou pela Ásia e alimentou temores de que o boom da IA esteja perdendo força.
O SSEC, Índice de Xangai, teve queda de 1,10%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, caiu 1,44%. Na Coreia do Sul, o Kospi encerrou com um recuo de 6,02%, após ter caído mais de 8% e acionado o circuit breaker na sessão. O Hang Seng, de Hong Kong, teve perdas de 1,27% e o Nikkei, do Japão, recuou 5,96%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar — Foto: Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo
