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Uso de polilaminina é acompanhado em tempo real pela sociedade: ‘Como se fosse um Big Brother’, diz pesquisadora

por Redação
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Pesquisadores da polilaminina participam do Bom Dia ES
A pesquisa com polilaminina, substância estudada como possível tratamento para lesões medulares, tem sido acompanhada de perto pela sociedade, segundo a cientista responsável pelo estudo. “É como se fosse um Big Brother”, definiu a pesquisadora Tatiana Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Segundo Tatiana, mais uma etapa da pesquisa foi aprovada nesta quinta-feira (26) e os estudos clínicos com pacientes devem começar no início de março.
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A afirmação foi feita durante a entrevista ao “Bom Dia Espírito Santo” (TV Gazeta) desta sexta-feira (27), ao lado do médico capixaba Olavo Franco, que também participa das aplicações da substância no estado.
“O estudo clínico primeiro é aprovado na Anvisa e depois no Comitê de Ética. Demorou bastante tempo, porque a Anvisa ainda não tinha informação necessária e o processo era um pouco novo”, afirmou a pesquisadora.
Polilaminina é pesquisada por Tatiana Sampaio em laboratório da Universidade Federal do Espírito Santo
Reprodução/ TV Globo
Acompanhamento em tempo real
Os estudos começaram há mais de 20 anos, na universidade fluminense, mas desde que os primeiros pacientes receberam a aplicação da polilaminina, a pesquisa passou a ser acompanhada de perto pela opinião pública, interessada nos avanços.
“É um pouco angustiante você ter os olhos em cima de você enquanto faz alguma coisa. É como se você estivesse digitando um texto e tem cinco pessoas olhando para toda letra que você escreve errada e apaga”, explicou a médica.
Para Tatiana, a exposição pode trazer benefícios. “Expor o quanto a pesquisa é importante, o quanto as universidades fazem coisas que podem resultar em avanços importantes, o que é um estudo clínico, qual é a importância de se ter grupo controle ou não”, completou.
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Judicialização
Além do grupo que integra o estudo clínico formal, há pacientes que conseguem a aplicação da polilaminina por decisão judicial.
Tatiana reconhece que o uso fora do protocolo tradicional pode dificultar a coleta de dados, mas afirma que não é possível ignorar a demanda individual.
“Do ponto de vista da pesquisa, atrapalha um pouco porque não temos controle total das informações. Não é no dia que a gente quer, não é na hora que a gente quer, não é na condição exatamente que a gente quer. Por outro lado, são situações que são demandas e individuais, e que a gente não tem como não atender quando existe a justificativa para tal”, disse.
No Espírito Santo, como parte da equipe está envolvida diretamente nas aplicações, o acompanhamento tem sido mais próximo, com apoio do Hospital São Lucas, em Vitória.
Em estados mais distantes, no entanto, o monitoramento depende da colaboração das equipes locais.
“Às vezes, as informações vêm pela família ou pelo médico assistente. Não é o cenário ideal para pesquisa, mas os pacientes recebem acompanhamento da equipe responsável”, afirmou o médico Olavo Franco.
Tatiana Sampaio, pesquisadora
Reprodução/ TV Globo
O que é a polilaminina
A polilaminina é uma forma reconstituída da laminina, proteína presente no organismo que ajuda a dar estrutura aos tecidos.
Tatiana usou uma comparação para explicar o funcionamento da substância: “É como um colar de pérolas. Cada pérola sozinha não cumpre a função. Quando você monta o colar novamente, ele recupera a função”.
Segundo ela, ao ser extraída do corpo, a proteína perde sua estrutura original. A polilaminina seria uma forma de reorganizar essas moléculas para que retomem a função estrutural.
No caso da lesão medular, a aplicação é feita diretamente no local da lesão, com o objetivo de estimular a regeneração das fibras nervosas.
“A medula é como um conjunto de fios protegidos dentro da coluna. Quando há trauma, esses fios podem ser rompidos ou comprimidos. A ideia é estimular que eles voltem a crescer”, explicou.
As aplicações começaram em dezembro.
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