
Vorcaro admite à PF que Master tinha problemas de liquidez e usava FGC como modelo de negócio
Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro afirmou que Ailton de Aquino Santos, diretor de fiscalização do Banco Central, atuou com normalidade sobre negócio com BRB até o dia de sua prisão, realizada em 17 de novembro.
O blog teve acesso à transcrição do depoimento dado no final de 2025 à delegada da PF responsável pelo caso.
Segundo as informações constantes na transcrição, realizada por meio de inteligência artificial, o dono do Banco Master afirmou que a atuação da diretoria de fiscalização do Banco Central transcorreu dentro da normalidade e que eram debatidos diariamente os pontos com relação tanto ao Banco Master, quanto à negociação do BRB.
Segundo Vorcaro, ele e o diretor Ailton chegaram a participar de uma reunião por videoconferência no próprio dia 17 de novembro de 2025, data em que foi efetivada a prisão do banqueiro.
O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o BRB no valor de R$ 12,2 bilhões.
Fachada do Banco Master na Faria Lima e Daniel Vorcaro
Amanda Perobelli/Reuters; Reprodução
Ainda de acordo com a transcrição, Vorcaro disse que o acompanhamento do Banco Central sobre as operações do Master era constante. Ele afirmou que o órgão regulador não só sabia como acompanhou todo o processo de negociação de venda para o BRB.
O empresário também relatou surpresa com a deflagração da operação policial e com sua prisão. Segundo ele, após uma notificação recebida em março de 2025, não houve novos questionamentos por parte das autoridades.
No depoimento, Vorcaro ainda apontou a existência de um conflito interno dentro do Banco Central. De acordo com a transcrição, ele diz que, enquanto a diretoria comandada por Ailton buscava uma solução de mercado para o caso, a diretoria de organização financeira teria sido responsável por gerar o alvoroço que culminou na liquidação do banco e em sua prisão.
Por fim, Vorcaro afirmou que, no próprio dia 17 de novembro, solicitou uma reunião com o diretor de fiscalização para apresentar um plano definitivo de solução. A proposta, segundo ele, previa a venda de instituições do grupo a investidores estrangeiros. No encontro, o banqueiro disse ainda ter informado que viajaria ao exterior para concluir essas negociações.
Diretor nega ter recomendado aquisição de carteiras fraudadas
Em nota, o Banco Central disse que, sob o comando do diretor Ailton de Aquino Santos, a área de supervisão identificou inconsistências nas cessões de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB e iniciou investigações que comprovaram a insubsistência dos ativos.
O diretor sustenta que nunca recomendou a aquisição de carteiras fraudadas e afirma que, em nome da transparência, colocou à disposição do MPF e da Polícia Federal suas informações bancárias, fiscais e registros de conversas com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, abrindo mão do sigilo para esse fim.
Foi a área comandada por Ailton, segundo a nota, que comunicou os indícios de ilícitos ao Ministério Público Federal, adotou medida prudencial preventiva para evitar novos impactos na liquidez do BRB e levou à Diretoria Colegiada a proposta de liquidação extrajudicial das instituições do conglomerado Master.
Vorcaro diz à PF que diretor do BC atuou com normalidade sobre negócio com BRB até o dia de sua prisão
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