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Bondades de Lula superam R$ 280 bilhões e se aproximam de Bolsonaro | G1

por Gilberto Cruz
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Apesar de a legislação restringir esse tipo de iniciativa, anos eleitorais historicamente costumam registrar impulso na economia gerado por ações do governo. Ao comparar as medidas adotadas nas duas eleições, é possível ver estratégias bastante diferentes entre Lula e Bolsonaro.

Na época, o resultado foi um choque no caixa do Tesouro: R$ 167,7 bilhões em isenções e desonerações (51,6%), além de R$ 123 bilhões em renda adicional para a população por meio do reforço dos programas sociais (37,9%). Os valores foram corrigidos pelo IPCA.

Em 2026, a fórmula é bem diferente. Limitado pelo novo arcabouço fiscal, o governo traçou um caminho alternativo: tenta criar uma sensação de bem-estar econômico mexendo o mínimo possível no próprio caixa. A solução foi recorrer ao sistema financeiro e a fundos estatais de garantia.

Dos recursos mobilizados pela atual gestão, R$ 193,5 bilhões (69%) dependem de um gesto simples, mas decisivo, do cidadão ou do empresário: assinar um contrato de dívida.

A assinatura desse contrato para comprar um carro ou uma geladeira nova, no entanto, pode estar esbarrando na realidade. Com o endividamento em alta e a inadimplência em nível recorde, muitos brasileiros — que até gostariam de tomar crédito — não conseguem porque estão com o nome sujo.

Essa diferença entre expectativa e realidade é simbolizada pela marcha lenta do programa Move Brasil. A iniciativa, que prevê R$ 30 bilhões em crédito para a compra de carros por motoristas de aplicativo e taxistas, entra no segundo mês com apenas R$ 2 bilhões liberados.

A razão? Boa parte dos interessados está com nome sujo ou não consegue cumprir as exigências dos bancos. Isso talvez explique a obsessão do atual governo com as iniciativas para renegociar dívidas, como o Desenrola que cresceu e alcança agora até quem está adimplente.

‘Busca incessante’ pelo equilíbrio fiscal

O Ministério da Fazenda nega que haja uma concentração de medidas econômicas com objetivo eleitoral e afirma que a equipe busca o equilíbrio das contas públicas. Segundo a pasta, há uma “busca incessante do equilíbrio fiscal, em especial com a meta de alcançar superávits primários em curtíssimo prazo”.

Em nota à GloboNews, o Ministério da Fazenda afirma que, desde o início do governo, foram aprovadas “cerca de 70 políticas públicas” na área econômica pelo Congresso Nacional. “Ou seja, este governo trabalha desde seu início para resolver questões econômicas, estruturais e conjunturais”, cita a nota.

A Fazenda cita como exemplo o novo “Novo Desenrola Brasil”, considerado uma política de longo prazo. “O endividamento das famílias é um problema persistente desde a pandemia, que o governo se esforça para mitigar”, cita.

“A reforma buscou enfrentar essa distorção com o propósito de ampliar a justiça tributária e contribuir para a redução da desigualdade socioeconômica em um dos países mais desiguais do mundo”, diz o texto.

Sobre os juros cobrados nos empréstimos e incidentes sobre a dívida pública, o Ministério afirma que eles refletem uma combinação de fatores. “Como os prêmios de risco fiscal, inflacionário, cambial, o diferencial entre os juros domésticos e internacionais, a distância da inflação à meta e a política de juro básico da autoridade monetária para a convergência da inflação efetiva à meta”, cita o texto.

“Em particular, desde setembro de 2023, o juro médio americano, principal referência global de juro, muito influente sobre o juro brasil🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1eiro, tem estado em máximas de 20 anos. Ou seja, para além dos riscos, por exemplo, fiscais e cambiais, a conjuntura global de juros tem contribuído para a resistência à queda da curva de juros no Brasil, o que onera o custo de rolagem da dívida pública”, argumenta a Fazenda.

O Ministério nega ainda que não haja esforço para equilíbrio das contas públicas. “A política fiscal tem buscado contribuir com a redução das taxas de juros e, por consequência, do pagamento de juros nominais, via busca incessante do equilíbrio fiscal, em especial com a meta de alcançar superávits primários em curtíssimo prazo. Assim, reduz-se a precificação do risco fiscal, reduzem-se os cupons cambiais e ajuda-se a estabilizar mais rapidamente a dívida pública”, diz a nota.

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