Início » Dólar sobe com decisões de juros de Brasil e EUA no radar; Ibovespa recua | G1

Dólar sobe com decisões de juros de Brasil e EUA no radar; Ibovespa recua | G1

por Gilberto Cruz
dolar-sobe-com-decisoes-de-juros-de-brasil-e-eua-no-radar;-ibovespa-recua-|-g1

▶️ A “Superquarta”, momento em que os bancos centrais do Brasil e dos EUA devem anunciar suas decisões de juros, é o principal destaque da sessão. O Federal Reserve (Fed, o BC americano) decidiu manter as taxas inalteradas, em meio aos sinais de preços ainda elevados no país. Já por aqui, a estimativa é de um novo corte de 0,25 ponto percentual (p.p.) pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

  • 🔎 A política de juros nos EUA também tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio e no nível de investimento estrangeiro no país (entenda mais abaixo).

▶️ O novo acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã também fica no radar. O entendimento incluiria, entre outros pontos, a reabertura do Estreito de Ormuz e uma nova trégua, incluindo o Líbano. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que o tratado também deixa “bem claro” que Teerã não terá armas nucleares, mas reiterou que o entendimento ainda não é final. (entenda mais abaixo)

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: +0,90%;
  • Acumulado do mês: +1,29%;
  • Acumulado do ano: -6,94%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: -1,73%;
  • Acumulado do mês: -3,23%;
  • Acumulado do ano: +4,38%.

Juros na mira

As decisões de juros dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos são o principal destaque desta quarta-feira.

Segundo analistas da XP Investimentos, o cenário de inflação se deteriorou desde a última reunião do colegiado, em meio a choque globais de oferta, o aquecimento da atividade doméstica e a interrupção do ciclo de valorização vivido pelo real.

“[Isso] deve levar o Copom a elevar sua projeção para o IPCA [inflação oficial do país] no quarto trimestre de 2027 de 3,5% para 3,6%, e promover mais um corte de 0,25 p.p., para 14,25%, mantendo alguma flexibilidade para ajustes adicionais, mas com comunicação cautelosa e menos inclinada a sinalizar novos passos”, afirmaram analistas da XP em relatório.

  • ➡️ O cenário de juros altos nos EUA tem diferentes reflexos no mundo — inclusive no Brasil. Isso porque, com juros mais altos, investidores estrangeiros tendem a realocar recursos para a maior economia do mundo, em busca de rendimentos maiores e maior segurança.
  • ➡️ Com isso, o dólar tende a se valorizar em relação às moedas de outras economias do mundo — incluindo o real — e a bolsa de valores brasileira tende a cair.
  • ➡️ Quando o dólar está mais alto, produtos importados ficam mais caros no Brasil, o que pode pressionar a inflação doméstica, especialmente em itens como combustíveis e eletrônicos. Com preços mais altos por aqui, a tendência é que esse cenário também resulte em juros mais elevados no Brasil, encarecendo o crédito e limitando o crescimento da economia.

Na avaliação de Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da gestora americana Stratton Capital, aponta que um dos pontos mais relevantes foi a decisão de Warsh em não divulgar sua estimativa para os juros no chamado “gráfico de pontos” (“dot plot”) — movimento que considera coerente com as críticas que o dirigente já havia feito a esse mecanismo.

“O gesto reforça que estamos diante de um Fed em transformação, com potenciais mudanças estruturais à frente. O comunicado deixou claro o foco do comitê em entregar estabilidade de preços, e isso deve pautar as próximas decisões”, afirma Flores.

Segundo ele, o texto divulgado pelo banco central americano foi mais inclinado a uma postura de cautela com a inflação do que a uma eventual flexibilização, o que mantém aberta a possibilidade de novas altas de juros nas próximas reuniões.

Na visão do especialista, essa leitura ajuda a explicar a reação dos mercados, com fortalecimento do dólar, pressão sobre os títulos públicos americanos e queda das bolsas. “A economia dos Estados Unidos continua sólida e em expansão, o que reforça uma visão mais favorável a juros mais altos do que à manutenção ou queda das taxas”, diz.

Acordo de paz entre EUA e Irã

Os EUA e o Irã chegaram a um acordo para encerrar a guerra no último domingo (14). O memorando de entendimento foi assinado na segunda-feira e a expectativa é que o texto seja divulgado após uma cerimônia presencial, na sexta-feira. (acompanhe os principais acontecimentos)

Os detalhes do acordo ainda não foram totalmente divulgados. Segundo a mídia internacional, o memorando de entendimento deve prever:

  • um novo cessar-fogo de 60 dias em ‘todas as frentes’, incluindo o Líbano;
  • a reabertura imediata do Estreito do Ormuz — que, segundo Trump, deve ficar para sexta-feira, para que minas sejam retiradas do local;
  • o Irã também não deverá cobrar taxas das embarcações, e o tráfico local volte aos níveis pré-guerra em 30 dias;
  • que os EUA também levantem o bloqueio naval que fazem na entrada de Ormuz;
  • que sanções ao Irã sejam flexibilizadas progressivamente;
  • que o Irã se comprometa a não obter uma arma nuclear.

Questionado sobre um dos pontos do acordo, o fim das sanções econômicas contra o regime iraniano, Trump disse que ele não será imediato e que isso será debatido pelos dois países posteriormente.

O republicano ainda afirmou, nesta quarta-feira, que apesar de os dois países terem chegado a um acordo, as negociações ainda não acabaram e que pode voltar a atacar o Irã caso não fique satisfeito.

“É um memorando de entendimento. E se eu não gostar, voltaremos a atirar neles, a bombardear suas cabeças. Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos a bombardear bem no meio da cabeça deles, ok?”, declarou em entrevista coletiva na cúpula do G7, na França.

A cúpula do G7 deu a Trump a oportunidade de apresentar seu acordo com o Irã aos aliados Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão.

Em comunicado, os líderes afirmam: “Ressaltamos a necessidade de negociação… para abordar as ameaças representadas pelo Irã na região e além, e garantir que eles jamais obtenham uma arma nuclear”.

Mercados globais

Nos EUA, os principais índices de Wall Street fecharam em baixa, em meio à repercussão da primeira decisão de juros sob o comando do novo presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh.

O Dow Jones caiu 0,96%, enquanto o S&P 500 recuou 1,19%. O Nasdaq Composite, por sua vez, perdeu 1,32%.

Na Europa, a maioria dos mercados acionários fechou em alta, ainda de olho no acordo de paz entre EUA e Irã. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,5%.

Entre os principais índices, o alemão DAX avançou 0,10%, o francês CAC 40 caiu 0,20% e o britânico FTSE 100 teve alta de 0,14%.

Na Ásia, a maioria das ações fechou em alta nesta quarta-feira, impulsionadas pelo setor de tecnologia. O CSI300, que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen, avançou 0,97%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, ganhou 0,74%. Já o Hang Seng teve queda de 0,74%.

No Japão, o Nikkei subiu 0,7%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, teve valorização de 1,58%.

*Com informações da agência de notícias Reuters.

Notas de real e dólar — Foto: Amanda Perobelli/ Reuters

você pode gostar

SAIBA QUEM SOMOS

Somos um dos maiores portais de noticias de toda nossa região, estamos focados em levar as melhores noticias até você, para que fique sempre atualizado com os acontecimentos do momento.

CONTATOS

noticias recentes

as mais lidas

Jornal de Minas Ltda © Todos direitos reservados CNPJ: 65.412.550/0001-63