Zema diz que, se eleito presidente, vai garantir a reposição da inflação no salário mínimo

Zema diz que, se eleito presidente, vai garantir a reposição da inflação no salário mínimo


Romeu Zema, candidato à Presidência da República pelo Novo
Globo/ Manoella Mello
O candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, concede nesta segunda-feira (24) entrevista à Globo. A atração é exibida ao vivo dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e tem transmissão pelo g1 e pela GloboNews.
Esta é a primeira vez que as entrevistas da Globo com candidatos ao Palácio do Planalto serão exibidas após o Jornal Nacional, e não dentro do telejornal. Após a exibição, a entrevista vai ficar disponível na íntegra no g1 e no Globoplay.
Agora no g1
Veja destaques da entrevista de Romeu Zema à Globo:
Salário mínimo
Ao falar sobre propostas de ajuste fiscal, Zema disse que, se eleito, garantirá a reposição da inflação no salário mínimo.
“Garanto que ninguém vai ter perda”, declarou. “Se tiver inflação, nós daremos toda a inflação. É um absurdo um aposentado não ter a reposição inflacionária ou, pior, ficar sem receber a aposentadoria”.
O ex-governador ainda disse que manteria o ganho com relação ao crescimento dos dois anos anteriores se a economia “estiver indo bem”.
Zema disse que a prioridade dele, se eleito, é que a taxa de juros caia. “Com um governo sério, com credibilidade, combatendo corrupção e fraudes, essa taxa cai para 6%. Só aí nós vamos ter uma economia de R$ 800 bilhões por ano”.
Dívida pública
A primeira pergunta a Zema foi sobre como ele pretende, se eleito, equilibrar os gastos do país, dado que, enquanto governador de Minas Gerais, a dívida pública do estado praticamente dobrou. Segundo ele, isso aconteceu porque o déficit foi “herdado dos anos 90”. Zema afirmou que não fez nenhum empréstimo ou financiamento durante sua gestão de quase 8 anos em Minas.
“Eu paguei R$ 23 bilhões para aposentado que não recebia aposentadoria”, disse. “Eu paguei R$ 13 bilhões para o governo federal, funcionários públicos, e hoje a dívida representa muito menos para a economia de Minas do que representava quando eu assumi.”
Ainda de acordo com o candidato, ele assumiu com um déficit de R$ 11 bilhões em 2018 e deixou o cargo com um superávit de R$ 5 bilhões. “Ou seja, o estado gastando menos do que arrecada, e antes gastava-se muito mais do que arrecadava. O ajuste foi feito.”
Privatizações
Ao ser questionado sobre a promessa de privatizar estatais federais se for eleito presidente, apesar de não ter conseguido vender a Cemig, principal empresa estatal mineira quando foi governador, Zema afirmou que vendeu 118 empresas e participações do governo de Minas Gerais durante os anos em que esteve à frente do estado.
O ex-governador citou entre os ativos negociados participações na Light e na Companhia Brasileira de Lítio, além da privatização da Copasa. Segundo ele, uma mudança na Constituição mineira exigia o apoio de três quintos da Assembleia Legislativa para a venda de estatais e essa maioria foi alcançada no caso da companhia de saneamento.
“Ficou faltando uma empresa só. Todas as outras foram vendidas. E, lembrando um detalhe importantíssimo durante a minha gestão, a empresa de saneamento de Minas, que é a Copasa, e a empresa de energia de Minas, que é a Cemig valorizaram estrondosos 300%, porque não teve roubalheira, não teve corrupção. Foi uma gestão profissional, valorizando o patrimônio do mineiro, e eu vou fazer o mesmo no Brasil”, disse o candidato.
Confira as datas das entrevistas com candidatos a presidente para a Globo
A entrevista com Zema é a primeira de uma série com os candidatos à Presidência da República. A Globo convidou os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos.
Confira a data de cada entrevista:
24 de agosto (segunda-feira): Romeu Zema (Novo)
25 de agosto (terça-feira): Ronaldo Caiado (PSD)
26 de agosto (quarta-feira): Renan Santos (Missão)
27 de agosto (quinta-feira): Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
28 de agosto (sexta-feira): Flávio Bolsonaro (PL)
29 de agosto (sábado): Augusto Cury (Avante)
O 1º turno das eleições será em 4 de outubro.
Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema: candidatos à Presidência da República
Divulgação
Quem é Romeu Zema
Romeu Zema, de 61 anos, é empresário e ex-governador de Minas Gerais. Depois de se afastar da gestão das empresas da família para entrar na política, foi eleito governador em 2018 e reeleito em 2022. Agora, candidato do Novo à Presidência, tenta se apresentar como uma alternativa ao bolsonarismo, embora tenha apoiado Jair Bolsonaro nas duas eleições anteriores.
Zema se aproximou da família Bolsonaro em 2018, mas passou a se distanciar e, mais recentemente, intensificou as críticas a Flávio Bolsonaro, dizendo que é preciso unir a direita para derrotar Lula. Nas pesquisas, aparecia com 2% das intenções de voto na Quaest de 14 de agosto.
Romeu Zema, César Tralli e Renata Vasconcellos nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro
Globo/ Manoella Mello
O discurso de Zema mantém como eixos a redução do tamanho do Estado, reformas administrativas e críticas ao PT e ao STF. Zema defende mudanças nas regras para ministros da Corte e já entrou em conflito público com Gilmar Mendes.
No governo de Minas, das 12 promessas feitas em 2022, quatro foram cumpridas integralmente, cinco parcialmente e três não foram cumpridas.
O plano de governo de Romeu Zema para a Presidência, registrado no TSE, propõe uma agenda de forte redução da participação do Estado na economia, flexibilização das relações trabalhistas e endurecimento das políticas de segurança pública.
Entre as medidas estão a privatização de estatais, mudanças na Previdência e na CLT, ampliação do acesso a armas, redução da maioridade penal, mudanças no funcionamento do STF e alterações no sistema político e na política externa.
Veja as principais propostas de Zema:
permitir o porte de armas em toda a extensão das propriedades rurais;
classificar facções criminosas como organizações terroristas e empregar as Forças Armadas na retomada de territórios;
privatizar todas as empresas estatais e ampliar parcerias público-privadas, inclusive em saúde e educação;
criar um regime de contratação alternativo à CLT;
depositar R$ 1 mil para cada brasileiro ao nascer – o dinheiro seria aplicado em fundos de ações e retirado quando o beneficiário completasse 18 anos;
reduzir a maioridade penal para 16 anos, com possibilidade de responsabilização de pessoas ainda mais jovens em casos excepcionais;
internar involuntariamente, ou seja, mesmo contra a vontade da pessoa, dependentes de drogas e álcool que vivem nas ruas;
proibir barracas e abrigos improvisados em calçadas, praças e outros espaços públicos;
criar um programa nacional para estimular a união progressiva de municípios sem sustentação financeira própria;
acabar com os fundos Eleitoral e Partidário;
retirar o Brasil do Brics e buscar a entrada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

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