O ex-funcionário Devin Kim afirma no processo, protocolado na terça-feira (09) em um tribunal estadual da Califórnia, que seus esforços para estabelecer proteções no desenvolvimento do chatbot Grok fizeram dele um alvo da liderança da empresa.
“Kim reclamou repetidamente que a falha da xAI em priorizar a segurança da inteligência artificial, especialmente em relação ao Grok, praticamente garantia que a empresa cometeria atos ilegais, desde fomentar discriminação até contribuir para a proliferação de armas de destruição em massa”, afirma o processo.
A xAI e a SpaceX não responderam imediatamente aos pedidos de comentário sobre a ação de Kim.
Na semana passada, o Center for AI Safety, organização sem fins lucrativos dedicada ao estudo dos riscos potenciais da inteligência artificial, anunciou a nomeação de Kim para a presidência da entidade.
Musk, a pessoa mais rica do mundo, fundou a xAI em 2023 como o que descreveu ser uma alternativa mais segura à OpenAI, organização que ajudou a criar mais de uma década antes. No mês passado, um júri rejeitou uma ação movida por Musk que alegava que a OpenAI havia se desviado de sua missão original de beneficiar a humanidade.
Segundo o novo processo, Kim foi uma das primeiras contratações da xAI em 2024 e foi promovido a um cargo de liderança poucos meses após ingressar na empresa.
Kim afirma que Musk esperava que a xAI implementasse testes e procedimentos adequados de segurança. No entanto, segundo a ação, seu supervisor, Jimmy Ba, cofundador da xAI, ignorou essas diretrizes e rejeitou a insistência de Kim em adotar mecanismos de proteção.
Kim diz que Ba o demitiu abruptamente em setembro do ano passado, pouco antes de ele fazer uma apresentação sobre segurança em inteligência artificial para a liderança da empresa.
O processo acusa a xAI e a SpaceX de retaliação e demissão injusta em violação à legislação da Califórnia, e pede indenização por danos em valor não especificado.
A SpaceX e outros empreendimentos de Musk, incluindo a fabricante de veículos elétricos Tesla, enfrentam há anos alegações relacionadas à segurança, desde riscos para funcionários até preocupações envolvendo tecnologias de direção autônoma.
Em 2023, a Reuters documentou pelo menos 600 acidentes de trabalho anteriormente não divulgados na SpaceX, incluindo esmagamentos de membros, amputações, choques elétricos e uma morte.
Alguns funcionários atribuíram os problemas a uma cultura de segurança considerada permissiva e à crença de Musk de que a SpaceX está em uma corrida urgente para criar um refúgio no espaço diante de uma Terra em declínio.
Na época, a SpaceX não comentou o caso. Em documentos apresentados à Justiça e em outras ocasiões, porém, a empresa defendeu seu histórico de segurança e afirmou oferecer treinamento extensivo aos funcionários.
Grok, inteligência artificial criada por Elon Musk — Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration