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The Economist: Países ricos deveriam temer

por Redação
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O artigo afirma que o paradoxo do país é combinar indicadores que, à primeira vista, seriam considerados positivos, como crescimento econômico, banco central independente e orçamento primário “quase equilibrado”, com uma dinâmica de endividamento considerada explosiva.

Com a selic, a taxa básica de juros, em 15% ao ano, o governo brasileiro “provavelmente tomará emprestado cerca de 8% do PIB por ano apenas para pagar a conta de juros”, diz a revista, mesmo com as contas primárias próximas do equilíbrio.

“Sua dívida líquida, em 66% do PIB, é alta para os padrões de mercados emergentes, mas baixa para os do mundo rico.”

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Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida pública bruta do Brasil vai atingir 99% do PIB em 2030. Em 2010, correspondia a 62%.

“Pode parecer dolorosamente difícil, em um mundo populista, ao mesmo tempo, prometer baixa inflação e gastar menos com os idosos. Mas isso não é nada comparado à escolha agonizante que se aproxima do Brasil: entre uma austeridade profunda e uma espiral aterradora de juros e dívida.”

Mas a saída pela austeridade, diz a publicação, parece politicamente inviável. Segundo o texto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição em outubro, “afrouxou os cordões da bolsa”, o que reduz as chances de um ajuste fiscal severo no curto prazo.

Sede do Banco Central em Brasília — Foto: Raphael Ribeiro/BCB

Para explicar por que o país paga taxas tão superiores às de economias ricas, a revista aponta uma combinação de fatores institucionais e históricos.

As instituições brasileiras, diz a revista, seriam “frágeis” e chegaram a “vacilar” durante a tentativa de golpe do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022.

Além disso, a inflação teria “um pavio mais curto”, em razão do trauma da hiperinflação dos anos 1980 e 1990 e da crise econômica da década passada.

Outro elemento é a rigidez do gasto público. O Brasil destina cerca de 10% do PIB ao pagamento de aposentadorias. Sem reformas, diz a revista, o país gastará mais em 2050 com pensões do que países “mais ricos e mais envelhecidos”.

“Ainda assim, as pensões são protegidas na Constituição, que, por exemplo, determina que, quando o salário mínimo sobe, os aposentados também recebam mais. O controle extraordinário dos pensionistas sobre o orçamento dificulta o equilíbrio das contas e também desloca outros gastos mais valiosos.”

Para a The Economist, o país sul-americano funciona como um “alerta antecipado” do que pode acontecer com economias avançadas. “A aflição fiscal do Brasil lança em relevo os orçamentos do mundo rico”, diz.

O editorial afirma que os Estados Unidos já exibem sintomas iniciais do processo de “brasilização”: instituições sob pressão e uma inflação mais difícil de controlar após a pandemia.

O texto cita o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que “politizou o Departamento de Justiça”, deseja controlar o Federal Reserve e “cogita federalizar as eleições”.

A revista também observa que, assim como no Brasil, o peso crescente de aposentadorias e gastos com saúde tende a pressionar os orçamentos do mundo rico.

Problemas vão além de ‘desperdícios’ de Lula

Na quarta-feira (11/2), a revista havia publicado outra análise sobre o Brasil.

A revista afirma que, apesar de indicadores positivos, a trajetória da dívida brasileira é “insustentável” e que “os pessimistas estão certos em prever problemas”.

Para a The Economist, a crise fiscal não se explica apenas pela política do governo Lula, mas por um sistema capturado por interesses poderosos, muitos protegidos pela Constituição.

No texto, a revista britânica afirma que as eleições de outubro serão fundamentais para evitar que a economia do Brasil não estagne e entre em crise, caso os parlamentares eleitos “encontrem a coragem” para “enfrentar os interesses arraigados”.

A revista também criticou o sistema tributário, classificado como uma “bagunça”.

“As estimativas dos custos econômicos variam, mas são da mesma ordem de grandeza da perda de crescimento devido à falta de credibilidade fiscal, o que equivale a talvez meio ponto percentual do PIB anualmente.”

A falta de reformas, diz a The Economist, mina a confiança do mercado e custa ao Brasil até um ponto percentual de crescimento por ano.

A revista reconhece avanços recentes, como o teto para isenções e o IVA dual, que pode elevar o PIB em até 4,5% até 2033, mas avalia que, sem mudanças estruturais, o país seguirá preso a um modelo fiscal insustentável.

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