De acordo com documentos enviados à Securities and Exchange Commission (SEC), a companhia pretende listar suas ações na Nasdaq sob o código “SPCX”.

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Os registros mostram que a SpaceX registrou receita de US$ 4,694 bilhões no primeiro trimestre deste ano, mas encerrou o período com prejuízo operacional de US$ 1,943 bilhão.
A maior parte do faturamento veio da divisão de conectividade, responsável pela Starlink, que gerou US$ 3,257 bilhões em receita. Já a área espacial da empresa somou US$ 619 milhões.
A companhia informou ainda que não pretende distribuir dividendos aos detentores de ações Classe A no curto prazo, o que indica que os investidores não devem receber participação nos lucros neste momento.
A estrutura acionária, conforme o documento será dividida em duas classes: as ações ordinárias Classe A terão direito a um voto por papel, enquanto as Classe B garantirão dez votos por ação.
Na prática, essa configuração mantém Musk com forte poder de controle sobre a empresa mesmo após a abertura de capital. Segundo os documentos, ele continuará capaz de influenciar decisões que dependam da aprovação dos acionistas.
A SpaceX também afirmou que será classificada como “empresa controlada” após o IPO. Com isso, não precisará manter maioria independente em seu conselho de administração, como costuma ocorrer em companhias listadas nos Estados Unidos.
Antes mesmo da oficialização da oferta pública, a empresa já despertava o interesse de investidores em Wall Street.
Musk vinha sinalizando ao mercado que a SpaceX poderia alcançar um valuation de US$ 1,75 trilhão, valor muito superior à receita anual da companhia.
No ano passado, a empresa registrou vendas de US$ 18,5 bilhões. A avaliação projetada por Musk equivale a quase 100 vezes esse faturamento, múltiplo acima do observado em gigantes de tecnologia como Apple e NVIDIA.
Com expectativa de estreia na bolsa em meados de junho, analistas e investidores discutem se a operação pode se tornar uma das maiores aberturas de capital da história recente dos Estados Unidos.
Parte do otimismo está ligada ao crescimento da Starlink, que já concentra a maior fatia das receitas e dos lucros da companhia.
Os novos documentos também indicam avanços nos planos da empresa envolvendo inteligência artificial e computação espacial. A SpaceX afirmou que pretende iniciar, a partir de 2028, a implantação de satélites voltados à computação orbital com IA.
A companhia informou ainda que fechou, em maio, contratos de serviços em nuvem com a Anthropic. Segundo os registros, a empresa poderá pagar à SpaceX até US$ 1,25 bilhão por mês até maio de 2029, com expansão gradual da capacidade contratada a partir de maio e junho de 2026.
Além disso, a SpaceX revelou planos para lançar um produto financeiro voltado a pagamentos, serviços bancários e outras operações.
Os documentos enviados à SEC também apontam que a Tesla detinha 18.990.195 ações ordinárias Classe A da SpaceX em 1º de maio.
Outro trecho dos registros indica que a Cursor terá direito a uma taxa de rescisão de US$ 1,5 bilhão, além de uma taxa de serviços diferidos de US$ 8,5 bilhões, conforme contrato relacionado à operação mencionada.
A SpaceX informou ainda que a aquisição da Cursor, após a conclusão do IPO, seria paga em ações ordinárias Classe A da companhia.
Musk já afirmou que pretende manter a SpaceX focada em seu principal objetivo: tornar a vida “multiplanetária” e ampliar a presença humana no espaço.
Reportagem com informações da Reuters e AFP.
