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Brasil tem menor número de casos de malária em 48 anos

por Gilberto Cruz
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Novo medicamento contra malária no SUS
O Brasil registrou em 2025 o menor número de casos de malária em quase 50 anos, segundo o Ministério da Saúde. Foram 118.037 casos de transmissão local no país, queda de 14,8% em relação a 2024.
Além da redução no número de casos, o país também vive uma queda no número de mortes, que reduziu 30%. Segundo a pasta, a medida é reflexo do uso da tafenoquina, medicamento de dose única oferecido pelo SUS desde 2024 para evitar que a doença volte a se manifestar.
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Brasília, durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, que reúne pesquisadores e profissionais dedicados a doenças tropicais, nesta segunda-feira (17).
De acordo com a pasta, o número é o menor registrado desde 1978. No entanto, os dados disponíveis no site do ministério da saúde mostram os dados apenas desde 2007.
Queda no número de casos de malária no Brasil
Arte/g1
Neste ano, o tratamento passou por uma expansão inédita: o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a oferecer tafenoquina também para crianças pelo sistema público de saúde. A aposta do ministério é que a medida amplie ainda mais a queda nos casos, já que o público infantil concentra cerca de 50% dos registros de malária no país.
As primeiras doses foram aplicadas no território indígena Yanomami, em Roraima, que viveu uma crise humanitária, com dezenas de mortes por malária em 2023. Com isso, a expectativa é reduzir ainda mais o número de mortes e casos.
Anúncio foi feito por Padilha em evento nesta segunda-feira (17)
Divulgação/Ministério da Saúde
A mudança com a tafenoquina
A espécie de parasita mais comum no Brasil, o Plasmodium vivax, tem uma particularidade que dificulta o controle da doença: mesmo depois de tratada, uma forma do parasita pode ficar alojada no fígado do paciente e provocar novos episódios meses depois, sem uma nova picada de mosquito.
Até 2023, o tratamento padrão contra essas recaídas exigia doses diárias por até duas semanas — um esquema que esbarra na adesão, sobretudo em regiões de difícil acesso.
Em junho de 2023, o SUS incorporou a tafenoquina — medicamento indicado especificamente para a malária causada pelo P. vivax e de dose única. Até então, o remédio era oferecido apenas para pacientes a partir de 16 anos.
O medicamento foi utilizado por mais de 33,7 mil pessoas até junho deste ano. Desse total, 3,9 mil tratamentos foram registrados em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) – áreas vulneráveis para a doença.
Segundo o Ministério da Saúde, o resultado na redução do número de casos, com o menor registro desde 1978, é resultado do tratamento.
Neste ano, o governo anunciou a expansão com a aplicação também para crianças e se tornou o primeiro país do mundo a oferecer o tratamento.
Indígenas da comunidade Sikamabiu, na Terra Yanomami
Caíque Rodrigues/g1 RR
O impacto na Terra Yanomami
Não foi por acaso que a distribuição da tafenoquina pediátrica começou pela Terra Indígena Yanomami, em Roraima, antes de chegar a outros territórios. A malária é uma das principais preocupações de saúde na região, que viveu uma grave crise sanitária nos últimos anos.
Em 20 de janeiro de 2023, o governo federal decretou emergência em saúde pública na Terra Yanomami, após indígenas serem encontrados com quadros graves de desnutrição e malária. Entre janeiro e junho daquele ano, 217 pessoas morreram na região, vítimas de desnutrição, malária, infecções respiratórias agudas e outras causas.
Entre março e junho de 2026, as recaídas de malária caíram 61,9% em relação ao mesmo período de 2025. Já o total de casos da doença — que inclui infecções novas e recaídas — recuou 55% entre janeiro e julho deste ano, na comparação com igual intervalo do ano anterior.

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