Início » China rebate tarifas dos EUA e reforça apelo por livre comércio | G1

China rebate tarifas dos EUA e reforça apelo por livre comércio | G1

por Gilberto Cruz
china-rebate-tarifas-dos-eua-e-reforca-apelo-por-livre-comercio-|-g1

A manifestação ocorre após os EUA anunciarem tarifas de 10% e 12,5% sobre produtos de 60 parceiros comerciais. Entre os atingidos estão a União Europeia, que recebeu a taxa de 10%, o Brasil e a China, ambos com uma alíquota de 12,5%.

Segundo Washington, os países atingidos não adotaram medidas suficientes para restringir importações associadas ao trabalho degradante.

Pequim rejeitou a acusação e reagiu criticando o histórico dos próprios EUA na área trabalhista. O ministério afirmou que Washington voltou a recorrer à Seção 301 para justificar uma investigação comercial e impor tarifas unilaterais com base em acusações de trabalho forçado.

Em nota, o órgão classificou a medida como “um ato típico de unilateralismo e protecionismo” e afirmou que a China mantém uma ampla estrutura de leis trabalhistas.

O governo chinês também acusou os EUA de não terem ratificado a Convenção sobre Trabalho Forçado de 1930 e de utilizarem o tema de forma política.

Apesar de alertar que reserva o direito de “tomar todas as medidas necessárias”, Pequim indicou disposição para manter o diálogo “baseado em respeito mútuo, igualdade e benefício mútuo”.

O ministério afirmou que os EUA haviam se comprometido, em negociações anteriores, a limitar eventuais tarifas adicionais a 20%.

Como a nova taxa aplicada à China ficou em 12,5%, Pequim indicou que ainda vê espaço para manter a trégua comercial e avançar nas conversas antes da possível visita do presidente Xi Jinping a Washington, prevista para setembro.

China também critica possível investigação dos EUA sobre inteligência artificial

Além das tarifas, a China criticou a possibilidade de os Estados Unidos abrirem uma investigação sobre o setor chinês de inteligência artificial.

Pequim acusou Washington de promover um “hegemonismo por IA” e de recorrer a medidas unilaterais para conter o avanço tecnológico chinês.

O governo também condenou o que chamou de “difamação” e ameaças de sanções contra empresas do setor.

O governo chinês afirmou que acompanhará os desdobramentos e prometeu adotar “todas as medidas necessárias” para proteger os direitos e interesses de suas empresas. A reação amplia a lista de atritos entre as duas maiores economias do mundo, que já disputam espaço em áreas como comércio, semicondutores e inteligência artificial.

Lula e Xi Jinping em encontro em 2025 — Foto: Getty Images via BBC

Apoio ao Brasil em meio a pressões dos EUA

Na conversa, Xi afirmou a Lula que valoriza o status internacional do Brasil e garantiu suporte político ao país “na defesa de sua soberania e independência, na oposição à interferência externa e na contribuição para a manutenção da paz e da estabilidade regional e mundial”.

Pequim acrescentou que, “diante de novas circunstâncias e desafios”, ambas as nações devem se posicionar “firmemente do lado certo da história”.

Brasil e China aceleram discussão sobre acordo com o Mercosul

Em meio ao aumento das tensões comerciais com os EUA, especialistas avaliam que a diversificação de mercados se torna ainda mais estratégica para países exportadores como o Brasil.

A ampliação dos destinos das exportações reduz a dependência de um único parceiro comercial e ajuda a amortecer os impactos de tarifas e disputas geopolíticas sobre setores mais expostos ao mercado americano.

Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto, o governo brasileiro informou que a conversa tratou da “implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países”, sem citar abertamente o pacote tarifário imposto pelo governo de Donald Trump.

Para mitigar a dependência e amortecer os impactos do protecionismo americano, os dois presidentes concordaram sobre a urgência de acelerar as negociações para a criação de um acordo comercial entre o Mercosul e a China, prevendo as flexibilidades necessárias para o bloco sul-americano.

*Com informações da Reuters

você pode gostar

SAIBA QUEM SOMOS

Somos um dos maiores portais de noticias de toda nossa região, estamos focados em levar as melhores noticias até você, para que fique sempre atualizado com os acontecimentos do momento.

CONTATOS

noticias recentes

as mais lidas

Jornal de Minas Ltda © Todos direitos reservados CNPJ: 65.412.550/0001-63