Tesouro Reserva, Selic, CDB ou poupança: qual rende mais? Simulações | G1

Tesouro Reserva, Selic, CDB ou poupança: qual rende mais? Simulações | G1

Criado como alternativa à poupança, aos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e às caixinhas digitais dos bancos, o Tesouro Reserva permite aplicações a partir de R$ 1 e tem rendimento ligado à Selic, a taxa básica de juros da economia.

Por enquanto, o título está disponível apenas para clientes do Banco do Brasil (BB). A oferta nas demais instituições financeiras dependerá da adesão e da implementação do produto por cada banco. (veja detalhes mais abaixo)

Mas qual investimento rende mais?

Thaísa Durso, educadora financeira da Rico, elaborou a pedido do g1 um levantamento comparando os rendimentos do Tesouro Reserva, dos CDBs que pagam 100% do CDI, do Tesouro Selic e da poupança.

  • 🔎 Os cálculos consideram a Selic em 14,50% ao ano e a tabela regressiva do Imposto de Renda (IR) aplicada aos produtos tributáveis (Tesouro e CDBs). Nesse cenário, o Tesouro Reserva e o Tesouro Selic aparecem empatados na liderança, enquanto a poupança rende bem menos. Veja:

Tesouro Reserva, Selic, CDB ou poupança: qual rende mais? Veja simulações — Foto: Arte/g1

O levantamento mostra pouca diferença entre os rendimentos do Tesouro Reserva, do Tesouro Selic e de um CDB que paga 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) — taxa de referência dos empréstimos entre bancos, estimada em 14,4% ao ano.

  • 📈 No caso dos CDBs, a rentabilidade pode variar conforme o percentual do CDI oferecido pela instituição financeira. Alguns papéis pagam, por exemplo, 110% do CDI, o que aumenta os ganhos do investidor. Quanto maior, contudo, maior o risco.

Thaísa Durso explica que Tesouro Reserva e Tesouro Selic têm a mesma rentabilidade quando o investidor aplica e resgata o dinheiro ao fim do período, mas a principal diferença está na experiência do investidor.

“O Tesouro Selic sofre marcação a mercado, o que pode gerar pequenas oscilações no valor antes do resgate. Já o Tesouro Reserva elimina esse efeito, oferecendo previsibilidade total — um ponto importante para quem precisa de liquidez sem surpresas”, diz.

Em todos os cenários simulados, a poupança, com retorno de pouco mais de 8% ao ano, aparece na última posição. Em 10 anos, a diferença em relação aos títulos do Tesouro chega a R$ 1.255,04, segundo o levantamento.

A educadora financeira destaca que Tesouro Reserva, Tesouro Selic e CDBs acompanham de perto a taxa básica de juros, enquanto a poupança tende a render menos, mesmo com a isenção de Imposto de Renda.

Os títulos do Tesouro e os CDBs seguem tabela regressiva de IR.

  • 🔎 A alíquota começa em 22,5% para aplicações de até 180 dias e cai gradualmente até 15% para investimentos mantidos por mais de dois anos. Também há cobrança de IOF em resgates feitos nos primeiros 30 dias. Após esse prazo, o imposto deixa de ser aplicado.

Thaísa Durso, da Rico, destaca que a principal diferença entre os produtos está no emissor e na estrutura: os títulos do Tesouro têm risco soberano, por serem garantidos pelo governo federal, enquanto os CDBs têm risco bancário, mitigado pela cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

“O Tesouro Reserva se destaca por oferecer liquidez 24 horas por dia, inclusive em fins de semana, com liquidação via PIX e sem marcação a mercado, garantindo previsibilidade total. O Tesouro Selic, por sua vez, tem liquidez diária em dias úteis, com oscilações mínimas por ser pós-fixado”, diz.

Veja abaixo perguntas e respostas sobre o novo Tesouro Reserva.

Novo título do Tesouro Direto permite aplicações a partir de R$ 1 — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O que é o Tesouro Reserva?

É um novo título de dívida pública do Tesouro Direto, plataforma do governo federal para investimentos em papéis públicos. Segundo o Ministério da Fazenda, o produto foi criado para formação de reserva financeira, “com foco em simplicidade e previsibilidade”.

Quais as condições de aplicação e resgate?

O Tesouro Reserva tem investimento mínimo de R$ 1. Segundo especialistas, isso democratiza e facilita o acesso por investidores iniciantes.

O sistema permite investir e resgatar o dinheiro a qualquer hora do dia, todos os dias da semana, inclusive com possibilidade de transferência via PIX. A única exceção é o intervalo entre 0h e 1h, todos os dias.

