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O recuo foi de 21,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado, para 1,47 milhão de veículos.
No mesmo período, as exportações da China dispararam 88,2%, para 923 mil veículos. O movimento mostra como as montadoras chinesas estão ampliando sua presença em outros mercados diante da desaceleração da demanda interna e da forte concorrência no maior mercado automotivo do mundo.

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A queda das vendas domésticas foi mais intensa do que a associação esperava. Segundo Cui Dongshu, secretário-geral da CPCA, o aumento dos preços dos combustíveis prejudicou principalmente os veículos movidos a gasolina, enquanto a demanda por sedãs de entrada também perdeu força.
Nos primeiros sete meses do ano, as vendas domésticas de veículos de passeio acumulam queda de 20,5%, o equivalente a cerca de 2,65 milhões de unidades a menos do que no mesmo período de 2025.
Exportações ganham força
O movimento é oposto no mercado externo. As exportações de veículos elétricos e híbridos plug-in cresceram 147,8% em julho, enquanto as vendas desses modelos no mercado doméstico recuaram 3,9%.
As montadoras chinesas vêm ampliando a atuação, especialmente na Europa, no Sudeste Asiático, na América Latina e no Oriente Médio. A estratégia ajuda as fabricantes a compensar a menor demanda dentro do país e a aproveitar mercados onde a presença de marcas chinesas ainda está em expansão.
A BYD, maior fabricante mundial de veículos elétricos, é um dos exemplos. A empresa enfrenta um mercado doméstico mais fraco, mas registrou recorde de remessas internacionais em julho, contribuindo para o terceiro mês consecutivo de crescimento de suas vendas globais.
Brasil está entre os mercados que mais recebem carros chineses
O movimento de expansão das montadoras chinesas já aparece com força no Brasil. Entre janeiro e julho, o país importou 344,1 mil veículos, alta de 25,7% em relação ao mesmo período de 2025. Mais de 180 mil vieram da China — 52,4% de todos os veículos importados pelo Brasil no período.
As importações de veículos chineses cresceram 105,4% no acumulado do ano, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
A ofensiva ocorre em um momento de forte crescimento dos veículos eletrificados no mercado brasileiro. No acumulado até julho, os emplacamentos de carros elétricos e híbridos avançaram 120,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Em julho, os eletrificados responderam por 23,5% dos emplacamentos de veículos no país, a maior participação registrada até então.
Montadoras buscam espaço fora da China
A expansão internacional ocorre em um momento de maior competição dentro da própria China. Com consumidores mais seletivos e uma grande quantidade de novos modelos, as fabricantes enfrentam pressão para manter preços competitivos e preservar margens.
Segundo analistas, a demanda por substituição de veículos perdeu força depois do impulso provocado pelos subsídios, enquanto os consumidores passaram a selecionar mais os modelos antes de comprar.
O secretário-geral da CPCA, Cui Dongshu, resumiu o desafio das fabricantes: enquanto as montadoras tentam avançar para segmentos mais sofisticados, os consumidores chineses continuam priorizando veículos com melhor relação entre preço e benefício.
Estratégia inclui produção no exterior
Além de aumentar as exportações, as fabricantes chinesas também estão buscando produzir mais perto dos mercados consumidores.
Um exemplo é a Geely, que fechou acordo com a Ford para produzir SUVs elétricos em uma fábrica da montadora americana na Espanha. A estratégia permite às empresas chinesas ampliar a capacidade de produção e facilitar o acesso ao mercado europeu.
Fábrica da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador — Foto: Malu Vieira/ g1 BA
No Brasil, o movimento também deve continuar. Sete novas marcas chinesas têm planos de entrar no mercado brasileiro até 2028, segundo levantamento divulgado pelo g1.
A expansão aumenta a concorrência com fabricantes tradicionais e já começa a pressionar os preços. Segundo estudo da Bright Consulting, o preço médio dos veículos zero quilômetro teve queda real de 1,5% em 2026, descontada a inflação.
Pressão sobre o setor deve continuar
Apesar do avanço das exportações, a fraqueza do mercado chinês pode continuar no segundo semestre.
Analistas do Deutsche Bank avaliam que as montadoras devem enfrentar pressão sobre as margens com o aumento das promoções e dos custos de componentes, como baterias de lítio e memórias para semicondutores.
O cenário cria uma situação paradoxal para a indústria chinesa: as vendas dentro do país perdem força justamente quando as montadoras aceleram a expansão internacional — e mercados como o Brasil ganham importância nessa estratégia.
*Com informações da Reuters
