Início » Candidaturas envelhecem em 2026, e cresce a participação de candidatos com 60 anos ou mais

Candidaturas envelhecem em 2026, e cresce a participação de candidatos com 60 anos ou mais

por Gilberto Cruz
candidaturas-envelhecem-em-2026,-e-cresce-a-participacao-de-candidatos-com-60-anos-ou-mais


Urna eletrônica eleições mulher
Tribunal Superior Eleitoral/TSE
Os candidatos que disputam as eleições de 2026 estão mais velhos do que os que concorreram em 2022. A idade média aumentou em todos os cargos analisados, enquanto a participação de candidatos com 60 anos ou mais passou de 17,48% para 21,03% do total.
O levantamento é do g1, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e considera todos os candidatos registrados na eleição passada (29.262) e na atual (20.621).
O movimento ocorre em uma eleição na qual o próprio eleitorado brasileiro também está mais velho. Segundo o TSE, o número de eleitores com 60 anos ou mais cresceu 13,9% em relação a 2022, enquanto o contingente de jovens aptos a votar diminuiu. Ao todo, 158,7 milhões de brasileiros estão aptos a ir às urnas em outubro.
Para a cientista política e professora da UFRJ Mayra Goulart, o envelhecimento das candidaturas reflete uma maior concentração do sistema político, que tem reduzido o espaço para novos concorrentes.
Segundo ela, a queda no número de candidaturas, combinada a mudanças nas regras eleitorais, como o fim das coligações proporcionais e o endurecimento da cláusula de barreira, contribuiu para reduzir o número de partidos com peso eleitoral e restringir as disputas a grupos já estabelecidos.
“O primeiro dado a observar não é a idade, é o volume: passamos de 29 mil para 20 mil candidaturas registradas, uma queda de quase 30%. Menos gente disputando e a disputa concentrada em quem já está dentro — a idade média sobe como consequência”, afirma.
Velha novidade
A mudança no perfil fica mais clara quando os concorrentes são divididos por faixa etária. Todas as faixas abaixo dos 60 anos perderam participação em relação a 2022. Entre os candidatos mais velhos, ocorreu o contrário.
O maior crescimento foi justamente entre os candidatos de 60 a 69 anos, que passaram de 13,91% para 16,04% do total — avanço de 2,13 pontos percentuais. A participação daqueles com 70 anos ou mais também aumentou, de 3,57% para 4,99%.
Na outra ponta, a maior redução ocorreu entre os candidatos de 30 a 39 anos: eles representavam 16,90% do total em 2022 e agora são 14,97%. As demais faixas abaixo dos 60 anos também perderam participação, mas em proporções menores.
Com isso, a parcela de candidatos com 60 anos ou mais passou de 17,48% para 21,03% do total. Ou seja, mais de um em cada cinco concorrentes nas eleições deste ano tem 60 anos ou mais.
Mais velhos ganham espaço mesmo com menos candidaturas
O aumento da participação dos candidatos mais velhos ocorre apesar da queda no número total de candidaturas entre as duas eleições. Isso significa que o ganho de participação não necessariamente corresponde a um aumento no número absoluto de concorrentes.
Entre os candidatos de 60 a 69 anos, por exemplo, o número caiu de 4.069 para 3.307. A redução, porém, foi menor que a registrada no conjunto das candidaturas, o que fez aumentar o peso dessa faixa no total.
O movimento é ainda mais evidente entre os candidatos com 70 anos ou mais. Eram 1.044 em 2022 e são 1.030 agora — apenas 14 a menos, em uma eleição com mais de 8 mil candidaturas a menos no país.
Com isso, apesar da estabilidade no número absoluto, a participação dos candidatos com 70 anos ou mais passou de 3,57% para 4,99%.
Idade média aumenta em todos os cargos
Outra forma de observar o envelhecimento das candidaturas é pela idade média dos concorrentes. Na comparação com 2022, ela aumentou em todos os cargos analisados, embora em intensidades diferentes.
A maior diferença aparece entre os candidatos a vice-presidente. A média passou de 53,92 anos em 2022 para 60,33 neste ano.
Também houve altas mais expressivas entre os candidatos a vice-governador, cuja média passou de 47,21 para 51,39 anos, e a deputado distrital, de 46,90 para 49,82 anos.
Nos cargos com maior número de candidatos, as mudanças foram mais discretas. Entre os concorrentes a deputado estadual, a média passou de 48,21 para 49,56 anos. Para deputado federal, houve praticamente estabilidade: de 48,99 para 49,30 anos — a menor variação entre os cargos analisados.
Nos principais cargos majoritários, o aumento ficou próximo de um ano. Entre os candidatos a governador, a média passou de 51,29 para 52,48 anos. No Senado, de 55,10 para 56,02 anos. Na disputa pela Presidência da República, de 57,77 para 58,67 anos.

você pode gostar

SAIBA QUEM SOMOS

Somos um dos maiores portais de noticias de toda nossa região, estamos focados em levar as melhores noticias até você, para que fique sempre atualizado com os acontecimentos do momento.

CONTATOS

noticias recentes

as mais lidas

Jornal de Minas Ltda © Todos direitos reservados CNPJ: 65.412.550/0001-63