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Cientistas alertam para calor na Copa do Mundo e dizem que Fifa coloca jogadores em risco

por Gilberto Cruz
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O calor intenso do Mundial de Clubes de 2025, nos Estados Unidos, foi um teste duro para jogadores
Getty Images via BBC
Um grupo de cientistas alertou a Fifa que as atuais medidas de segurança contra o calor para a Copa do Mundo masculina de 2026 são “inadequadas” e podem colocar jogadores em risco de danos graves à saúde.
Em uma carta aberta, especialistas internacionais em saúde, clima e desempenho esportivo afirmam que as diretrizes da entidade estão defasadas em relação às evidências científicas atuais e são “impossíveis de justificar”.
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Eles pedem que a Fifa adote proteções mais rigorosas, incluindo pausas mais longas para resfriamento e protocolos mais claros para atrasar ou adiar partidas em condições extremas.
O calor deve ser um problema durante o torneio deste verão nos Estados Unidos, Canadá e México, com pesquisadores alertando que as temperaturas em 14 dos 16 estádios utilizados podem ultrapassar níveis considerados perigosos.
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Em partes do sul dos EUA e do norte do México, as máximas médias durante o dia costumam ficar entre 30°C e 35°C, podendo se aproximar dos 40°C em períodos mais quentes.
Quando fatores como temperatura, umidade, velocidade do vento e intensidade da radiação solar são considerados em conjunto, os jogadores nas cidades-sede da Copa correm maior risco de sofrer níveis extremos de estresse térmico no organismo.
A Fifa afirmou que está “comprometida em proteger a saúde e a segurança de jogadores, árbitros, torcedores, voluntários e funcionários” e que os riscos relacionados ao clima são avaliados como parte do planejamento do torneio.
Diferenças entre exaustão pelo calor e insolação.
BBC
Quais são as medidas atuais?
Como parte de seu “compromisso com o bem-estar dos jogadores”, a FIFA introduziu pausas obrigatórias de três minutos para resfriamento em cada tempo de todas as partidas do torneio, independentemente das condições climáticas.
Também haverá bancos climatizados para comissões técnicas e reservas em todas as partidas realizadas em estádios ao ar livre.
A Fifa também utiliza a medida considerada padrão-ouro para calor no esporte, a Temperatura de Globo de Bulbo Úmido (WBGT, na sigla em inglês), que avalia o estresse térmico no corpo ao combinar temperatura e umidade. Um WBGT em torno de 28°C é amplamente considerado um limite a partir do qual o estresse térmico passa a representar uma preocupação significativa para atletas de elite.
Segundo o manual de atendimento de emergência da Fifa, se a leitura de WBGT estiver próxima, em 32°C ou acima disso, os organizadores das partidas devem decidir “quais precauções precisam ser tomadas para evitar qualquer doença relacionada ao calor”.
A Fifa afirma ainda que possui medidas para os torcedores em jogos “quando as previsões indicarem temperaturas elevadas”. Os espectadores poderão levar uma garrafa de água lacrada de fábrica, e os estádios ativarão medidas extras de resfriamento, incluindo áreas de sombra, sistemas de névoa d’água, ônibus climatizados e ampliação da distribuição de água.
O que os cientistas estão pedindo?
Os 20 especialistas que assinaram a carta incluem acadêmicos de destaque do Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Europa.
Eles querem que a Fifa reformule urgentemente sua abordagem, incluindo:
Adiamento ou suspensão de partidas quando o WBGT ultrapassar 28°C
Pausas para resfriamento mais longas, de pelo menos seis minutos
Melhores estruturas de resfriamento para os jogadores
Atualizações regulares das diretrizes com base nas evidências científicas mais recentes
Os especialistas também pedem que a Fifa adote os padrões propostos pelo sindicato global de jogadores FIFPRO.
‘Irresponsável com a saúde dos jogadores’
Andrew Simms, diretor do New Weather Institute e coordenador da carta, disse à BBC: “A segurança dos jogadores é uma preocupação imediata e urgente porque as coisas podem dar errado muito rapidamente quando as pessoas superaquecem.”
“Estamos preocupados que a Fifa esteja agindo de forma irresponsável com a saúde e a segurança dos jogadores.”
Como o calor afeta o corpo
BBC
Outro signatário, Douglas Casa, afirmou que grande parte das atuais diretrizes da Fifa está longe do ideal: “A pausa para hidratação em cada tempo precisa absolutamente ser maior do que três minutos — pelo menos cinco minutos por pausa e, de preferência, seis.”
“Esperamos que esta carta aberta convença a Fifa a atualizar suas diretrizes sobre calor antes da Copa do Mundo.”
Recomendações para enfrentar altas temperaturas
BBC
Por que a Copa do Mundo de 2026 preocupa
Espera-se que condições climáticas extremas tenham impacto na Copa do Mundo de 2026. Calor, tempestades e até má qualidade do ar causada por incêndios florestais fazem parte do verão nos Estados Unidos, Canadá e México, países que sediarão o torneio.
Uma nova análise da World Weather Attribution revela que jogadores e torcedores enfrentarão um risco muito maior de calor intenso e umidade durante o torneio em comparação com a Copa do Mundo de 1994, também realizada na América do Norte.
Os cientistas concluíram que cerca de um quarto das partidas provavelmente será disputado com temperaturas acima de 26°C de WBGT, enquanto aproximadamente cinco jogos podem ultrapassar 28°C de WBGT — o equivalente a cerca de 38°C em calor seco ou 30°C em condições de alta umidade — um nível que o sindicato global de jogadores FIFPRO considera inseguro para a prática esportiva.
Segundo a WWA, o risco de condições ainda mais extremas quase dobrou desde 1994 devido às mudanças climáticas.
A carta foi assinada por 20 cientistas de referência mundial
Getty Images via BBC
O que a Fifa disse?
A Fifa se recusou a comentar diretamente a carta ou as alegações dos cientistas, mas afirmou que utilizará um “modelo escalonado de mitigação do calor” durante o torneio, com medidas adaptadas às condições em tempo real.
Um porta-voz disse que haverá suporte meteorológico dedicado ao longo de toda a competição, tanto de forma centralizada quanto nas cidades-sede, com monitoramento do WBGT e do índice de calor para orientar a tomada de decisões.
Segundo a entidade, o calendário foi planejado levando em consideração o clima, com horários de início das partidas ajustados, limitação de jogos nos períodos mais quentes sempre que possível e priorização de partidas em condições mais quentes para estádios cobertos.
A Fifa afirmou ainda que o cronograma também busca minimizar deslocamentos e maximizar dias de descanso com base em avaliações específicas de risco de calor em cada local.
A entidade disse que continuará monitorando as condições em tempo real e aplicará medidas de contingência quando necessário, acrescentando que trabalha com autoridades locais e especialistas médicos para garantir um torneio “seguro e resiliente”.

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