Fed mantém juros dos EUA na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano | G1

Fed mantém juros dos EUA na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano | G1

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros do país inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano — menor nível desde setembro de 2022. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (29), veio em linha com a expectativa do mercado financeiro.

Em um comunicado mais curto do que o de costume, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou, em sua decisão, que a atividade econômica segue se expandindo em ritmo sólido “apesar da elevada incerteza, decorrente, em parte, do conflito no Oriente Médio”.

➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio. (leia mais abaixo)

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É também a segunda decisão sob o comando de Kevin Warsh, indicado por Trump para presidir o banco central dos EUA. Warsh tomou posse em 22 de maio e iniciou oficialmente seu mandato de quatro anos após uma cerimônia na Casa Branca.

O que disse o Fomc

Em nota, o comitê afirmou que decidiu manter a taxa básica de juros dos EUA inalterada em apoio ao duplo mandato do Fed: controlar a inflação e promover o máximo emprego.

“O crescimento da produtividade e os investimentos em capital permanecem fortes. A criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho, e a taxa de desemprego mudou pouco”, afirmou o colegiado.

Segundo o Fomc, a inflação segue acima da meta de 2%, “refletindo, em parte, choques de oferta que elevaram os preços em determinados setores, incluindo o de energia”.

Ao citar a “elevada incerteza” causada, em grande parte, pelo conflito no Oriente Médio, o comunicado termina afirmando que “o comitê entregará estabilidade de preços”.

A decisão não foi unânime. Três dos 12 integrantes com direito a voto — Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan — defenderam elevar os juros em 0,25 ponto percentual nesta reunião.

Efeito dos juros no Brasil — e nos mercados

Os juros, ainda considerados elevados nos EUA, mantêm os rendimentos das Treasuries, os títulos públicos americanos, em níveis mais atraentes.

Por serem considerados os investimentos mais seguros do mundo, as Treasuries com rentabilidades elevadas despertam o interesse de investidores estrangeiros, que direcionam recursos aos EUA e fortalecem o dólar.

Em outra perspectiva: apesar de diversas variáveis interferirem nessa lógica, o movimento tende a reduzir o volume de investimentos estrangeiros no Brasil, desvalorizando o real em relação à moeda americana.

Além disso, o dólar em nível elevado aumenta a pressão sobre a inflação por aqui, com reflexos na manutenção de juros altos pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil.

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