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Confirmado novo caso de hantavírus em tripulante do MV Hondius repatriado para os Países Baixos

por Gilberto Cruz
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O navio MV Hondius navegava da Argentina para Cabo Verde.
BBC
Um membro da tripulação do navio de cruzeiro MV Hondius, que desembarcou na ilha espanhola de Tenerife e foi repatriado para os Países Baixos, testou positivo para hantavírus, anunciou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, nesta sexta-feira (22).
“Os Países Baixos confirmaram nesta sexta (22) um novo caso em um membro da tripulação que desembarcou em Tenerife, foi repatriado para os Países Baixos e está em quarentena desde então”, disse Tedros.
Com isso, o número total de casos suspeitos e confirmados de hantavírus chega a 12, incluindo três pessoas que viajaram a bordo do navio de cruzeiro Hondius e morreram – um casal de neerlandeses e uma alemã, destaca a agência France Presse.
O navio de cruzeiro MV Hondius, onde ocorreu o surto de hantavírus, chegou na segunda-feira (18) ao porto de Roterdã, após a retirada de parte dos passageiros nas Ilhas Canárias. Os 27 membros da tripulação e os profissionais da saúde foram colocados em quarentena após o desembarque.
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O navio de luxo, de bandeira holandesa, transportava cerca de 150 passageiros e tripulantes de 23 países. O foco de hantavírus surgiu e foi relatado pela primeira vez em 2 de maio pela OMS.
A embarcação da Oceanwide Expeditions ficou retida ao largo de Cabo Verde e, em seguida, a pedido da OMS e da União Europeia (UE), a Espanha aceitou que parte dos passageiros desembarcasse nas Ilhas Canárias. Depois, o navio seguiu para Roterdã com uma tripulação reduzida e dois profissionais de saúde.
Entenda por que variante transmitida entre humanos intriga especialistas
A cepa Andes do hantavírus circula há décadas na Patagônia argentina e chilena, sendo transmitida por roedores selvagens. Mas o surto associado ao navio de cruzeiro Hondius colocou o foco em uma característica excepcional desta variante: sua capacidade de ser transmitida entre pessoas, destaca a agência France Press.
O reservatório do vírus Andes na Patagônia é o rato-de-cauda-longa, Oligoryzomys longicaudatus. O contágio inicial ocorre por exposição à saliva, urina ou fezes de roedores infectados, em geral em ambientes fechados.
Para o biólogo Raúl González Ittig, professor associado de genética de populações da Universidade Nacional de Córdoba, os casos registrados na Argentina podem estar ligados a uma sequência de eventos ambientais: chuvas intensas associadas ao El Niño, mais vegetação e maior disponibilidade de alimento para os roedores.
Um maior número destes animais não significa necessariamente um surto, mas sim mais oportunidades de contato. “Há mais indivíduos e há maior probabilidade de que algum trabalhador rural se infecte”, disse González Ittig à AFP.
Já a seca e os incêndios, que costumam ocorrer no verão na região, “fazem diminuir as populações de roedores”, explicou o especialista.
Nos casos de transmissão entre pessoas, o único roedor culpado é aquele que causou o primeiro contágio. Nesse cenário, “não é aplicável o que se sabe ou suspeita sobre a associação ou influência de fatores ambientais”, disse à AFP a infectologista María Ester Lázaro, médica aposentada do Hospital Zonal de Bariloche.
Além dos surtos conhecidos – na Patagônia argentina em 1996 e 2018, e agora no navio de cruzeiro – a transmissão entre pessoas é relatada muito ocasionalmente na região.
Contágio entre humanos
O epidemiologista Rodrigo Bustamante, do hospital de Bariloche, ressalta que a transmissão entre humanos da cepa Andes “não é uma regra, mas um evento excepcional que requer contato próximo de menos de um metro durante trinta minutos”.
Também não se comporta como a covid-19 ou a gripe. “É muito menos transmissível”, disse Bustamante à AFP.
Os cientistas rejeitam a ideia de que uma mutação recente tenha tornado a cepa Andes transmissível entre humanos.
“É um vírus muito estável, ao contrário do da covid-19 ou da gripe. Cada hantavírus evoluiu desde tempos ancestrais com seu roedor hospedeiro sem sofrer mutações relevantes”, disse Lázaro.
Segundo a infectologista, ainda não se sabe “por que o vírus Andes, em vez de gerar um caso isolado ao infectar uma pessoa, é depois capaz de se transmitir a outra em algumas ocasiões e até mesmo gerar cadeias de transmissão com vários elos”.
González Ittig afirma, por sua vez, que acredita “que o vírus sempre teve essa propriedade” e que, possivelmente, “os humanos começaram a ocupar os ambientes onde viviam os ratos”.

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