“Isso aproxima o Tesouro Direto da experiência que hoje o investidor já encontra nas fintechs [bancos e plataformas digitais]”, avalia Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.

O vencimento do papel é de 3 anos, mas o resgate pode ser feito a qualquer momento, sem descontos.

Qual a rentabilidade e o risco?

O novo título tem rendimento atrelado à Selic, a taxa básica de juros da economia, atualmente em 14,50% ao ano. A rentabilidade é equivalente a 100% da taxa.

Por ser um título público de renda fixa emitido pelo governo federal, o investimento é considerado de baixo risco. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o produto mira quem “quer rentabilidade, mas também quer segurança”.

  • 🔎 O investimento não está sujeito à volatilidade diária típica da chamada marcação a mercado — mecanismo que faz o valor de títulos oscilar diariamente conforme mudam as expectativas do mercado para os juros e a inflação.

Na prática, isso significa que o valor aplicado não sofrerá oscilações no momento da compra ou do resgate, trazendo mais previsibilidade ao investidor.

Onde e como investir?

O investimento já está disponível para clientes do Banco do Brasil, que desenvolveu o produto em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional.

Segundo o Ministério da Fazenda, a oferta do título em outras instituições financeiras dependerá da adesão e implementação por parte de cada banco.

A pasta acrescenta que, para investir, o processo segue o fluxo tradicional do Tesouro Direto: o cliente do Banco do Brasil deve acessar a área do Tesouro Direto no aplicativo de investimentos, selecionar o Tesouro Reserva, definir o valor da aplicação e confirmar a operação.

Nos demais bancos, a operação deverá funcionar de forma semelhante após a disponibilização do título.

Por que concorre com CDBs?

Por ser um investimento prático, com valor mínimo baixo, resgate a qualquer momento e rendimento atrelado à Selic, o Tesouro Reserva se torna uma alternativa interessante aos CDBs, às caixinhas digitais e à poupança, dizem especialistas.

“O desafio será competir com o retorno de CDBs, LCIs e LCAs, que muitas vezes são mais atrativos e não têm taxas”, diz Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos.

Relembre os conceitos de CDBs, LCIs, LCAs e caixinhas digitais:

  • 💰Os CDBs são investimentos de renda fixa em que o cliente empresta dinheiro ao banco em troca de juros.
  • 🏠 As LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) são títulos de renda fixa usados pelos bancos para financiar o setor imobiliário, geralmente isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.
  • 🌾 As LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) funcionam de forma semelhante às LCIs, mas os recursos são direcionados ao financiamento do agronegócio.
  • 🐷 Já nas caixinhas digitais, o banco organiza e aplica automaticamente o dinheiro do cliente em investimentos de renda fixa voltados a objetivos específicos.

Marcos Praça, da ZERO Markets, tem a mesma leitura. Ele avalia que o Tesouro Reserva tende a ser uma alternativa competitiva para a reserva de emergência, principalmente pela combinação entre segurança, rapidez no saque e previsibilidade.

“Em um ambiente de juros ainda altos no Brasil, produtos atrelados à Selic continuam muito atrativos para o investidor conservador”, conclui.

Quais são as taxas e impostos?

Como qualquer investimento do Tesouro Direto, o Tesouro Reserva também está sujeito à tabela regressiva do Imposto de Renda aplicada aos investimentos de renda fixa.

Nesse modelo, a alíquota começa em 22,5% para aplicações de até 180 dias e cai gradualmente até 15% para investimentos mantidos por mais de dois anos.

  • Até 180 dias de investimento, 22,5%;
  • De 181 a 360 dias de investimento, 20%;
  • De 361 a 720 dias de investimento, 17,5%;
  • Acima de 720 dias, 15%.

🔎 O Imposto de Renda incide apenas sobre os rendimentos do investimento, e não sobre o valor total aplicado. Por exemplo: se uma pessoa investir R$ 1.000 e, após um período, o saldo subir para R$ 1.100, o IR será cobrado somente sobre os R$ 100 de ganho.

Além do IR, também há cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em caso de resgate nos primeiros 30 dias da aplicação. Após esse período, o imposto deixa de ser aplicado.

Além disso, o investimento tem taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano. No entanto, aplicações de até R$ 10 mil são isentas dessa cobrança.

Postagens relacionadas

Preço dos alimentos em abril: o que ficou mais caro e o que ficou mais barato no mês | G1

Dólar abre em alta com mercado de olho em dados de inflação no Brasil e nos EUA | G1

IPCA: inflação desacelera para 0,67% em abril, mas alimentos seguem como principal pressão | G1