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‘Subestimaram minha capacidade’, diz cientista brasileira que criou caneta que detecta tumor para curar câncer

por Gilberto Cruz
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Química brasileira inventa caneta que identifica células de câncer durante cirurgias
O Fantástico conversou com a química brasileira Lívia Eberlin, responsável por desenvolver uma caneta capaz de identificar células cancerosas em poucos segundos.
A trajetória de Lívia, no entanto, vai além da inovação científica. Ao se mudar para os Estados Unidos, ela relata ter enfrentado dificuldades como imigrante:
“Os profissionais meio que subestimavam a minha capacidade como mulher, como latino-americana.”
Lívia também relata a sensação de não pertencimento em ambientes majoritariamente masculinos:
“Eu olhava para as paredes do departamento e só via homens. Isso faz você se perguntar se realmente pertence àquele lugar”, diz.
Para lidar com esse cenário, ela apostou no desempenho acadêmico e profissional.
“Meu mecanismo era fazer o melhor trabalho possível, tirar as melhores notas”, afirma.
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‘Caneta que lê’ identifica câncer em segundos
A tecnologia criada por Lívia funciona como uma espécie de “caneta que lê o câncer”. O dispositivo é utilizado durante cirurgias e, ao entrar em contato com o tecido humano, libera uma gota de água que extrai moléculas da região analisada.
Com o auxílio de inteligência artificial, o equipamento consegue indicar, em tempo real, se o tecido é canceroso ou saudável — o que pode tornar procedimentos mais precisos e rápidos.
A ideia surgiu a partir da observação de cirurgias e da percepção de que os métodos tradicionais de análise eram antigos, demorados e sujeitos a erros.
“O ideal seria levar a tecnologia do laboratório para a sala cirúrgica, de forma simples”, explica a cientista.
Apesar do potencial inovador, o projeto enfrentou resistência no início.
“Muitas pessoas acharam que não iria funcionar, que era algo simples demais”, relembra.
A mudança de percepção veio com os resultados: após diversos protótipos e testes, a eficácia da caneta começou a ser comprovada.
Atualmente, o dispositivo já foi utilizado em mais de 400 cirurgias nos Estados Unidos, em casos de câncer de mama, pulmão, cérebro, ovário e pâncreas. Um dos centros que testam a tecnologia é o MD Anderson Cancer Center, referência mundial no tratamento da doença. No Brasil, o equipamento também está em fase experimental, com testes em hospitais como o Albert Einstein e a Unicamp.
Hoje, o objetivo da equipe é ampliar o uso da caneta para hospitais ao redor do mundo, tornando o diagnóstico e o tratamento do câncer mais rápidos e precisos — e transformando uma ideia que muitos desacreditaram em uma ferramenta promissora na medicina.
“Tenho uma equipe maravilhosa que trabalha comigo, os meus alunos, os meus pós-doutorandos e nós todos estamos trabalhando dia e noite para trazer a caneta para o máximo de hospitais do mundo”, concluiu Lívia.
Química brasileira inventa caneta que identifica células de câncer durante cirurgias
Reprodução/TV Globo
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