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Você chegou ao seu objetivo de perda de peso com as canetas emagrecedoras; e agora?

por Redação
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Canetas emagrecedoras devem ser aplicadas com indicação médica
Reprodução / TV TEM
Os medicamentos com GLP-1 inauguraram uma nova era no tratamento da obesidade.
Em poucos anos, fármacos como semaglutida e tirzepatida — conhecidos pelos nomes comerciais Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound — deixaram de ser tratamentos de nicho para diabetes e viraram nomes populares, mudando a forma como os americanos pensam sobre emagrecimento.
Uma pesquisa da Kaiser Family Foundation, de novembro de 2025, mostrou que 1 em cada 8 adultos nos EUA já usou algum medicamento com GLP-1 para emagrecer, tratar diabetes ou outra condição. E a tendência é que esse número cresça agora que um desses remédios, o Wegovy, passou a existir também em comprimidos, o que amplia o acesso para muita gente.
A capacidade desses medicamentos de promover uma perda de 15% a 20% do peso corporal fez deles um dos tratamentos não cirúrgicos mais potentes já vistos contra a obesidade.
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GLP-1 é a sigla para “peptídeo semelhante ao glucagon-1”, um hormônio que o intestino produz naturalmente e que ajuda a controlar a glicose no sangue e o apetite após as refeições. Ele estimula o pâncreas a liberar insulina quando o açúcar no sangue sobe e desacelera o esvaziamento do estômago, o que faz a pessoa se sentir satisfeita mais rapidamente.
Os medicamentos modernos à base de GLP-1 potencializam esses efeitos, levando a um melhor controle da glicemia e a uma perda de peso significativa em muitos pacientes.
Mas o sucesso traz uma nova pergunta que milhões de pessoas estão se fazendo: o que acontece depois que o peso baixa? E, tão importante quanto isso: o que fazer quando o emagrecimento “empaca”, mesmo continuando a usar o remédio?
Como médica especialista em obesidade, vejo de perto o quanto a terapia com GLP-1 pode mudar a vida dos pacientes. Mas também reforço que nenhum medicamento — nem os GLP-1 — substitui os pilares básicos de uma vida saudável: alimentação adequada, atividade física, sono e saúde mental. Esses fatores são essenciais para manter massa muscular e óssea, evitar o reganho de peso e sustentar a saúde cardiovascular e metabólica no longo prazo.
A regra é simples, mas fundamental: todo plano de emagrecimento ou de saúde precisa ser individualizado.
Como o corpo reage à perda de peso
Em 2023, o CDC (centro de controle de doenças dos EUA) estimou que mais de 40% dos adultos americanos vivem com obesidade. Para a maioria das pessoas, o maior desafio não é emagrecer — é manter o peso depois.
Pesquisadores sabem disso há décadas. Já em estudos de meados do século 20, programas comerciais de dieta mostravam que, embora a perda de peso no curto prazo fosse comum, o reganho no longo prazo era a regra.
Isso acontece porque, quando emagrecemos, o corpo tende a tentar voltar ao peso anterior — um fenômeno chamado de adaptação metabólica. O cérebro passa a liberar mais grelina, o hormônio da fome, e reduz a leptina, que é um dos hormônios responsáveis por sinalizar saciedade e “energia suficiente”.
O efeito final é bem direto: depois de perder peso, a pessoa sente mais fome, fica menos satisfeita ao comer e passa a gastar menos calorias do que o esperado. O organismo interpreta a perda de peso como uma ameaça à sobrevivência e freia o metabolismo com mecanismos sofisticados de economia de energia. Em outras palavras: com menos peso para sustentar, o corpo trabalha menos — e ainda fica mais eficiente, queimando menos calorias do que se imaginaria, o que favorece o retorno do peso.
Some a isso um ambiente cheio de ultraprocessados, porções gigantes, estresse alto e pouco tempo para se mexer… e não é surpresa que o peso de tanta gente fique indo e voltando, apesar do esforço.
O que os estudos mostram sobre os remédios com GLP-1
Os ensaios clínicos com medicamentos à base de GLP-1 seguem esse padrão conhecido. Um grande estudo de 2021, com mais de 1.900 adultos (o chamado STEP 1), ajudou a consolidar o uso desses remédios para emagrecimento.
Já um estudo de acompanhamento, o STEP 4, mostrou que, em até 48 semanas após interromper o uso da semaglutida, os participantes recuperaram cerca de dois terços do peso que haviam perdido. Em contraste, quem continuou usando o GLP-1 seguiu emagrecendo.
Isso não acontece por “falta de força de vontade”, mas porque a biologia do corpo luta para voltar ao antigo ponto de equilíbrio.
Manutenção do peso no longo prazo e custos
Embora hoje a obesidade seja reconhecida como uma doença crônica, as orientações clínicas ainda não acompanharam totalmente essa nova geração de medicamentos tão eficazes.
Para a maioria dos pacientes, a estratégia mais eficiente para manter o peso depois de atingir a meta é continuar o tratamento com GLP-1, na menor dose possível que ainda ajude a controlar o apetite e estabilizar o peso.
Outra alternativa é reduzir gradualmente o remédio ao longo de três a seis meses, reforçando hábitos de vida que ajudem a sustentar a saúde e o peso conquistado.
O que fazer quando o peso “estagna” mesmo usando GLP-1
Platôs de emagrecimento são normais — inclusive com GLP-1.
Nos estudos, a perda de peso costuma seguir uma curva previsível: queda rápida no início e nas fases de aumento da dose, depois uma desaceleração progressiva até chegar a um platô. Ficar de oito a 12 semanas sem grandes mudanças no peso não é sinal de fracasso, mas de adaptação do corpo ao novo peso.
Antes de concluir que o remédio “parou de funcionar”, médicos costumam checar se o medicamento está sendo usado corretamente, sem esquecimentos frequentes, e se está sendo armazenado da forma adequada.
Também avaliam se há condições médicas que dificultam o emagrecimento, como perimenopausa ou hipotireoidismo (tireoide funcionando menos).
Além disso, levam em conta se o paciente usa outros remédios que favorecem ganho de peso e se está usando um GLP-1 aprovado por órgãos reguladores ou versões manipuladas, cuja qualidade e eficácia podem variar.

(*Amy J. Sheer é médica especialista em obesidade e professora associada de medicina na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos. A autora informa que já recebeu honorários como consultora da empresa PeerView. Ela também afirma estar em conversas com a farmacêutica Eli Lilly para atuar como palestrante, mas ainda não iniciou essa atividade.)

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