Vorcaro diz à PF que conversou com Ibaneis sobre venda do Banco Master ao BRB

Vorcaro diz à PF que conversou com Ibaneis sobre venda do Banco Master ao BRB


Vorcaro admite à PF que Master tinha problemas de liquidez e usava FGC como modelo de negócio
Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro afirmou que conversou com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a proposta de venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), controlado pelo governo do DF. O negócio foi barrado pelo Banco Central (BC).
O blog teve acesso à transcrição do depoimento dado no final de 2025 à delegada da PF responsável pelo caso que investiga fraudes ligadas ao Master.
Segundo informações que constam da transcrição feita via inteligência artificial, o dono do Master afirmou que teve encontros institucionais com Ibaneis entre janeiro de 2024 e 2025.
Vorcaro relatou que os encontros ocorreram em sua casa e na casa do governador, em Brasília.
Fachada do Banco Master na Faria Lima e Daniel Vorcaro
Amanda Perobelli/Reuters; Reprodução
Nesta sexta-feira (23), o governador do Distrito Federal confirmou que se encontrou com o banqueiro Daniel Vorcaro, mas negou que tenha tratado da venda do banco Master ao BRB.
“Em momento algum nas quatro vezes que o encontrei tratei de assuntos relacionados ao BRB/Master. Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique [Costa]”, disse Ibaneis Rocha.
Ibaneis Rocha, governador do DF
Renato Alves/Agência Brasília
Ao longo de 2025, o BRB tentou comprar boa parte do Master – uma operação que contou com grande apoio do governo do DF, acionista controlador do banco público, mas foi barrada pelo Banco Central.
O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o BRB no valor de R$ 12,2 bilhões.
O BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025 — e o Ministério Público vê indícios de gestão fraudulenta nessas transferências.
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FGC como modelo de negócio
O dono do Master relatou também que o banco tinha problemas de liquidez e usava o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como modelo de negócio.
No entanto, ele afirmou que relatório do Banco Central indica que isso ocorreu por mudança de regulação e por conta do mercado.
Segundo a transcrição do depoimento, Vorcaro apontou que a cessão de ativos tinha se tornado a principal captação do banco até o anúncio de que o Master seria comprado pelo BRB. Segundo ele, depois do anúncio as fontes de captação foram fechadas por completo.
Ressarcimento do FGC a investidores do Master
O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema, na prevenção de crises bancárias e na proteção de depositantes e investidores.
Na prática, funciona como um fundo privado que atua como um seguro. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição financeira enfrente alguma crise ou dificuldade.
Desde o dia 19, o FGC ressarce em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ os correntistas e investidores que tinham recursos no Master. Cerca de 600 mil credores do Master já fizeram o pedido até a noite de segunda-feira (19).

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