Mesmo com algumas tensões diplomáticas entre os países, os Estados Unidos e o Brasil estão com negociações abertas para fechar um acordo sobre as cadeias de suprimento de minerais críticos. Quem afirmou, nesta quarta-feira (18), que as conversas estão em andamento foi Gabriel Escobar, encarregado de negócios norte-americano por aqui.
A declaração foi feita à agência Reuters após a assinatura de um acordo preliminar separado com o estado de Goiás e antes de um evento promovido pela embaixada dos EUA que reuniu investidores americanos e empresas brasileiras interessadas na produção de minerais críticos. Entre os participantes estavam Citi e Anglo American.
“Temos uma proposta de acordo em nível federal. Já tivemos discussões iniciais, mas ainda estamos aguardando avanços”, disse Escobar, durante o evento.
Os EUA têm buscado ampliar o acesso a reservas de minerais críticos, especialmente às cadeias de terras raras, hoje amplamente dominadas por empresas da China.

Brasil e Índia assinam acordo sobre minerais críticos
Tensão diplomática
As negociações ocorrem em meio a um momento de atrito entre Washington e Brasília, que acabou esvaziando o evento da embaixada.
Autoridades brasileiras se retiraram após o desgaste nas relações, intensificado quando um integrante do governo americano pediu para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão — o que foi interpretado pelo governo brasileiro como tentativa de interferência em assuntos internos. O pedido foi barrado sob a justificativa de “falsificação” dos motivos da visita.
Amostras de terras raras: Óxido de cério, Bastnasita, óxido de neodímio e carbonato de lantânio — Foto: REUTERS/David Becker
Segundo a Reuters, o Brasil recebeu em fevereiro uma proposta de memorando de entendimento. O documento, no entanto, teria sido enviado inicialmente com o nome de outro país, erro posteriormente corrigido.
As negociações seguem com o escritório do representante de Comércio dos EUA e podem avançar em uma eventual visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington.
Um encontro entre Lula e Donald Trump, que estava previsto para este mês, foi adiado em meio ao conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, além das tensões bilaterais.
Os bastidores
Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro criticaram a decisão dos EUA de firmar acordo direto com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, adversário político de Lula. A iniciativa foi vista como uma tentativa de contornar o governo federal.
O acordo prevê cooperação em áreas como mapeamento de potencial mineral, conexão de mineradoras locais com tecnologia americana e aprimoramento regulatório, segundo o governo estadual.
Goiás concentra reservas de lítio e nióbio e abriga a única empresa em operação comercial de terras raras no país, a Serra Verde, com apoio dos EUA.
De acordo com o governo estadual, a parceria busca estimular o processamento local e a agregação de valor, incluindo a separação de terras raras — uma prioridade também para o governo Lula, segundo um integrante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
Autoridades americanas veem potencial para investimentos bilionários e já identificaram mais de 50 projetos de mineração no Brasil que podem ajudar a diversificar a oferta global e reduzir a dependência da China nesse mercado estratégico.