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Cientista usa animes e mangás para ajudar jovens a se abrir na terapia

por Gilberto Cruz
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Animes são usados na terapia para ajudar pacientes com depressão
Acha difícil se abrir na terapia? 
O cientista italiano Francesco Pantò passou a adolescência se sentindo deslocado dos colegas com quem cresceu em Messina, uma comuna na região da Sicília.
“Eu me sentia muito sozinho. Foi nessa época que comecei a consumir mangás, animes e jogos. E, depois disso, passei a me sentir melhor”, afirma Pantò.
Anos depois, já formado em medicina, ele foi fazer doutorado no Japão e teve uma ideia.  
“Se eu achar uma maneira de provar os efeitos reais de animes, mangás e jogos na saúde mental do indivíduo, talvez eu consiga replicar a sensação que vivenciei e usar isso para ajudar outras pessoas.”
Foi assim que nasceu o que ele chama de “anime therapy”, ou “terapia de anime”. Uma técnica que usa essas narrativas de ficção como ferramentas para ajudar o paciente a se abrir – e o terapeuta, a entender melhor esse paciente. 
No começo, a ideia era simples: fazer perguntas sobre um anime ou mangá de que o paciente gostava para, aos poucos, incentivá-lo a expor seus próprios problemas.
Depois, evoluiu para o que poderia ser traduzido como “terapia de aconselhamento de personagem”.
Um método de terapia online em que o profissional aparece na tela como um personagem de anime, com a aparência e a voz alteradas digitalmente.
“Nós criamos seis personagens. Você tem tipo a irmã mais velha alegre, ou a mulher mais forte, ou o homem cavalheiro. São diferentes arquétipos que você normalmente vê em animes e mangás”, diz Pantò.
E que foi testado em um estudo de seis meses conduzido na Universidade Municipal de Yokohama com 20 japoneses de 18 a 29 anos que apresentavam sintomas leves de depressão.
“Eu acho que a maior novidade é o fato de o terapeuta também falar sobre seus sofrimentos”, afirma o psiquiatra. 
Afinal, esses sentimentos não são do profissional em si, mas, sim, do personagem que ele está interpretando – o que permite contornar a questão ética da profissão. 
“Eles são personagens de um mundo de fantasia, mas também são humanos que passaram por muitos traumas e problemas em suas vidas. Então eles falam da perspectiva de alguém que superou aquele tipo de problema e podem guiar o paciente.”
Os resultados desse ensaio clínico de fase um ainda não foram divulgados – segundo Pantò, o estudo deve ser publicado ainda neste ano, em inglês. 
Mas um dos voluntários chegou a dizer que o anime devolveu a ele “um entusiasmo pela vida”. Um avanço importante num país como o Japão, onde apenas 6% da população já buscou ajuda psicológica para problemas de saúde mental, segundo dados de 2022.
Mas, por conta da influência ocidental no país, isso é algo que vem mudando nos últimos anos – especialmente entre os mais jovens, que têm buscado ajuda mais cedo.
E é justamente esse o público-alvo da “terapia de anime”. Que, segundo o psiquiatra, não foca em curar transtornos mentais graves. Mas, sim, em impedir que sintomas leves iniciais evoluam a esse ponto.
“Eu acho muito importante classificar [a terapia de anime] como uma prevenção. Eu quero que seja uma forma divertida de tomar um ‘suplemento’ para a mente para não ficar doente”, diz Pantò.

DW

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