Síncope vasovagal: entenda a condição que levou Ivete Sangalo a desmaiar e se machucar

Síncope vasovagal: entenda a condição que levou Ivete Sangalo a desmaiar e se machucar


Ivete Sangalo tem alta do hospital e brinca: ‘Estou lançando uma maquiagem diferente’
A cantora Ivete Sangalo, de 53 anos, foi internada em Salvador após apresentar um mal-estar na madrugada da última quarta-feira (25). Ela desmaiou em casa e sofreu ferimentos no rosto, com cortes e hematomas, como mostrou em vídeo publicado nas redes sociais.
Segundo relato da própria artista e de sua equipe, o episódio foi provocado por um quadro de síncope vasovagal associado a desidratação intensa após diarreia, possivelmente decorrente de uma virose.
O que acontece no corpo durante uma síncope vasovagal
A síncope vasovagal é considerada a causa mais frequente de desmaios. O episódio ocorre quando há uma queda abrupta da pressão arterial e da frequência cardíaca, reduzindo temporariamente o fluxo de sangue para o cérebro.
Diferentemente de um desmaio provocado por arritmia ou obstrução cardíaca, a síncope vasovagal é desencadeada por um reflexo do sistema nervoso autônomo —o conjunto de mecanismos que controlam funções involuntárias, como batimentos cardíacos e calibre dos vasos sanguíneos.
O sistema funciona como uma balança entre duas forças: o simpático, que acelera o organismo, e o parassimpático, que desacelera. No episódio vasovagal, o parassimpático assume o controle de forma súbita e exagerada.
Segundo o cirurgião cardiovascular Ricardo Katayose, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o nervo vago atua como um “freio” fisiológico.
“É como se o nervo vago puxasse um freio de mão. Ele reduz a frequência do coração e derruba a pressão. O cérebro recebe menos sangue, e isso leva ao desmaio”, explica.
O apagão costuma durar poucos segundos, mas pode provocar quedas e traumas, como ocorreu com a cantora.
Ivete mostrou o olho roxo em vídeo nas redes sociais
Redes sociais
Há sinais antes do desmaio?
Na maior parte das vezes, sim.
Antes da perda de consciência, muitas pessoas apresentam sintomas chamados pródromos —sinais de alerta que surgem segundos ou minutos antes do desmaio. Entre eles estão:
visão turva;
zumbido;
palidez súbita;
sudorese fria;
sensação de calor;
náusea e tontura.
Reconhecer esses sinais permite que a pessoa se sente ou se deite antes da queda.
Por que isso pode acontecer mesmo em alguém saudável?
A síncope vasovagal não está necessariamente ligada a uma doença cardíaca estrutural. Pode ocorrer em qualquer pessoa.
Entre os principais gatilhos descritos na literatura médica estão:
desidratação;
vômitos ou diarreia intensa;
calor excessivo;
jejum prolongado;
estresse emocional;
mudanças bruscas de postura.
No caso de Ivete, o próprio relato aponta que o episódio ocorreu após perda importante de líquidos, o que pode ter contribuído para a queda de pressão.
Tem cura? E tratamento?
A abordagem do quadro envolve principalmente identificar e evitar gatilhos. Não existe um medicamento específico capaz de bloquear o reflexo vagal. A prevenção, portanto, é comportamental.
Segundo Katayose, orientações simples fazem diferença no dia a dia: se manter hidratado, fracionar refeições para evitar grande distensão abdominal, levantar-se devagar, evitar longos períodos em pé parado e reconhecer rapidamente os sinais prévios.
“Quando a pessoa percebe os pródromos —turvação visual, zumbido, tontura— o ideal é se sentar ou se deitar antes que o desmaio se complete”, explica.
Embora cause perda de consciência, a síncope vasovagal costuma ser benigna.
“Dificilmente vai gerar algum problema grave. Diferentemente de uma arritmia maligna, na síncope vasovagal o cérebro se autorregula. É um choque momentâneo, o fluxo volta e a pessoa recupera”, afirma o especialista. O maior risco, segundo ele, costuma ser o trauma da queda.
Para quem presencia um episódio, as recomendações são objetivas: a pessoa deve ser deitada de costas e ter as pernas elevadas, o que aumenta o retorno de sangue ao coração e ao cérebro e acelera a recuperação.
“Levantar os membros inferiores ajuda a restabelecer a circulação. Depois, é importante esperar alguém apto a avaliar, porque nem sempre é possível distinguir uma síncope vasovagal de outras causas mais graves”, orienta Katayose.
O especialista afirma que, na dúvida, deve-se acionar atendimento médico. “Às vezes, a pessoa só vê alguém caindo e não sabe identificar. Na dúvida, acione o SAMU. Mas na maioria dos vasovagais, a recuperação é rápida”, diz.
Embora seja um quadro comum, a investigação detalhada é fundamental. Isso porque o diagnóstico de síncope vasovagal só é confirmado depois que outras causas cardíacas mais sérias são descartadas.
Uma vez confirmado, o manejo envolve ajustes na rotina. “É uma condição que exige entender o próprio corpo. Evitar gatilhos e aprender a agir nos primeiros sinais costuma resolver”, conclui o médico.

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