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Contas públicas: superávit em julho e dívida recorde de 82,5% do PIB | G1

por Gilberto Cruz
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🔎 O superávit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam acima das despesas do governo. Se o contrário acontece, o resultado é de déficit primário.

🔎O resultado não leva em conta o pagamento dos juros da dívida pública, e abrange o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais.

Na comparação com julho do ano passado, houve melhora, uma vez que foi registrado um saldo negativo de R$ 66,6 bilhões naquele mês (devido ao pagamento de precatórios).

➡️Mesmo com o saldo positivo das contas públicas em julho, o endividamento continuou subindo e atingiu, no mês passado, 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB)veja mais abaixo nessa reportagem.

Agora no g1

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Veja abaixo o desempenho das contas em julho deste ano:

  • governo federal registrou saldo positivo de R$ 11 bilhões;
  • estados e municípios tiveram saldo deficitário de R$ 8,5 bilhões;
  • empresas estatais apresentaram déficit de R$ 1,1 bilhão.

Parcial do ano

No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas públicas registraram um déficit primário de R$ 78,8 bilhões — o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Com isso, houve piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo negativo de R$ 44,5 bilhões (0,61% do PIB).

No caso somente do governo federal, o resultado ficou negativo em R$ 82,4 bilhões na parcial deste ano, informou o BC, contra um déficit de R$,7 bilhões nos sete primeiros meses de 2025.

  • Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo negativo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
  • De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
  • Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões
  • O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais, defesa e educação).

Após despesas com juros

Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta – no conceito conhecido no mercado como resultado nominal, utilizado para comparação internacional –, houve déficit de R$ 97,6 bilhões nas contas do setor público em julho.

➡️No acumulado em 12 meses até julho, foi registrado um resultado negativo (déficit) de R$ 1,24 trilhão, ou 9,34% do PIB.

🔎Esse número é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco para a definição da nota de crédito dos países, indicador levado em consideração por investidores.

O resultado nominal das contas do setor público sofre impacto do resultado mensal das contas, das atuações do BC no câmbio, e dos juros básicos da economia (Selic) fixados pela instituição para conter a inflação. Atualmente, a taxa Selic está em 14% ao ano, patamar elevado.

Segundo o BC, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,15 trilhão (8,67% do PIB) em doze meses até julho deste ano.

Dívida pública

Em julho, segundo números do Banco Central, a dívida do setor público consolidado subiu 0,6 ponto percentual, para 82,5% do PIB — o equivalente a R$ 10,95 trilhões.

➡️Este é o maior nível para a dívida pública desde abril de 2021, quando somava 82,6% do PIB, ou seja, é o maior patamar em mais cinco anos.

➡️No acumulado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ou seja, em pouco mais de três anos, a dívida já avançou 10,8 pontos percentuais. A alta na dívida está relacionada, principalmente, com o aumento de gastos públicos, e com as despesas com juros.

Dívida Bruta

% em relação ao PIB (conceito brasileiro)

Fonte: Banco Central

➡️Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), que utiliza de um conceito internacional — englobando os títulos públicos na carteira do BC —, o endividamento brasileiro foi bem maior em julho: 95,4% do PIB.

A proporção com o PIB é considerada por especialistas como o conceito mais apropriado para medir e comparar a dívida das nações. E o formato de cálculo do Fundo Monetário Internacional (FMI) é adotado internacionalmente.

➡️Acima de 90% do PIB, o patamar da dívida brasileira está bem acima de nações emergentes e de países da América do Sul, ficando maior, também, do que a média das nações da Zona do Euro (segundo dados do FMI).

DÍVIDA POR BLOCOS ECONÔMICOS NO FIM DE 2025

% DO PIB (CONCEITO DO FMI)

Fonte: BC (REALIZADO EM 2025) E *ESTIMATIVAS DO FMI

Para tentar conter o crescimento da dívida, em 2023 o governo aprovou o chamado “arcabouço fiscal”, ou seja, novas regras para as contas públicas em substituição ao teto de gastos.

A norma prevê crescimento das despesas abaixo das receitas, e um limite para gastos. Entretanto, despesas excluídas desse limite continuam pressionando para cima o endividamento.

dos seteAnalistas pedem um corte robusto de gastos para conter a dívida e proporcionar queda do juro básico.

Rombo nas estatais federais

Segundo o Banco Central, as empresas estatais federais registraram um déficit de R$ 476 milhões em julho. Na parcial dos sete primeiros meses deste ano, o rombo já soma R$ 8,3 bilhões.

🔎O termo “déficit” significa que o gasto somado dessas estatais foi maior que a receita que elas conseguiram gerar no ano.

➡️Esse é o pior resultado para o período de janeiro a julho da série histórica do BC, que tem início em 2002.

➡️O resultado, na parcial deste ano, também já supera o resultado negativo recorde para um ano fechado, de 2024, quando foi registrado um déficit de R$ 6,73 bilhões.

  • A série do Banco Central não considera a Petrobras, a Eletrobras e nem as empresas do setor financeiro (bancos públicos).
  • O BC lembra que a Petrobras e a Eletrobras foram excluídos do cálculo das estatais federais em 2009, mas explica que a série histórica de anos anteriores foi revisada com base na nova metodologia — sendo válida, portanto, de 2002 em diante.
  • Entram nesse cálculo empresas como Correios, a Emgepron, a Hemobrás, a Casa da Moeda, a Infraero, o Serpro, a Dataprev e a Emgea.
  • O conceito do Banco Central considera apenas a variação da dívida, conceito amplamente utilizado em análises fiscais internacionais, enquanto o governo se utiliza do conceito conhecido por “acima da linha” (receitas menos despesas, sem contar juros da dívida).

➡️No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, encaminhado ao Congresso Nacional em abril deste ano, o governo federal admite que as empresas estatais federais, em déficit desde 2023, continuarão no vermelho até 2030.

RESULTADO AS EMPRESAS ESTATAIS FEDERAIS

EM R$ BILHÕES

Fonte: BC ATÉ 2025 E PROJEÇÕES DO GOVERNO NO PLDO 2027

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