A tentativa de associar o nome na urna ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sem ter parentesco com eles, não se traduziu em vitória para a maioria dos candidatos. Dos 29 que adotaram a estratégia nas eleições, apenas cinco foram eleitos. Os outros 24 não conseguiram uma vaga.
Dos 20 candidatos que registraram inicialmente nomes com referência a Bolsonaro, três foram eleitos e 17 não foram. Entre os nove candidatos que adotaram o nome de Lula, dois foram eleitos e sete não conseguiram se eleger.
Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro
Reprodução/Vittor Sales/Ricardo Stucker/Pablo Porciuncula/AFP
Os candidatos disputaram cargos de governador, senador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital em diferentes estados do país.
Entre os cinco eleitos está Bruno Scheid (PL-RO), que concorreu ao Senado. Ele havia registrado inicialmente o nome de urna Bruno Bolsonaro Scheid, mas retirou a referência a Bolsonaro depois de uma decisão da Justiça Eleitoral.
Também foram eleitos Fabiana de Lima Barroso Souza (PL), que registrou Fabiana Bolsonaro e conquistou uma vaga de deputada estadual em São Paulo, e Crysthofour Pereira de Almeida (PL), o Fão do Bolsonaro, eleito deputado estadual no Paraná.
Do lado dos candidatos que usaram o nome de Lula, foram eleitos Júlio Cesar de Carvalho Lima (PSD), que registrou Júlio César o Julim do Lula e conquistou uma vaga no Senado pelo Piauí, e Samanda Alves de Freitas (PT), a Samanda de Lula, também eleita senadora pelo Rio Grande do Norte.
Carlos Eduardo Xavier, candidato do PT ao governo do Rio Grande do Norte, vai disputar o segundo turno. Ele adotou o nome Cadu de Lula na urna.
Justiça Eleitoral barrou uso de nomes em alguns casos
Em agosto, a Justiça Eleitoral passou a proibir candidatos que tentavam levar o nome de Bolsonaro ou de Lula às urnas sem integrar a família deles. Foi o que aconteceu com Bruno Scheid.
As regras sobre o nome que um candidato pode apresentar na urna estão previstas em lei e em uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral. Pelas normas, o candidato pode usar prenome, sobrenome, cognome, nome abreviado, apelido ou o nome pelo qual seja conhecido. A identificação não pode causar dúvida sobre a identidade do candidato, atentar contra o pudor ou ser ridícula ou irreverente.
Em uma decisão anterior sobre o tema, o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) entendeu que a identificação política legítima deve decorrer da trajetória e da atuação do próprio candidato, e não da apropriação do sobrenome de uma terceira pessoa conhecida.
Candidatos eleitos
Bruno Scheid (PL-RO) — eleito senador. Registrou inicialmente o nome Bruno Bolsonaro Scheid, mas mudou a identificação após decisão da Justiça Eleitoral.
Fabiana de Lima Barroso Souza (PL-SP) — eleita deputada estadual por média. Registrou o nome Fabiana Bolsonaro.
Crysthofour Pereira de Almeida (PL-PR) — eleito deputado estadual por quociente partidário. Registrou Fão do Bolsonaro.
Julio Cesar de Carvalho Lima (PSD-PI) — eleito senador. Registrou Júlio César o Julim do Lula.
Samanda Alves de Freitas (PT-RN) — eleita senadora. Registrou Samanda de Lula.
Candidatos que não foram eleitos
Boaz do Bolsonaro (PL-CE); candidato a deputado estadual.
Samanta Bolsonaro (PL-SP); candidata a deputada estadual.
Alessandro Bolsonaro (Pode-DF); candidato a deputado distrital.
Decinho Bolsonaro do Barreiro (Pode-MG); candidato a deputado federal.
Jean Bolsonaro (PL-RJ); candidato a deputado federal.
Rodrigo Bolsonaro (Agir-RN); candidato a governador.
Clodoaldo Bolsonaro (PP-SP); candidato a deputado estadual.
Thiago Neves (PL-SP) – Enéas Bolsonaro; candidato a deputado federal.
Renato Araújo do Bolsonaro (PL-RJ); candidato a deputado federal.
Freitas Bolsonaro (DC-ES); candidato a deputado federal.
Bolsonaro Sergipano (PL-SE); candidato a deputado estadual.
Negona do Bolsonaro (PL-RJ); candidata a deputada federal.
Joel Bolsonaro (PL-RS); candidato a deputado estadual.
Bolsonaro da Shopee (Novo-MT); candidato a deputado federal.
Flaviane do Bolsonaro (Novo-MT) ; candidata a deputada estadual.
Hélio Bolsonaro (PL-RR); candidato a senador.
Hélio Rodrigues Bolsonaro (Democrata-TO); candidato a senador.
Lula Tio do Biscoito (PT-MG); candidato a deputado federal.
Lula de Alagoas (PT-AL); candidato a deputado estadual.
Cadu de Lula (PT-RN); candidato a governador.
Carlin Lula (Avante-MG); candidato a deputado federal.
Dr. Célio, Lula do Bem (PL-SP); candidato a deputado federal.
Pâmela Maranhão Lula (PT-MA); candidata a deputada estadual.
Panayotis do Lula (PT-RJ); candidato a deputado estadual.
Sem parentesco, só 5 de 29 candidatos que usaram nome de Bolsonaro ou de Lula na urna foram eleitos
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