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A publicação feita pelo presidente na rede social Truth Social não deixa claro quais países poderão se beneficiar da mudança nem como a nova regra será aplicada.
“Enquanto trabalhamos para reconstruir esse rebanho e apoiar nossos pecuaristas, pelos próximos 90 dias, os Estados Unidos permitirão a importação de até 300.000 toneladas de carne destinada à produção de carne moída, sem a incidência de tarifas fora da cota”, disse Trump na publicação.
Segundo o presidente, a expectativa é que a carne seja vendida por um preço 25% mais barato do que o praticado atualmente no mercado norte-americano.

Agora no g1
Carne em crise nos EUA
A medida de Trump ocorre em um momento difícil para os consumidores americanos, que têm sentido cada vez mais no bolso a alta dos preços da carne bovina.
Segundo dados do Bureau of Labor Statistics, o preço de uma libra (equivalente a 453,59 gramas) de carne moída chegou a US$ 6,82 em junho deste ano, 79% acima do registrado no início de 2019.
O zootecnista e consultor de mercado da Scot Consultoria Felipe Fabbri explica que a alta da carne bovina nos Estados Unidos está relacionada principalmente à redução do rebanho e da produção, em um cenário de demanda ainda aquecida.
O rebanho norte-americano está no menor nível em 75 anos, enquanto o preço do gado atingiu níveis recordes, movimento que acabou sendo repassado ao consumidor.
O fornecimento ficou ainda mais restrito porque os EUA suspenderam em 2025 a maioria das importações de gado mexicano, diante de preocupações com a disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga que infesta o gado.
Apesar de também serem grandes produtores, os EUA ainda precisam importar carne para atender à demanda dos consumidores, que se manteve firme e pressionou os preços.
Ele aponta que o impacto da medida sobre o preço ao consumidor ainda é incerto e dependerá da estratégia adotada pelas indústrias locais.
“É difícil afirmar que o preço do hambúrguer cairá para o consumidor americano, mas a expectativa é que a medida ajude, ao menos em parte, a conter novas altas e a reduzir o custo de produção das indústrias locais”, afirma.
Brasil pode ser beneficiado?
Fabbri avalia que o Brasil pode se beneficiar da medida. Segundo o especialista, uma ampliação da cota ou uma redução das tarifas aumentaria a competitividade da carne bovina brasileira no mercado norte-americano e poderia abrir espaço para um volume maior de embarques aos Estados Unidos.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou ao g1 que ainda não recebeu informações oficiais do governo dos Estados Unidos sobre a medida.
Atualmente, o Brasil participa de uma cota compartilhada com outros fornecedores dos EUA, que costuma ser preenchida nas primeiras semanas do ano. Depois que esse volume é esgotado, a carne brasileira continua podendo entrar no país, mas passa a pagar uma tarifa extra-cota de 26,4%.
Por isso, uma ampliação da cota que inclua o Brasil poderia melhorar as condições de acesso da carne bovina brasileira ao mercado americano.
A Abiec, no entanto, afirma que é preciso aguardar os detalhes oficiais antes de avaliar os efeitos da medida para as exportações brasileiras.
A medida de Trump acontece em um momento em que o Brasil diminuiu os embarques para o seu maior cliente, a China, depois de atingir o limite de cotas de comercialização sem a tarifa adicional.
Segundo Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro, o Brasil exporta a mesma parte do boi para os dois países, a dianteira.
Brasil já é um dos principais fornecedores
Os Estados Unidos são atualmente o segundo maior mercado para a carne bovina brasileira. De janeiro a julho de 2026, o Brasil exportou 233,8 mil toneladas de carne bovina para o país, alta de 17,1% em relação ao mesmo período de 2025.
A receita chegou a US$ 1,54 bilhão, crescimento de 33,1% na comparação anual, segundo dados da Abiec.
Atualmente, cerca de 50 plantas frigoríficas brasileiras estão habilitadas a exportar carne bovina para os Estados Unidos.
Devido aos altos preços, Trump solicitou a abertura de uma investigação contra os quatro maiores frigoríficos atuantes no país, a JBS, a National Beef, controlada pela Marfrig, e as norte-americanas Cargill e Tyson Foods.
Na época, o presidente afirmou que o encarecimento aconteceu “por meio de conluio ilícito”.
Veja as exportações de carne para a China e os EUA em 10 anos — Foto: Arte g1

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