Com juro alto, criação de empregos formais cai 25% e registra o pior 1º semestre em seis anos | G1

Com juro alto, criação de empregos formais cai 25% e registra o pior 1º semestre em seis anos | G1

O número representa uma queda de 25% na comparação com o mesmo período de 2025, quando foram abertas 1,23 milhão de vagas com carteira assinada.

Essa também foi o pior resultado na geração de empregos para os seis primeiros meses de um ano desde 2020 — quando foram fechadas milhão de vagas formais em meio à pandemia da Covid-19.

EMPREGOS FORMAIS NO 1º SEMESTRE

Fonte: MINISTÉRIO DO TRABALHO

  • Ao fim de junho de 2026, ainda conforme os dados oficiais, o Brasil tinha saldo de 48,03 milhões de empregos com carteira assinada.
  • O resultado representa aumento na comparação com maio deste ano (47,88 milhões) e com relação a junho de 2025 (47,07 milhões).

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Juros altos

A forte queda na geração de empregos formais foi registrada em um contexto de juros básicos ainda altos, apesar de a autoridade monetária ter baixado a taxa em três reuniões seguidas.

Atualmente em 14,25% ao ano, a taxa Selic, fixada pelo Banco Central (BC), é a mais alta do mundo em termos reais (descontada a inflação para os próximos 12 meses) em um ranking da MoneYou com 40 nações.

Além do juro alto, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, também citou o efeito do tarifaço imposto pelos Estados Unidos e das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia para a desaceleração do emprego formal neste ano.

“O comportamento da economia está desacelerando. Você tem, evidentemente, a contribuição negativa dos juros e tem também a contribuição do mister Trump, com os tarifaços, com as consequências da bagunça que cria em alguns setores da economia (…) São números positivos, levando em consideração os problemas que nós estamos enfrentando”, declarou o ministro Luiz Marinho.

Em suas considerações sobre o patamar da taxa de juros, o BC explica que acompanha “detidamente” o mercado de trabalho. Na ata da última reunião, o Copom avaliou que a “taxa de desemprego tem, recorrentemente, se mantido em patamares historicamente baixos enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho”.

“O Comitê segue atento ao debate sobre as dimensões corrente e estrutural do mercado de trabalho, enfatizando a necessidade do aprofundamento dessa análise para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia”, acrescentou o BC.

Mês de junho

Somente em junho deste ano, segundo informações do Ministério do Trabalho, foram criadas 145,16 mil empregos formais.

Ao todo, segundo o governo federal, foram registradas em junho:

  • ➡️2,22 milhões de contratações;
  • ➡️2,07 milhões de demissões.

📈 O resultado representa recuo de 10,4% em relação a junho de 2025 — quando foram criados cerca de 162 mil empregos com carteira assinada.

Criação de empregos formais no Brasil

Dados ajustados

Fonte: Ministério do Trabalho

👉🏽 Esse também foi o pior resultado para meses de junho desde 2020, ou seja, em seis anos. Veja os resultados para os meses de janeiro:

  • 2020: 53,38 mil vagas fechadas;
  • 2021: 318,2 mil empregos criados;
  • 2022: 285,26 mil vagas abertas;
  • 2023: 155,81 mil vagas abertas;
  • 2024: 206,6 mil empregos criados
  • 2025: 162 mil vagas abertas.

Empregos por setor

Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de junho de 2026 mostram que foram criados empregos formais nos cinco setores da economia.

Empregos por setor

Abertura de vagas em junho de 2026

Fonte: Ministério do Trabalho – Caged

Regiões do país

Os dados também revelam que foram abertas vagas nas cinco regiões do país no mês passado.

Empregos por região

Vagas criadas em junho de 2026

Fonte: Ministério do Trabalho

Salário médio de admissão

O governo também informou que o salário médio de admissão foi de R$ 2.404,34 em junho deste ano, o que representa alta real (descontada a inflação) em relação a maio de 2026 (R$ 2.387,44).

Na comparação com junho do ano passado, também houve aumento no salário médio de admissão. Naquele mês, o valor foi de R$ 2.376,95.

Caged x Pnad

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados consideram os trabalhadores com carteira assinada, ou seja, não incluem os informais.

Com isso, os resultados não são comparáveis com os números do desemprego divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), coletados por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (Pnad).

Segundo dados oficiais, a taxa de desemprego no Brasil foi de 5,6% no trimestre encerrado em maio. De acordo com o IBGE, essa foi a menor taxa da série histórica para esse período.

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