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Abuso de álcool: atendimentos caem 25% em São Paulo em três anos

por Redação


Abuso de álcool: atendimentos caem 25% em São Paulo em três anos
Nos últimos três anos, a cidade de São Paulo registrou uma queda de 25% nos atendimentos relacionados ao uso abusivo de álcool na rede pública de saúde mental. A redução acompanha um movimento mais amplo de conscientização sobre o impacto do álcool no organismo e a busca por hábitos mais saudáveis.
Dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) mostram que os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) da capital paulista realizaram 7.900 atendimentos por uso abusivo de álcool em 2023, 6.626 em 2024 e 5.907 no ano passado. A mudança de comportamento tem sido observada em outras regiões do Brasil e acompanha uma tendência internacional.
Em entrevista ao podcast O Assunto, do g1, a socióloga Mariana Thibes, coordenadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), destacou que os jovens estão bebendo menos devido ao maior acesso à informação sobre os riscos à saúde, preocupação com reputação nas redes sociais e rejeição à embriaguez, vista cada vez mais como símbolo de vulnerabilidade.
Capital paulista tem 35 Caps AD, que oferecem tratamento gratuito contra álcool e drogas
Divulgação/SMS – Prefeitura de São Paulo
Para as gerações anteriores, ficar embriagado ainda era visto como algo positivo, muito presente na sociabilidade. Para essa geração, ficar bêbado é visto como símbolo de vulnerabilidade, de você estar se expondo a situações de violência. Essa também é uma geração que frequenta muito mais academia, preocupada com o corpo, com a saúde, com a estética.
Pesquisa realizada pelo Ipsos-Ipec, com dados de 2025, mostra que 64% dos brasileiros declararam não ter bebido álcool durante todo o ano – em 2023, esse número era de 55%. E a queda é ainda mais acentuada entre os jovens: na faixa etária de 18 a 24 anos, a proporção dos que declaram não ter consumido álcool saltou de 46% para 64%.
Benefícios ao reduzir o consumo de álcool
Consumo de bebida alcoólica pode afetar organismo, mesmo que seja somente em situações “sociais”
Mônica Costa/Rede Amazônica
Segundo o cirurgião gastrointestinal Lucas Nacif, a melhora no organismo é perceptível mesmo para quem reduz — e não abandona totalmente — o consumo.
“O álcool causa lesões em vasos sanguíneos, danos cerebrais e problemas gastrointestinais. Quando há abstenção, o corpo rapidamente mostra sinais de recuperação.”
O médico alerta que até o consumo considerado “social” pode afetar os sistemas neurológico, cardiovascular e digestivo.
“Evitar a bebida previne gastrite, esofagite e até pancreatite. Além disso, o sono, o desempenho físico e o equilíbrio emocional melhoram bastante”, completa.
Quando é hora de buscar ajuda?
De acordo com o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), o consumo abusivo de álcool é caracterizado por cinco ou mais doses em uma única ocasião para homens, e quatro ou mais para mulheres — pelo menos uma vez no último mês.
A instituição alerta para sinais de dependência que vão além da quantidade bebida: dificuldade em parar, sintomas físicos na abstinência, problemas familiares ou de trabalho e isolamento social são alguns deles.
Quando o consumo começa a trazer prejuízos, a recomendação é procurar os Caps AD, unidades do SUS especializadas no tratamento de transtornos relacionados ao álcool e outras drogas. Somente na capital paulista, são 35 centros voltados a esse público.
O atendimento nos Caps é gratuito, de livre demanda e não exige agendamento prévio. É possível localizar a unidade mais próxima por meio da plataforma Busca Saúde.
Além disso, o Alcoólicos Anônimos (AA) oferece uma alternativa gratuita e complementar para quem busca apoio no combate ao alcoolismo. Os grupos realizam reuniões presenciais e online baseadas em um programa de 12 passos, focado na recuperação por meio de compartilhamento de experiências.
Existem grupos que promovem encontros em todas as regiões da cidade e que podem ser consultados no site oficial.
Tecnologia a favor da prevenção
ModeraSP oferece aconselhamento em saúde e acesso ao tratamento para pessoas com risco de dependência por álcool
Divulgação/Prefeitura de São Paulo
Lançado em 2024, o ModeraSP já tem mais de 100 mil usuários cadastrados e mais de 35 mil triagens realizadas com base em orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A ferramenta, disponível no aplicativo e-saudeSP para Android e iOS, identifica o nível de risco do consumo de álcool e orienta o usuário com acompanhamento de uma assistente virtual chamada Susana.
Nos casos mais graves, a plataforma já encaminhou 1.872 pessoas a Unidades Básicas de Saúde (UBSs) desde 2024.
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) é pela Atenção Básica, por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), administradas pelos municípios e fortalecidos pela SES, por meio de cursos, palestras, eventos, apoio técnico em programas, projetos e ações.

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